segunda-feira, 30 de julho de 2007

Olho vivo!


Enquanto se dedicava a espiar o líder da oposição da República Democrática do Congo que se encontrava de férias no Al(l)garve, um agente do SIS deixou que lhe fosse roubado o carro de serviço com todo o material utilizado na vigilância.

Ora aí está um país bem entregue. Podemos dormir descansados.

A Deusa do meu Verão


Na vida, todos temos as nossas venerações: Deuses, Ídolos, imagens, mulheres.
Chegado o Verão, venero essencialmente uma Deusa, Ninkasi de seu nome, suméria de sua origem, idade, quase incontável...4500 anos. Uma Deusa camaleónica, loura, ruiva ou morena.
De diversos sabores mas sempre jovial e fresca. Não importa a sua nacionalidade. Alemã, checa, austríaca, inglesa, escocesa ou portuguesa. Basta ser-nos fiel, não nos decepcionar, estar presente quando com ela festejamos ou simplesmente afogamos as angústias.
Por mim, prefiro-as morenas, um tanto quanto amargas, nem sempre fáceis, por vezes inatingíveis, mas de personalidade vincada. No fundo... perfeitas.

Boas férias... eu vou andar por aí numa qualquer cidade ou praia desta vasta Europa.

Ave Caesar

sábado, 28 de julho de 2007

O místico 27

Aos números atribui o misticismo esotérico e a Cabala diversos significados, estando o 7 aliado à perfeição, inteligência, erudição e filosofia. O número perfeito.
Ao 27 (escrevo este post com alguns minutos de atraso) associam-se outras analogias, mais térreas mas brutalmente trágicas. Ao 27 (outros que aos 28) apelida-se a idade dos ícones, associada ao falecimento precoce. Aos 27 desapareceram Janis Joplin, Brian Jones e Kurt Cobain. Curiosamente com um elo comum: a heroína.
Mas existe igualmente o reverso ao qual preferencialmente me associo. Aos 27 ou a 27 conhecem-se outras heroínas. E estas não matam precocemente, mas fazem-nos querer viver e prolongar.
(Só para os que sabem e não para os que julgam saber)

Ave Caesar

sexta-feira, 27 de julho de 2007

O spa


Os comerciantes do Luso estão fartinhos de esperar.
É melhor sentarem-se!

Crime inc.


Constou-me que a Câmara Municipal da Mealhada foi assaltada. Parece que a única coisa que roubaram foram uns iogurtes que eu presumo não estarem inventariados como património público. Se forem light são da senhora vice-presidente.
Tantos projectos engavetados, tantas propostas perdidas por aquelas prateleiras, tanto objectivo por cumprir debaixo das teias de aranha, tanto investimento por fazer cheio de pó nos cantos e vão roubar iogurtes. Amadores!
E a revisão do P.D.M.? Será que não estaria também por lá?
O progresso estava, mas a esse ninguem o vê!

Os Gatos Pardos


Um determinado escritor escrevia em tempos, “a diferença entre a moral e a política está no facto de que, para a moral, o homem é um fim, enquanto que para a política é um meio. A moral, portanto, nunca pode ser política, e a política que for moral deixa de ser política.”

De alguns políticos diríamos serem fiéis devotos destas e doutras práticas, que também Maquiavel recomendava a Lourenço de Médicis: ser dissimulado, porém nunca deixando transparecer essa dissimulação. Publicamente deve exibir as suas “falsas” qualidades de piedade, fidelidade ao próximo, humanidade e integridade. Porém, nos bastidores ou coberto pelo escuro manto da noite deve dividir, trair, agir em contrário àquelas virtudes, moldando-se ao tempo e à necessidade para fazer jus à sua ambição.
Chamemos-lhes GATOS PARDOS, seres sem cor definida, a quem também servem caminhos ínvios para a conquista dum almejado poder. A esses gostaríamos de os erradicar mas, sendo difícil cair-lhes a máscara, ainda vão somando o apoio dos crédulos.
Aqui, onde muitos gatos ainda são pardos, ainda temos que concordar que "em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã." – Nicolau Maquiavel
Ave Caesar

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Campanha contra os maus cheiros


Mau Cheiro,
Primeiro estranha-se... e , num qualquer 1º de Agosto, talvez se entranhe.
Ave Caesar

