terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Ambliope


Eu que, por norma, sou um Imperador bem atento aos desmandos da República, não me consigo recordar do nome do actual Ministro da Justiça.
Cheguei, no entanto, à conclusão que, afinal, a falha de memória não existe porque quem não existe é o Ministro da Justiça. Ou se calhar não existe Justiça.
O sistema judicial português parece ferido de morte. Pela primeira vez permite que o princípio da separação de poderes não vigore neste pilar da democracia que devia ser a Justiça. O Primeiro -Ministro diz que não se intromete na questão, mas os seus Ministros não se coibem de falar de "espionagem política" quando se referem ao caso das escutas.
Esta forma de vil condicionamento da Justiça pode colocar Portugal à beira da calamidade e o futuro nada augura de bom. Há uma estratégia deliberada de confundir a população, de tentativa de desviar as atenções do cerne criminoso da questão em claro benefício para o Governo de Portugal.
Duma vez por todas esclareça-se: não houve escutas ao 1º Ministro mas ao arguido Armando Vara. Se das conversas de Vara com o 1º Ministro resultaram indícios que sustentam uma prática criminosa, acusem quem tiverem que acusar. Se não, divulguem as escutas para que não recaiam suspeitas sobre os visados. Se os arguidos e os Governantes se mostram assim tão chocados com as insinuações, porque não hão-de ser os primeiros a pedir a publicação das escutas?
Porquê? "Porque quem tem c* tem medo!". E essa é a única explicação para este verdadeiro Golpe de/do Estado ao regular funcionamento da Justiça.
Ave Caesar

terça-feira, 17 de novembro de 2009

AVISO
TENHO-ME ESQUECIDO DE DIZER QUE NA MILHA NÃO PUBLICAMOS COMENTÁRIOS DE REFORMADOS COMPULSIVAMENTE POR INVALIDEZ PSÍQUICA EM JUNTAS MÉDICAS ASSESSORADAS POR BONS MÉDICOS DO NOSSO CONCELHO.
OBRIGADO
GAIUS CAESAR GERMANICUS

O Grande


"O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca. "

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um país "varado" do avesso


Não tenho pretensões a Medina Carreira, tão pouco a Pulido Valente, mas cada vez mais me assola uma visão ultra-pessimista deste País onde nascemos e do qual devíamos ter razões para nos orgulhar.
Portugal é neste momento um caso à beira da perdição, onde um Primeiro - Ministro cultiva amizades mais que duvidosas e casos mal explicados mas continua a subir nas sondagens.
Mas vejamos um pouco deste perfil "Face Oculta" que arrasta pela lama todo o sistema de empresas públicas e as nomeações governativas.
Já aqui nos tínhamos pronunciado sobre o BPN e sobre Dias Loureiro que, afinal, até tinha um certo glamour mafioso - Bahamas, off-shores e empresas hightech. A "Face Oculta" é o oposto, é o lado rasteiro e baixo da corrupção que mina o sistema. Basta ter por local de encontro para negociatas escuras uma casa de putas ali para os lados da Barra. E, neste caso, já andamos longe das teias complexas de transferências de valores e voltámos ao saquito das notas.
E Armando Vara que há anos já havia estado envolvido num estranho caso, salvo erro, na Fundação para a Mobilidade, regressa agora como actor principal duma presumível associação criminosa que, se a justiça funcionasse como devia, colocaria na prisão metade dos administradores das empresas públicas deste sacrossanto país.
Mas as semelhanças entre o Primeiro-Ministro e Armando Vara vão muito para além do cartão rosa e da amizade que os une. Vara também cometeu a proeza de se pós-graduar em 2004 e licenciar-se em 2005.
Ave Caesar

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Voz


Silenciou-se a voz maior da rádio portuguesa.
"Som da Frente" ou "Lança Chamas" são algo que muito dizem àqueles que andam pelos quarentas. Com ele conhecemos os sons que marcaram a nossa adolescência e nos definiram como melómanos da alternativa.
Daqui para o Além fica a nossa sentida homenagem ao pioneiro da divulgação do rock alternativo em Portugal - António Sérgio.

