terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Ambliope


Eu que, por norma, sou um Imperador bem atento aos desmandos da República, não me consigo recordar do nome do actual Ministro da Justiça.
Cheguei, no entanto, à conclusão que, afinal, a falha de memória não existe porque quem não existe é o Ministro da Justiça. Ou se calhar não existe Justiça.
O sistema judicial português parece ferido de morte. Pela primeira vez permite que o princípio da separação de poderes não vigore neste pilar da democracia que devia ser a Justiça. O Primeiro -Ministro diz que não se intromete na questão, mas os seus Ministros não se coibem de falar de "espionagem política" quando se referem ao caso das escutas.
Esta forma de vil condicionamento da Justiça pode colocar Portugal à beira da calamidade e o futuro nada augura de bom. Há uma estratégia deliberada de confundir a população, de tentativa de desviar as atenções do cerne criminoso da questão em claro benefício para o Governo de Portugal.
Duma vez por todas esclareça-se: não houve escutas ao 1º Ministro mas ao arguido Armando Vara. Se das conversas de Vara com o 1º Ministro resultaram indícios que sustentam uma prática criminosa, acusem quem tiverem que acusar. Se não, divulguem as escutas para que não recaiam suspeitas sobre os visados. Se os arguidos e os Governantes se mostram assim tão chocados com as insinuações, porque não hão-de ser os primeiros a pedir a publicação das escutas?
Porquê? "Porque quem tem c* tem medo!". E essa é a única explicação para este verdadeiro Golpe de/do Estado ao regular funcionamento da Justiça.
Ave Caesar

terça-feira, 17 de novembro de 2009

AVISO
TENHO-ME ESQUECIDO DE DIZER QUE NA MILHA NÃO PUBLICAMOS COMENTÁRIOS DE REFORMADOS COMPULSIVAMENTE POR INVALIDEZ PSÍQUICA EM JUNTAS MÉDICAS ASSESSORADAS POR BONS MÉDICOS DO NOSSO CONCELHO.
OBRIGADO
GAIUS CAESAR GERMANICUS

O Grande


"O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca. "

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um país "varado" do avesso


Não tenho pretensões a Medina Carreira, tão pouco a Pulido Valente, mas cada vez mais me assola uma visão ultra-pessimista deste País onde nascemos e do qual devíamos ter razões para nos orgulhar.
Portugal é neste momento um caso à beira da perdição, onde um Primeiro - Ministro cultiva amizades mais que duvidosas e casos mal explicados mas continua a subir nas sondagens.
Mas vejamos um pouco deste perfil "Face Oculta" que arrasta pela lama todo o sistema de empresas públicas e as nomeações governativas.
Já aqui nos tínhamos pronunciado sobre o BPN e sobre Dias Loureiro que, afinal, até tinha um certo glamour mafioso - Bahamas, off-shores e empresas hightech. A "Face Oculta" é o oposto, é o lado rasteiro e baixo da corrupção que mina o sistema. Basta ter por local de encontro para negociatas escuras uma casa de putas ali para os lados da Barra. E, neste caso, já andamos longe das teias complexas de transferências de valores e voltámos ao saquito das notas.
E Armando Vara que há anos já havia estado envolvido num estranho caso, salvo erro, na Fundação para a Mobilidade, regressa agora como actor principal duma presumível associação criminosa que, se a justiça funcionasse como devia, colocaria na prisão metade dos administradores das empresas públicas deste sacrossanto país.
Mas as semelhanças entre o Primeiro-Ministro e Armando Vara vão muito para além do cartão rosa e da amizade que os une. Vara também cometeu a proeza de se pós-graduar em 2004 e licenciar-se em 2005.
Ave Caesar

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Voz


Silenciou-se a voz maior da rádio portuguesa.
"Som da Frente" ou "Lança Chamas" são algo que muito dizem àqueles que andam pelos quarentas. Com ele conhecemos os sons que marcaram a nossa adolescência e nos definiram como melómanos da alternativa.
Daqui para o Além fica a nossa sentida homenagem ao pioneiro da divulgação do rock alternativo em Portugal - António Sérgio.

Acção Social


Julgo que será livre de controvérsia afirmar-se que os tempos do betão e das grandes obras terminaram. A euforia dos autarcas com as obras de referência finou-se e hoje perspectivam-se, pelo menos aparentemente, outros desígnios e prioridades.
Os discursos da tomada de posse na Câmara ficaram marcados por dois temas: a educação e a acção social.
Os próximos anos irão demonstrar se tanto o Poder como a Oposição serão capazes de manter à margem as iniciativas eleitoralistas e de colocar o enfoque na melhoria real das condições de vida daqueles que representam.
O primeiro passo foi dado no concelho da Mealhada com a adjudicação da reabilitação do Bairro Social do Canedo. Mas esta é apenas uma agulha no palheiro da pobreza que se vive em muitas outras localidades do concelho. Para esses esperam-se também medidas sérias, estudadas com pinças caso a caso. Pelo facto de ser envergonhada, não quer dizer que a pobreza não exista.
Ave Caesar

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A cópia


No fundo, no fundo... Sócrates tem uma profunda admiração pelo actual Presidente da República Cavaco Silva.
A admiração leva-o a tudo fazer para se assemelhar ao ex-Primeiro Ministro que governou Portugal no tempo em que um Governante devia possuir habilitações condignas e ser imune a qualquer tipo de suspeita.
Após a tomada de posse, Sócrates pensa fazer exactamente aquilo que Cavaco fez em 1985. Estando à frente dum Governo minoritário, tudo fará para fazer crer aos portugueses que é impossível governar em minoria e, como tal, há que fazer tudo para provocar a instabilidade, esperando que o Governo caia para alcançar uma nova maioria absoluta.
Mas como Cavaco anda por cá há muito, logo tratou ontem de deixar bem claro que a minoria não é por si só um factor de instabilidade governativa e, no que depender do Presidente da República, os próximos anos serão de cooperação e cordialidade nas relações entre órgãos de soberania.
Se porventura acabar a Sócrates a desculpa da crise, é bom mesmo que arregace as mangas e aprenda a governar.
Ave Caesar