Triste fado


Da música diz-se reflectir a identidade de cada povo. A sua forma de ser, sentir, amar ou apenas existir.
Nós somos o Fado, o fado vadio dum povo de sentimentos trágicos e destinos entregues ao Divino.
A RTP brindou-nos hoje com uma Reportagem sobre o fado vadio, não o de Lisboa, mas o dos bairros do Porto. Ao cair da noite, numa qualquer adega ou botequim, os mortais despem uma farda dum trabalho árduo e cantam a saudade, a nostalgia, a boémia, o ciúme, os amores e desventuras, enfim, o seu quotidiano.
O fado é ainda hoje o espelho do “ser português”. Uma forma de ser e cantar que encontrou uma guitarra numa esquina da vida e, como dizia Pessoa, “ viveram o amor com carácter de urgência”.
O fado nasceu na Rua do Capelão, palco dos amores proibidos da Severa. Na mesma rua Malhoa pintou-a acompanhada pelo Sousa do Casacão.

O fado não é razão… é sensação.

Sempre a Razão vencida foi de Amor;
Mas, porque assim o pedia o coração,
Quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!
Novo modo de morte e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
Que perde suas forças a afeição,
Por que não perca a pena o seu rigor.
Pois nunca houve fraqueza no querer,
Mas antes muito mais se esforça assim
Um contrário com outro por vencer.
Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há-de ser
Inclinação que eu tenho contra mim.
(Luís de Camões)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Maravilhas de m****


De que vale à CMM toda a pompa em eventos "alavancadores" - Filomena Pinheiro dixit - do turismo concelhio? De que vale a António Jorge Franco elogiar-se a si e aos seus, ressalvando as infraestruturas que o concelho possui para a a prática desportiva?

No final, apenas prevalece a trampa, o cheiro a trampa que cobre a freguesia do Luso e que, quase findo o mês de Julho, não se desvanece.

Hoje temos notícia de mais uma sequela deste crime ambiental que se mantém impune perante as autoridades e os responsáveis políticos. O vereador António Jorge bem tenta tapar o sol com uma peneira quando, à boca cheia, refere a óptima taxa de ocupação do Centro de Estágios do Luso. Mas por quanto tempo o pode dizer?

A equipa do FC de Penafiel, a realizar o estágio de pré-temporada no Luso teve que cancelar o treino por causa dos maus-cheiros. Será que regressarão?

Não imaginarão todos que esta ocorrência irá espalhar-se como uma praga pelos potenciais utilizadores daquele equipamento e que, a manter-se esta pestilência, o Luso terá os dias contados como destino turístico? A Junta de Freguesia assobia para o lado e dedica-se a esburacar vielas em plena época alta. A Junta de Turismo não tuge nem muge.

E a Câmara festeja as suas "4 Maravilhas", fazendo lembrar aqueles Imperadores Romanos que, perante a desgraça dos cidadãos, davam-lhes Circo.

O fim do mês está próximo, e não serão as minhas orelhas que ficarão a arder.



Ave Caesar



terça-feira, 24 de julho de 2007

O eterno retorno


O artigo vigésimo segundo da Constituição da Republica Portuguesa de 1933, defendia a opinião pública com "elemento fundamental da política de administração do país", mas logo a seguir explicava que competia ao Estado "defendê-la de todos os factores que a desorientam (à opinião pública) contra a verdade, a justiça, a boa administração e o bem comum".

Quase setenta e cinco anos depois e em plena democracia, este artigo parece tão actual que até doi.

Traumas de guerra


“Almoço com a minha filha mais velha, pelos seus anos, num dos restaurantezinhos próximos do sítio onde escrevo. De vez em quando o telemóvel dela toca e parabéns, parabéns, aqueles que não consigo dar-lhe porque no dia do nascimento estava a dez mil quilómetros de distância. Não perdoo quase nada à ditadura e o que menos lhe perdoo foi não ter assistido à gravidez da mãe e e não estar presente quando chegou. Soube da sua vinda ao chamarem-me à barraca do rádio, por uma mensagem de Luanda, no dia seguinte, e apenas uma ou duas semanas depois chegaram fotografias pouco nítidas, enevoadas pelas minhas lágrimas de emoção e raiva. Uma filha fantasma em que não podia tocar, não podia ter ao colo, não podia beijar. Lembro-me de ter ido para junto do arame farpado, sozinho, num sofrimento imenso, e diante de mim, o rio, a mata, a infinita paisagem da minha dor.”…