Acção Social


Julgo que será livre de controvérsia afirmar-se que os tempos do betão e das grandes obras terminaram. A euforia dos autarcas com as obras de referência finou-se e hoje perspectivam-se, pelo menos aparentemente, outros desígnios e prioridades.
Os discursos da tomada de posse na Câmara ficaram marcados por dois temas: a educação e a acção social.
Os próximos anos irão demonstrar se tanto o Poder como a Oposição serão capazes de manter à margem as iniciativas eleitoralistas e de colocar o enfoque na melhoria real das condições de vida daqueles que representam.
O primeiro passo foi dado no concelho da Mealhada com a adjudicação da reabilitação do Bairro Social do Canedo. Mas esta é apenas uma agulha no palheiro da pobreza que se vive em muitas outras localidades do concelho. Para esses esperam-se também medidas sérias, estudadas com pinças caso a caso. Pelo facto de ser envergonhada, não quer dizer que a pobreza não exista.
Ave Caesar

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A cópia


No fundo, no fundo... Sócrates tem uma profunda admiração pelo actual Presidente da República Cavaco Silva.
A admiração leva-o a tudo fazer para se assemelhar ao ex-Primeiro Ministro que governou Portugal no tempo em que um Governante devia possuir habilitações condignas e ser imune a qualquer tipo de suspeita.
Após a tomada de posse, Sócrates pensa fazer exactamente aquilo que Cavaco fez em 1985. Estando à frente dum Governo minoritário, tudo fará para fazer crer aos portugueses que é impossível governar em minoria e, como tal, há que fazer tudo para provocar a instabilidade, esperando que o Governo caia para alcançar uma nova maioria absoluta.
Mas como Cavaco anda por cá há muito, logo tratou ontem de deixar bem claro que a minoria não é por si só um factor de instabilidade governativa e, no que depender do Presidente da República, os próximos anos serão de cooperação e cordialidade nas relações entre órgãos de soberania.
Se porventura acabar a Sócrates a desculpa da crise, é bom mesmo que arregace as mangas e aprenda a governar.
Ave Caesar

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Asfixiados


De acordo com a organização "Repórteres sem Fronteiras" Portugal caiu de 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.
ALGUÉM SABERÁ PORQUÊ?
Ave Caesar

O Acontecimento


Devia correr o ano de 1984 quando ainda num aparelho de tv arcaico e a preto e branco fui surpreendido por uma arrebatadora música - Sunday Bloddy Sunday - um hino irlandês de homenagem áqueles que tombaram no Domingo Sangrento de Derry, em Janeiro de 1972.
Foi desta forma que me enamorei duma banda ícone que percorre os anos jamais descendo do Olimpo das grandes bandas, mantendo a qualidade a que nos habituaram desde a sua formação.
Ontem consegui os tão desejados bilhetes para o concerto de Coimbra a 2 de Outubro do próximo ano. O preço é arrepiante, mas para um acontecimento duma vida há coisas que o dinheiro não paga.
Em Outubro lá estarei a entoar
I try to sing this song ...
I try to stand up
But I can't find my feet
I try, I try to speak up
But only in you I'm complete
Gloria...in te domine
Gloria...exultate
Gloria...Gloria
Oh Lord, loosen my lips
I try to sing this song
I...I try to get in
But I can't find the door
The door is open
You're standing there
You let me in
Gloria...in te domine
Gloria...exultate
Oh Lord, if I had anything
Anything at all
I'd give it to you
I'd give it to you
Gloria...Gloria...
Ave Caesar

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Homenagem a Keith Floyd


O meu estado de quarentena impediu-me de prestar uma sentida homenagem a este fleumático britânico.
Fui avisado do seu desaparecimento pelo quase sempre acutilante e certeiro "Chá com Porradas" e, ontem, providenciei de participar nas suas exéquias da forma que ele com certeza mais apreciaria. Aproveitei a noite para rever "Floyd Uncorked", numa brilhante incursão pelo paraíso dos vinhos - a região de Bordéus, com os seus "Saint Emilion", "Médoc", "Margaux"e "Sauterne".
Floyd não era um grande teórico sobre os vinhos era sobretudo um prático - gostava de beber do bom e preferencialmente muito.
Numa breve incursão pela região, Floyd degustou - eu diria devorou - os néctares com que sonhamos mas dificilmente alcançamos - "Chateau Lafite" de 1949!!!!
Dada a estreiteza da minha garrafeira, lá brindei aos céus onde Floyd caminha de braço dado com Baco, com um muito modesto "Cartuxa".
Ave Floyd.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tudo na mesma


Buahhhhhhhhhhhhhhhh....
Acordei agora após uma longa quarentena para despistagem da Gripe A. Nem oportunidade tive para acompanhar os dislates da campanha eleitoral autárquica na Mealhada. Ou melhor, preferi nem tomar atenção após o confrangedor desastre que foi o debate da RCP-FM para alguns dos intervenientes.
Mas após o sufrágio não há muitas conclusões a tirar. O PS de Cabral fez uma campanha profissionalíssima, apresentou um programa curto mas explícito e teve a vantagem natural do poder e de se saber manter ordeiro quando é a doer.
Ao invés, o PSD pecou por anos de desatino e por uma certa inabilidade na gestão do relacionamento interpessoal (julgo que me entendem). Entre o desconhecido e a segurança do conhecido, os eleitores preferiram apostar no mesmo cavalo.
Nós por cá, aparte azedumes, só devemos é congratular Carlos Cabral pela enorme vitória e desejar-lhe boa sorte na gestão das facções que agora compoem a Câmara e a Assembleia Municipal.
Ao PSD aconselha-se reflexão sobre os procedimentos e sugere-se rejuvenescimento de pessoas e ideias. Os próximos 4 anos são cruciais: ou se afirmam como alternativa ou eclipsam-se tornando-se uma franja que não conta para o totobola.
Ave Caesar

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O minoria


O semblante ontem estava pesado no Hotel Altis.
Sócrates ganhou mas perdeu a copostura porque os tempos de arrogância terão que pertencer ao passado.
Para governar em paz e sossego, Sócrates vai ter que pedir messas a Paulo Portas ou vai mendigar junto de Louçã e da CDU.
O animal feroz esfumou-se.
O PSD, por culpas próprias, foi incapaz de fazer história. Os últimos 15 dias não deviam ter existido para Manuela Ferreira Leite - o seu mau resultado chama-se Preto, João Jardim, escutas e Fernando Lima.
Depois das autárquicas lá vai o PSD fazer um novo reset, agora com novos equipamentos.
Ave Caesar

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Parque


Eu sei que já não vivem sem mim e que a minha ausência é exasperante mas compreenderão que tenho que me resguardar das campanhas políticas de rua que não dão descanso a um Imperador esclarecido.
Se o PSD e a CDU elegeram os palcos populares para fazer campanha - feiras, ruas, tascas e adegas - o PS que se aburguesou prefere abrir garrafas de espumante na inauguração do excelente... e repito EXCELENTE, Parque da Cidade da Mealhada.
Quanto a programas confesso que só conheço da CDU e do PSD. Se a CDU teve o cuidado de me presentear com um na Feira de Santa Luzia, o do PSD encontrei-o na secção de política da Biblioteca da Mealhada. O primeiro, porque curtinho, li-o numa ida ao WC. O do PSD porque vasto e quase enciclopédico, tem sido leitura nocturna e confesso que não me tem dado insónias.
O PS, sempre pesporrente e confiante em resultados eleitorais gordos, preferiu levar "milhares" - oh, Nuno canilho, por amor de deus! - ao Parque da Cidade para um beberete pago naturalmente com o dinheiro dos Munícipes, mas lá dizia o outro "as obras têm que ser inauguradas".
Quanto a programa eleitoral não o conheço ainda. Para o PS bastará por certo a obra feita - Parque da cidade incompleto e sem electricidade - convicto que a populaça esquecerá a obra desfeita ou por fazer - Campo de Golfe da Pampilhosa, Plataforma Rodoferroviária da Pampilhosa, Zonas Industriais de Barcouço e Barrô, perda das verbas para o Centro Interpretativo do Buçaco, encerramento das Urgências, estado geral de degradação da Pampilhosa, Casal Comba, Mealhada... e por aí adiante.
Mas como o eleitor é soberano, faremos prognósticos no final.
Ave Caesar