“Volto a África (não é a sensação de voltar a África, é de não ter saído de lá) estou em África e um soldado vem chamar-me à barraca do rádio. O cripto entrega-me um papel – Rapariga – e eu de papel em riste, aparvalhado incrédulo, com o coração num pingo. Como esta expressão é verdadeira: o coração num pingo. Não é uma imagem nem uma metáfora. De forma que na semana passada, no restaurantezinho perto do sitio onde escrevo, o coração num pingo.”
“Rapariga
a ler
Rapariga
a ler
Rapariga
Diante do silêncio dos soldados, do silêncio da mata, do silêncio de Angola. Sou um pingo fardado, uma gotinha que vibra. Sou um alfereszito de vinte e tal anos a tremer contra o arame farpado.”…
”O Eleutério chegou ao meu lado e ficou ao meu lado. Nenhum de nós disse nada. E, apesar disso, que conversa comprida, cheia de fúria e alma em tiras, naquele silêncio. Agradeço-te, Eleutério, o que trocámos sem palavras.
O capitão para mim
- Parabéns, parabéns
e compreendi nesse momento que a resposta possível a
- Parabéns, parabéns
era a cabeça voltada para o outro lado e a exclamação
- Caralho
tão baixinho que o mundo inteiro ouviu."

(António Lobo Antunes, excerto da crónica “21 de Junho”, in Visão, 05/07/2007)

Da guerra colonial sobreviveram não só os traumas dos estropiados mas daqueles a quem roubaram o mundo. Lobo Antunes soube dizê-lo, numa das mais belas crónicas escritas.

Ave Caesar

domingo, 22 de julho de 2007

Billie (1915-1959)

Billie Holiday não cantava só os blues. Cantava uma dor de alma por uma vida que sempre lhe foi madrasta.
A sua voz transportava o sentimento das agruras que ela transfigurava em poesia cantada. Em “Strange Fruit”, uma canção baseada num poema de Abel Meeropol sobre o linchamento, Billie exorcizava os seus fantasmas de infância.
“Lover Man”, uma canção escrita para si por Jimmy Davis, descrevia uma mulher que não conhecera o amor (“I long try something I never had”) ou a quem o amor fugia entre dedos ("lover man, oh, where can you be?”).
Ao longo da carreira Billie Holiday transformou decepções, desilusões, em momentos de génio. A nós, quando nostálgicos, ouvimo-la e encontramos a parceira ideal para os “blues” das nossa vidas.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Promessas...leva-as o vento.


Li-o no Amo-te Luso e pensei: "deve ser mais uma reinação do amigo Jerico."
Depois li e reli a Acta da Câmara da reunião de 21.06.2007 e, para meu espanto, parece que aconteceu mesmo.
Numa interpelação ao Presidente Cabral, o Vereador do PSD Carlos Marques pretendia saber se a CMM estava na disposição de criar um prometido Estádio Municipal da Pampilhosa uma vez que foram criadas expectativas ao clube.
Na resposta, fui confrontado com uma "inovação de campanha". Ao que parece, durante a campanha eleitoral os actuais Vereadores do PSD terão estabelecido um "protocolo" com o FCP, no qual se comprometiam a construir o Estádio Municipal da Pampilhosa... caso ganhassem as eleições.
Ora, tenho os Vereadores como indíviduos inteligentes, formados e atentos, mas aquele protocolo não lembra a ninguém.
Mas terão os Vereadores feito uma estimativa de custos? Terão analisado convenientemente fontes de financiamento? Conheciam pormenorizadamente a situação orçamental da CMM?
Ou sabiam à partida que iam perder as eleições e, portanto, podiam prometer construir um "Wembley" na Pampilhosa?
Importam-se de esclarecer este ignorante?
Ave Caesar

quinta-feira, 19 de julho de 2007

A Confraria da Rosa


Por Confraria devia entender-se uma Instituição apartidária, cujo objectivo máximo passa pela promoção, protecção e divulgação dum produto que pretende ser identificador dum país, região ou povoação, um produto que seja um selo de garantia inconfundível.
Na Mealhada tudo se faz de forma diferente. E como sempre, para pior.
No último dia 11 de Julho teve lugar a entronização de 5 novos confrades da Confraria do Leitão da Mealhada. Ao ver as fotos do repasto que serviu para receber tão ilustres Membros, não pude deixar de constatar que aquilo é um "manto rosa". Para alem do Presidente da Câmara, dum Vereador, do Presidente da Confraria João Pega, temos agora Júlio Penetra, Mário Pedrosa e Guilherme Duarte, que todos identificamos como socialistas.
Ora, se as Confrarias devem ser compostas por pessoas com influência, com peso político e social, para quê transformar uma Confraria num “grupito de compadres”, bem rosadinhos, que em nada irá valorizar o leitão da Mealhada e apenas servirá para a promoção dos interesses da Rosa?
Qualquer dia até o Pedro dos Leitões se “deslocaliza” para Águeda.

Ave Caesar

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Querido diário


31 de Julho, terça-feira.

Tal como prometeu, o mau cheiro vai hoje embora da Lameira.

Film Quiz 1


"Há Lombo no Cais"

As quatro maltrapilhas


A Milha de Caligula vai proceder à eleição das Quatro Maltrapilhas do Concelho da Mealhada.
Facilmente arranjariamos sete ou oito e das gordas, mas optámos por quatro.
De uma difícil pre-selecção conseguimos apurar as oito finalistas que passamos a enumerar:

-Golfe da Pampilhosa
-Termas do Luso
-Carnaval da Mealhada
-Bairro Social do Canedo
-Poluição na Lameira
-Plataforma Intermodal da Pampilhosa
-Expo-Mealhada
-Zonas Industriais
-Revisão do PDM
*A Mata do Bussaco e os Viveiros Florestais poderão entrar na lista a qualquer momento.

A votação decorrerá durante o corrente mandato camarário.
Vote.
Ajude a projectar o seu concelho.


Que maravilha!


Temos que ser justos. A nossa CMM, no meio dum chorrilho de asneiras, também consegue conceber uns projectos que, à primeira pincelada, denotam algum interesse, ainda que não sejam originais.
A reboque da eleição das Novas 7 Maravilhas do Mundo e Nacionais, a CMM criou as “4 Maravilhas da Mesa da Mealhada”, um evento destinado a promover as principais riquezas do concelho – Pão, Água, Vinho e Leitão.
Na página do evento, Carlos Cabral mostra estar atento aos desafios que o marketing e a difusão publicitária colocam nos dias de hoje. Num programa que se estende por 3 dias, a cerimónia principal realiza-se neste Sábado com a homenagem aos 7 Melhores Desportistas Nacionais de todos os tempos, com algumas presenças confirmadas, e com a apresentação da 4 Maravilhas Gastronómicas.
No entanto, e porque não há bela sem senão, este evento que pretende uma projecção nacional, foi parco em iniciativas promocionais, o que denota que terá sido programado com alguma desorganização, o que não nos espanta.

Cremos que esta iniciativa terá tido um investimento avultado por parte da CMM. E como uma das suas principais preocupações é o retorno do investimento, seria lógico que a parte promocional tivesse uma relevância além dos jornais locais. Ao Vereador Calhôa, acérrimo crítico do financiamento carnavalesco, espera-se que após o evento venha dar-nos conta do “deve e haver”.
Por comparação, a EXPOFACIC de Cantanhede anda a promover-se há mais de 6 meses, mas também tem um cartaz com projecção. A Mealhada, não obstante ir desembolsar quantias significativas, fica-se pelos eternos grupos folclóricos. Não é uma crítica, é apenas uma constatação de dimensão.

Ave Caesar

terça-feira, 17 de julho de 2007

What if...em Lisboa


Dois dias após a eleições intercalares de Lisboa, todos os partidos, sem excepção, devem estar a lamentar-se da péssima ideia que tiveram ao derrubar a Câmara.

O PS, aparente, mas só mesmo aparente, vencedor das eleições manter-se-ia sossegado a capitalizar o descontentamento e as sondagens amplamente desfavoráveis ao PSD e CDS. Em vez de ganhar uma Câmara, acaba por ganhar uma carga de trabalhos porque sem maioria vai ser obrigado a parcerias indesejáveis com os candidatos independentes ou com a CDU.
Interessante que o PS, contra todas as expectativas, acabou por ter menos 17.000 votos que Carrilho há 2 anos.

Para o PSD de Marques Mendes, o "evento" não podia ter corrido pior.
Se Marques Mendes não tivesse dado o empurrãozinho a Carmona teria evitado uma humilhante derrota e a convocação antecipada dum congresso que não desejava e das eleições directas que, provavelmente, o vão fazer também cair da cadeira. Curiosamente, há 5 anos e meio, Santana Lopes teve praticamente o triplo dos votos de Negrão.
Tendo o PSD andado a dizer que estas eleições seriam uma espécie de primárias das legislativa de 2009, mais valia Marques Mendes ter-se demitido da presidência do partido e exclamar como fez Guterres: "É a vida..."

Os comunistas, como sempre, ficam na mesma.

A "fava" das intercalares coube ao CDS. Não tivesse havido eleições e o partido de Portas manteria uma representação na Câmara e o seu líder teria 2 anos sem grandes sobressaltos. O resultado catastrófico obtido é negro para as aspirações do recém empossado Paulo Portas. Afinal, ainda nem aqueceu o poleiro e já tem que vir justificar derrotas.