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Futuro a 2 pontos


Empate técnico entre os dois maiores partidos

PS e PSD separados por dois pontos nas sondagens

PS com 37 por cento dos votos e PSD com 35 por cento. A duas semanas das eleições legislativas, uma sondagem da Universidade Católica para o “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias” e RTP indica que apenas dois pontos separam os dois maiores partidos candidatos às eleições do próximo dia 27.O resultado, que para além de uma curta margem entre os partidos, evidencia o empate técnico entre eles, lança a incerteza sobre qual o partido que formará Governo. E torna irreal o cenário pedido por Sócrates de maioria absoluta, conseguida pelo PS nas legislativas de 2005 com 45,3 por cento.
11.09.2009 PÚBLICO

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Insónia


Esta madrugada, atacado por uma terrível insónia, decidi tomar o comprimido para dormir - assistir ao debate entre Sócrates e Francisco Louçã.
Uma vez mais confirmei a bipolaridade do Primeiro-Ministro que começa a dar ares de um cansaço crónico. Todos lhe conhecemos as versões animal feroz e português suave.
Nesta campanha, porém, Sócrates tenta ensaiar mais uma versão das suas múltiplas facetas: o homem de esquerda, um verdadeiro soixante-huitard que pretende governar com os mais desfavorecidos no pensamento.
Naturalmente Louçã, que de estúpido não tem nada, logo fez o Primeiro Ministro tirar a máscara ao lembrar-lhe dois ou três pequenos pormenores:
1 - Sócrates concessionou a zona ribeirinha de Lisboa à Mota Engil de Jorge Coelho por 40 anos... sem concurso!
2 - Sócrates concessionou a construção da auto estrada Oliveira de Azemeis - Coimbra, por 500 milhões de euros à Mota - Engil ... sim a mesma de Jorge Coelho..., por ajuste directo. A Mota - Engil procedeu à revisão de preços e pede agora 1.170 milhões de euros, mas o ajuste mantém-se.
3 - Sócrates vendeu 1/3 da GALP ao Presidente angolano e a Américo Amorim que, num ápice, viram o valor das acções quadriplicar e o seu investimento ficar mais que pago. E aqui o Estado ficou lesado nesse mesmo montante.
Tudo isto para dizer que mesmo que Sócrates nos venda uma imagem bem preparada pelas agências de comunicação e publicidade, a verdade pura e dura vem sempre ao de cima.
Ave Caesar

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A "Atocha" de Sócrates




A 11 de Março de 2004, a Espanha acordava com um espectáculo de terror assassino. O chamado atentado de Atocha foi a marcha fúnebre do ainda Primeiro- Ministro Aznar que em vésperas de eleições, segundo as sondagens, gozava duma folgada maioria.
Mas acabou com a reputação e futuro político quando decidiu mentir aos espanhois. Em véspera de eleições Aznar já sabia que o atentado havia sido praticado pelos fundamentalistas islâmicos da Al-Quaeda, mas insistiu numa mentira, afirmando que era mais uma acção da ETA.
Ao querer capitalizar o massacre em votos, Aznar saiu copiosamente derrotado pela mentira.
Com as devidas comparações e imenso respeito pelas vítimas, diríamos que Manuela Moura Guedes será o "Atocha" de Sócrates. E comparo os dois casos porque aqui também o Primeiro- Ministro mente com quantos dentes tem na boca quando afirma nada ter a ver com o cancelamento do "Jornal da Noite" e o mais vil atentado à liberdade de imprensa - goste-se ou não do estilo - de que há memória em Portugal.
Felizmente, creio que os portugueses são tão lúcidos como os espanhois e saberão "compensar" Sócrates pela sua mentira.
Ave Caesar

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O que o Vereador não quis dizer