Avizinha-se um verão quentinho...


Ave Caesar

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Os derrotados.



Os dois líderes partidários mais à Direita sofreram no dia de ontem uma humilhante derrota. Não há forma diferente de "etiquetar" o resultado do CDS-PP e do PSD nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa.
Com apenas 3,7% dos votos, o CDS viu-se, pela primeira vez que há eleições democráticas, privado de vereadores. Para agudizar o resultado da derrota não podemos ignorar que aquela Câmara já foi do CDS com Krus Abecassis.
Paulo Portas regressou cedo de mais e acaba por ser o rosto visível do desaparecimento do Partido que quis à força tomar a Ribeiro e Castro.
Igual sorte - neste caso MUITO AZAR - teve o PSD. Ter uma percentagem pouco superior a 15% e ainda por cima ver o seu candidato ser ultrapassado pelo "enjeitado" Carmona é obra digna de registo.
Por muito que custe a alguns indefectíveis, o futuro do PSD não será risonho se Marques Mendes continuar na liderança. Mendes aposta sempre no cavalo errado. Repudiou Carmona e agora vê o independente, sem apoios partidários, a superar o PSD. Mendes é um derrotado. Nunca ganhou uma eleição em que tenha intervindo directamente. Ganhou o Partido quando se arrastava pelas ruas da amargura.
Mas o país precisa dum PSD forte, liderado por alguém carismático, que seja capaz de ser oposição a este Governo que nos desgoverna. Mas, lamentavelmente, não será com Mendes que o Partido reocupará a sua posição de destaque no panorama político nacional.
Mendes assumiu o mau resultado, apressou-se a convocar directas. Menezes irá hoje desancar o líder.
Para breve espera-se a aparição duma terceira via credível, com o indefectível apoio das bases e que possa ter uma posição aglutinadora. A bem do partido e da Nação.
Ave Caesar

sexta-feira, 13 de julho de 2007

House, M.D.

Dos misantropos diz-que que se sentem inadaptados ao mundo que os rodeia. Que desprezam as pessoas e mantêm-se afastados delas sob pena de "contágio".
House M.D., a melhor ficção que nos últimos anos me "colou" à TV mostra um pouco essa imagem.
Gregory House, brilhante como médico, sofrível como homem?
House não conhece o nome dos pacientes, prefere conhecer-lhes os sintomas, porque estes serão mais fidedignos. "Everybody lies". Todos mentem, porque é da natureza humana mentir, alterar os factos, rodear as questões, enfim... não ser transparente.
Mas será isso um sinal de desprezo pelas pessoas? House não detesta o ser humano, apenas se sente inabilitado a relacionar-se com ele. Nas palavras de Hugh Laurie: "House não liga aos doentes porque lhes prefere as doenças e seus desafios."
House não abomina a humanidade, apenas não suporta a sua hipocrisia. Perante isso, prefere uma franqueza inconveniente, por vezes adolescente, renegando todos os que pretendem fazer parte daquele "círculo da normalidade" e rejeitam o anormal.
No quarto episódio da terceira temporada - "Lines in the sand" - House mostra a sua concepção dum mundo ideal... no corpo duma criança autista. Eloquente.
"See, skinny, socially privileged white people get to draw this neat little circle. And everyone inside the circle is 'normal'. Anyone outside the circle needs to be beaten, broken and reset so that they can be brought into the circle. Failing that, they should be institutionalized. Or even worse - pitied (...) Why would you feel sorry for someone who gets to opt out of the inane courteous formalities which are utterly meaningless, insincere, and therefore degrading. This kid doesn't have to pretend to be interested in your back pain, or your seccretions, or your grandma's itchy place. Can you imagine how liberating it would be to live a life free of all the mind-numbing social niceties? I don't pity this kid. I envy him".
Será mesmo assim? A perfeição no alheamento?
Não acreditamos. Basta ler-lhe os pensamentos naqueles momentos finais, em que que assiste à caminhada serena do paciente curado para o exterior do hospital. Aí não esconde a sua felicidade porque mais uma vez o Homem derrotou a "Ordem Divina" e no fim prevaleceu a vida sobre a morte.
House, o "anti-heroí" fora do círculo.
Ave Caesar

quinta-feira, 12 de julho de 2007



Eu tento... Eu juro que tento não escrever sobre as desventuras dos nossos políticos. Eu esforço-me por ignorar os dislates que se me atravessam diariamente no caminho. Consigo ir até ao próximo Oriente, embrenhar-me no Fado, só para me afastar das nossas questões caseiras.

Mas é inevitável. Todas as quartas, mal abro os nossos semanários deparo-me com um sem número de situações que me causam calafrios.
Esta semana nem sei por onde começar.
Mas não vou falar da intransigência da CMM e da sua constante falta de maleabilidade no relacionamento com a ACB, que terá como epíteto o fim do Carnaval.
Não vou falar das relações azedas e da troca de comunicados acusatórios entre a ACIM e a CMM.
Também não vou falar dos lamentos dos residentes do Bairro Social do Canedo, que desesperam pelas obras prometidas.

Vou escrever sobre um assunto que não atingindo as qualidades políticas do Presidente da Câmara, colide com aquilo a que chamamos CARÁCTER.

Na noite de 4 de Julho, uma quarta-feira, realizou-se no Cine - Teatro Messias o espectáculo anual das classes de danças das secções de ballet e danças latinas do Hóquei Clube da Mealhada. O espectáculo foi um êxito e teve lotação esgotada. Óptimo.
Grave foi a insensibilidade do Presidente da Câmara que recusou a cedência daquele espaço a um fim de semana, bem sabendo que naquele espectáculo actuam CRIANÇAS DOS 3 AOS 12 ANOS, que se viram privadas do seu descanso para poderem realizar o espectáculo após a meia noite dum dia de semana.
E quais as "perversas razões" para que o espaço não tenha sido cedido ao fim de semana?
Ao que parece, no ano passado os colaboradores do HCM esqueceram-se, nos discursos de agradecimento, de mencionar o apoio da CMM ao evento. Lapso que foi colmatado numa entrevista aos jornais por um Director do HCM, redobrando os elogios ao Presidente.
Mas não terá sido suficiente. Este ano, para além de não ter comparecido ao espectáculo qualquer elemento da CMM - Presidente, Vice - Presidente ou vereadores socialistas - a "birra" foi tal que recusaram a cedência do Cine Teatro ao fim de semana, como vem sendo hábito, e obrigaram crianças de 3 anos a actuar por volta da meia noite.
Palavras para quê! Quando os actos políticos dos nossos governantes chegam ao ponto de ignorarem as crianças, de colocar entraves a um espectáculo que as crianças preparam com afinco ao longo do ano, começo a recear que nada mais os deterá.

Por fim, uma mera sugestão aos directores da Associação de Carnaval. Esqueçam os três reis do Carnaval. Elejam Carlos Cabral como "Rei Sol" do Carnaval. Coloquem-lhe uma coroa e um manto de veludo. Só aí se sentirá realizado.

Ave Caesar


quarta-feira, 11 de julho de 2007

Tony Silva


Um artista português

O Factor Berardo


Joe Berardo é um especulador: uma forma de ganhar a vida como outra qualquer.
Qualquer outra leitura dos seus actos que não à luz desta verdade, é pura perca de tempo.
Foi especulador quando abraçou os sindicalistas à porta da PT para depois vender as acções que possuía na telefónica, é especulador quando fomenta a guerra entre Jorge Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto, é especulador quando namora o Benfica e é especulador quando põe à disposição dos portugueses a sua colecção de arte moderna.
Mas será isso mau ou bom?
Para ele é bom e ninguém o pode criticar por isso.
Fez mais-valias em bolsa com a PT, vai ganhar com as acções do Millennium porque vendeu em alta e irá comprar em baixa, mesmo com o incidente “chineses” irá conseguir fazer uma opa ao Benfica a preços inferiores ao mercado e, last but not the least, vai valorizar a sua colecção de arte moderna durante vários anos num palco privilegiadíssimo, cujo tapete lhe foi estendido e que não lhe será puxado pelo Estado Português.
Quem perde com tudo isso?
Os funcionários da PT que se deixaram levar, os accionistas do Millennium que estão a perder dinheiro em barda e, por enquanto, mais ninguém.
Quem ganha com tudo isto?
Obviamente que o próprio, mas também o Benfica que poderá crescer enquanto clube caso se concretize a opa e o povo português que terá ao seu dispor uma excelente colecção de arte moderna para poder usufruir durante alguns anos.
As vítimas principais: Rui Costa que com isto evita de perder tempo a apregoar as razões do coração, Jorge Jardim Gonçalves que descobriu no final da vida que criar um banco não garante a eternidade e António Mega Ferreira que é efectivamente um intelectual e que acaba de cair do pedestal onde se pôs.
E o futuro?
As questões da bolsa não mexem em nada: é uma zona especulativa onde quem se movimenta deve saber ao que vai. O Benfica só poderá agradecer caso apareça dinheiro fresco.
Resta a colecção de arte moderna.
Não vai haver doações: Berardo não deve isso ao país nem pretende prejudicar a família, o que é absolutamente legítimo. Gulbenkian fê-lo porque não tinha pátria nem herdeiros e Champalimaud simplesmente achou que não tinha que o fazer.
No fim do “contrato” o Estado Português vai devolver a colecção ao legítimo dono pela simples razão de que não terá dinheiro para a comprar. Felizmente; porque a vocação do Estado Português para gerir é fraquita: quer se fale de pessoas, de empresas ou de colecções de arte.