Breda Marques vem no seu "Conta-Corrente" tentar justificar a sua votação ao lado dos socialistas quando nem João Pires, nem Carlos Marques estiveram para alinhar em mais uma farsa socialista.
Recorde-se, para aqueles que esquecem, que João Pires e Carlos Marques são somente o n.º 2 e n.º 3 da lista à Câmara escolhida pessoalmente por Breda Marques em 2005... Adiante.
Para Breda Marques a verdade é como a água do luso, cristalina. Esqueceu no entanto o Vereador diversos factos importantes:
1 - O dito relatório agora apresentado pela Câmara foi feito sem a presença de qualquer Vereador da oposição, o que o mata à nascença;
2 - A interpelação de Carlos Marques na reunião de Câmara de 13/08/2009, Cabral afirmou que desconhecia quando é que a perícia iria ser realizada. A perícia foi feita no dia 12/08 e, com certeza, Cabral sabia.
3 - O suposto relatório da Universidade de Aveiro foi somente apresentado aos Vereadores no decorrer da reunião e aí submetido à votação. Nenhuma pessoa responsável podia votar algo sem que conhecesse a sua substância. Breda Marques preferiu "confiar cegamente" no prato que lhe serviram.
4 - O relatório apresentado, e isso também Breda se esquece de dizer, é que o que efectivamente está colocado na ciclovia não é nem o que estava previsto no caderno de encargos, nem a alternativa proposta pelo empreiteiro.
A coerência de Breda Marques nesta matéria é igual áquela que teve quando andou 7 anos a votar contra os orçamentos da Câmara e este ano descobriu que afinal andou sempre enganado e que os socialistas até são gajos porreiros.
Ave Caesar

A Vergonha Nacional


É oficial: vivemos num estado pré-ditatorial e prepotente.
A Direcção da TVI, empresa detida pela Prisa - órgão de comunicação social "oficial" do PS espanhol - anunciou ontem o cancelamento do Jornal de Sexta, apresentado por Manuela Moura Guedes.
Todos nos recordamos da violência com que o Primeiro-Ministro reagiu contra aquele serviço noticioso e a forma ofensiva como se dirigiu à locutora. Há poucas semanas foi Moniz quem foi dispensado, evidentemente por ser incómodo para o Poder. Ontem foi Manuela Moura Guedes que havia revelado ter novos factos sobre o Caso Freeport que está coladinho a José Sócrates como uma lapa a uma rocha.
Por mais que Sócrates tente disfarçar, a sua mão tentacular ficará indelevelmente ligada à censura e perseguição ao Jornal de Sexta da TVI. A três semanas das eleições Sócrates tenta afastar tudo e todos que lhe possam causar estragos a uma reputação manchada desde o início da sua legislatura. Felizmente a ERC e os partidos foram lestos e contundentes na reacção a esta vil forma de censura da liberdade de imprensa.
Ave Caesar