Ser ou não ser... civilização


Há dias numa profícua troca de argumentos com uma blogger, discutia-se o conceito de civilização. Entendo que há diversos princípios fundamentais, convicções e ideiais de democracia que nos opoem diametralmente aos povos árabes. Conceitos como igualdade, respeito pela dignidade humana, tolerância religiosa e, acima de tudo, de liberdade.

Confesso que é com base nestas questões que me mostro reticente à entrada da Turquia na UE. A integração desta enormíssima Nação podia, de alguma forma, constituir uma perda de identidade e dos princípios que regeram a criação desta União. A sua matriz ocidental assente nos princípios atrás mencionados, a que acresce uma certa identidade religiosa: o cristianismo nas suas diversas vertentes.

Mas nesta matéria temos que considerar as intenções da Turquia, que ao longo das últimas décadas tem feito um esforço no sentido de se aproximar daquilo a que chamamos os valores ocidentais. E nesse caminho que tem percorrido abandonou o regime secular até então vigente centrado numa hegemonia do Islamismo sobre o Poder do Estado.
Que fazer então?
A verdade é que a má vontade que tem sido demonstrada pela UE, e que irá ser nos próximos tempos liderada por Sarkozy, tem vindo a reforçar o poder tradicionalista e islamista e a enfraquecer os pró-ocidentais.

Aquilo que se avizinha e se irá discutir também nos próximos meses de Presidência portuguesa da UE será: pretendemos ter como vizinho um barril de pólvora fundamentalista, gerador e patrocinador duma eventual escalada terrorista, ou devemos apoiar a progressiva democratização e laicização da Turquia para uma integração sem sobressaltos e melindres "civilizacionais"?

A resposta estará naquilo que tornar a UE mais forte.

Ave Caesar

terça-feira, 10 de julho de 2007

Os bons exemplos


É usual afirmar-se que a experiência na política é amiga de decisões acertadas e a juventude será por norma impetuosa mas também incoerente.

Há dias li duas entrevistas publicadas num semanário concelhio aos líderes das "jotas". Diria que fiquei positivamente surpreendido com a postura adoptada pelo líder da JSD. Nestes territórios muitas vezes as "jotas" fazem o jogo do "follow the leader". Ou seja, não possuem um programa autónomo, uma estratégia própria, limitando-se a seguir as indicações dos "séniores".

A surpresa veio mesmo do manifesto de independência assumido pelo líder da JSD, Bruno Coimbra. Numa intervenção bem preparada, notava-se uma grande estruturação de ideias e um projecto bem delineado, sem lugares comuns ou chavões inócuos.

A dúvida que na altura me ficou foi a de saber até que ponto existiria a capacidade para colocar em prática toda a teoria manifestada.

A resposta não tardou e veio sob a forma da MAIS BEM CONSEGUIDA ACÇÃO PUBLICITÁRIA QUE ESTE CONCELHO JÁ TEVE.

Digo-o desta forma, sem qualquer laivo de exagero. A verdade é que nos últimos 30 anos, Junta de Freguesia do Luso, Junta de Turismo Luso-Buçaco e Câmara Municipal da Mealhada, com uma imensidão de meios logisticos e financeiros não conseguiram uma acção promocional do ex libris deste concelho com um milésimo da visibilidade que este pequeno gesto teve.

A conclusão é simples e atroz. Somos, de facto, governados por incompetentes e temos uma gestão turística cheia de amadores.

Mas, lá está. Ás vezes é nos pormenores que se vislumbram os grandes feitos.

Parabéns JSD Mealhada.