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ao Nobre Egídio


Como fui brindado com a análise diametralmente oposta àquela que aqui manifestei sobre o futuro próximo de Sócrates pelo blogger Egídio Peixoto que, recentemente, adoptou uma postura mais cordata e menos ofensiva, vou mimá-lo com uma resposta.
Diz Egídio para defender o homem de silicone que a inesperada derrota do PS nas Europeias não pode, de modo algum ser transposto para as Legislativas, porquanto:
1º Eram eleições europeias;
2º A abstenção foi grande;
3º Não era para governar Portugal;
4º Era um cartão amarelo, não vermelho;
5º Muitos dos que ouvi, dizem que Sócrates é preciso, é “rijo”, está, e conhece todos os enredos para nos tirar da crise, até porque o povo sabe que a crise é mundial…
6º MFL, para mim e para a maioria dos leigos não está preparada para comandar Portugal, e para mais já têm 69 aninhos, idade suficiente para saber comandar
7º MFL e Cavaco é muito para um conservadorismo exacerbado;
Ora, a visão delico-rosa de Egídio não deixa vislumbrar uma nesga da realidade e a presunção que toma para si como homem popular que ausculta o povo diariamente também me parece pouco credível. Vejamos:
1º - Nestas eleições europeias José Sócrates envolveu-se pessoalmente como se fosse ele quem ia a votos. Dado o cabeça de lista socialista ser tão fraquinho, Sócrates empenhou o seu valor na campanha sendo diariamente o one man show na estrada.
Conclusão: a derrota é de Sócrates, pessoalmente.
2º - Se a abstenção foi grande, não há estatítica que diga que ela prejudica mais o centro esquerda ou a esquerda que o centro direita. Viu-se que o Bloco até subiu, por isso podíamos presumir que o maior prejudicado ainda foi o PSD.
Conclusão: ou as percentagens se mantêm ou o PSD sai beneficiado.
3º - Era para nos governar na Europa que, como o Egídio bem sabe, é de extrema importância para a viabilidade das políticas económicas de cada País.
Conclusão: Se o país não confia no PS para nos governar na Europa, porque raio havia de confiar entre portas?
4º - Foi cartão encarnado sangue a Sócrates porque: a) tinha boa imprensa; b) tinha sondagens que lhe davam mais 6% que o PSD; c) teve uma campanha hipermediatizada e super-protegida pelas televisões e agências.
Conclusão: o povo é quem mais ordena.
5º - Sócrates é bicéfalo: ora é rijo - versão animal feroz - ora amolece - estilo português suave.
Conclusão: isto não é argumento quando MFL sempre foi conhecida pela racionalidade e frieza.
6º - MFL, ao contrário de Sócrates, tem curriculo académico, experiência governamental e civil vastíssima na área da Economia.
Conclusão: se a crise é económica, a solução confia-se a economistas experientes e não a pseudo-engenheiros sem canudo ou curriculum. (isto faz-me sempre lembrar o dia em que um desavergonhado Sócrates em pleno hemiciclo acusou Louçã - Professor Doutor em economia com dezenas de obras na área publicadas - de não ter curriculum para falar com ele! Que graça.)
7º - MFL e Cavaco Silva são os mais fidedignos representantes da social democracia e dos votos ao centro em Portugal. Recorde Egídio que Cavaco ganhou maiorias absolutas com votos do PS. E não esqueça que já tivemos Governos Socialistas - Sócrates - com Presidências socialistas - Sampaio.
Conclusão: argumento falacioso
Portanto, caro Egídio, apesar de tentar sustentar a sua opinião naquilo que diz ouvir daqueles que anteriormente votavam PSD, aconselhava-o a seguir com atenção os milhares que se manifestam contra o pior Governo desde o 25 de Abril. Essa é uma realidade demasiado visível para que a possa ocultar com uma manta cor de rosa.
Ave Caesar

O Baú dos Segredos


Só pessoas completamente comprometidas podem desvalorizar e menorizar quem levantou o problema relativamente à ciclovia do futuro Parque da Cidade.
Desde o início aqui alertámos para a necessidade do esclarecimento ser feito da forma mais transparente e cristalina possível para que, no futuro, não restem dúvidas sobre o ainda Presidente da Câmara e o Vereador do pelouro, António Jorge Franco.
Segundo Carlos Marques, o caroteamento pedido por si em reunião de Câmara foi deliberado favoravelmente, mencionando-se o compromisso de estarem presentes os responsáveis do Executivo para que não surjam pareceres feitos à distância como o último pomposamente (mas vergonhosamente) apresentado pelo Vereador António Jorge Franco.
Cabral terá dado a "palavra de honra" que o caroteamento seria público.
A realidade vem agora aparentemente demonstrar que a palavra já não vale o mesmo que há 50 anos e o caroteamento lá foi feito - terá mesmo sido? - sem que a oposição e, nomeadamente Carlos Marques, fosse dele informado.
Para mim, a validade deste caroteamento está morto à partida e era importante que outras perícias surjam dentro de dias.
Em vésperas de eleições autárquicas estes gestos não abonam muito a favor da credibilidade dos candidatos e demonstram que a classe política anda com a reputação pelas ruas da amargura.
Mas de que tem medo o Partido Socialista?
Ave Caesar