Ave Caesar


segunda-feira, 9 de julho de 2007

Descubra as diferenças




É comum afirmar-se que o poder corrompe e, quando exercido ao longo de diversos anos de forma absoluta ou absolutista, é passível de criar e enraizar vícios perniciosos.
Felizmente nem todos os exemplos são maus exemplos.
Há autarcas que, muitas vezes e injustamente, são apelidados de caciques e trauliteiros, mas conseguem dar exemplos de democracia e civismo para com os seus munícipes e partidos da oposição.
Um episódio que caracteriza isto aconteceu há bem pouco tempo no Município de Anadia.
Tendo sido remetida à Assembleia Municipal a Carta Educativa de Anadia para discussão e aprovação, deparou-se o Presidente da Câmara com diversos protestos de algumas Juntas de Freguesia que discordavam com as linhas orientadoras daquele documento.
Ao contrário do que aconteceria na Mealhada, o Presidente da Câmara Litério Marques decidiu retirar aquele assunto da Ordem de trabalhos com uma justificação que envaidece a democracia: “tendo chegado à Câmara várias queixas das Juntas de Freguesia e porque gosto que os assuntos sejam debatidos com profundidade, pretendo que a Carta Educativa seja discutida por todos e que defenda os alunos, encarregados de educação e o concelho, por isso prescindo da sua imediata aprovação”.
Com esta postura cala uma oposição que, neste Município, é bem mais aguerrida e, porque não, com conhecimentos mais sedimentados sobre o seu concelho.

Sobre uma proposta para criar um concurso de ideias sobre a planificação do Parque da Cidade, nos Viveiros Florestais, Cabral retorquiu que não era necessário porque as ideias já existiam. As dele, obviamente.

Ave Caesar

sábado, 7 de julho de 2007

Voz


Dizem que "os homens preferem as louras".
Puro engano.
Ana Moura, uma fadista com todos os predicados aliada a uma beleza latina.

Ouvi-la é uma sublime experiência, misto de sensualidade e elegância, numa voz que nos encanta, deleita e faz exclamar: "Ahhhhh...fadista!!"

"Aconteceu", um belo tema para o fim de semana.


Ave Caesar

Samba no pé...descalço


O verniz voltou a estalar entre a Associação do Carnaval da Bairrada (ACB) e a Câmara da Mealhada.
Atendendo à falta de disponibilidade que a CMM demonstra para apoiar o Carnaval em moldes diferentes dos que apoia, o Presidente da ACB, fez birra e decidiu não realizar a 30ª edição do Carnaval da Mealhada…mas não se demite.
Ora bem, mais uma vez faço aqui na minha declaração de interesses como indefectível do Carnaval da Mealhada. No entanto, assaltam-me algumas dúvidas sobre a forma como o evento é gerido.
Segundo li, o Orçamento para o Carnaval rondará os 275.000 euros, dos quais a CMM comparticipará com 75.000 €. Cabe à direcção do Carnaval obter os meios de pagamento da maior fatia do bolo que, presumo, seja com as bilheteiras, espectáculos e patrocínios. À CMM caberá também o pagamento dum chamado “seguro de chuva”.
Ora, segundo parece, a CMM recusa-se a aumentar o financiamento e a ACB ameaça não realizar o Carnaval…mas não resigna.
Se por um lado - opinião meramente pessoal - considero que o Carnaval é O EVENTO da Mealhada, por outro, julgo que a ACB sofre daquele mal crónico dos portugueses: fazer faço, mas se me subsidiarem…mas não nos vamos embora.
Que diabo! Se conhecem a mentalidade de merceeiro do Presidente, se lhe conhecem a avareza, não lhes seria exigido outro arrojo e iniciativa para procurarem meios de auto - financiamento? Se já fizeram o Carnaval com aquelas verbas, com toda a certeza serão capazes de ser criativos e fazê-lo com os mesmos ou com menos. Nunca podem é dizer que o não realizam, porque soa a chantagem…e não renunciam.
Brio tiveram as três Escolas que anunciaram que, com ou sem apoios, marcarão presença no Sambódromo.
Quanto à ACB, tem que se definir. Ou são homenzinhos (e mulherzinhas), assumem o risco e fazem o Carnaval com uma gestão criteriosa e mostram o que vale O EVENTO, ou então resignam aos seus cargos. Pois, se não pretendem organizar o Carnaval de 2008, ainda que contra ventos e marés, para que servem afinal? Mais vale esfumarem-se porque não serão mais que areia movediça.

Ave Caesar

sexta-feira, 6 de julho de 2007

要而開發的內容


Desde a chegada de Joe Berardo, o Benfica mexeu-se.
Primeiro saiu do armário com as camisolas cor de rosa e agora há um grupo de chineses interessados em opar o clube por um preço muito superior ao oferecido por Berardo.
Se procurarem bem, ainda vão descobrir que as novas camisolas foram feitas na China e provalvelmente são cor de rosa para quebrar a moral dos benfiquistas, um expediente muito utilizado nas guerras da bolsa.
Está tudo pensado!
Quem nunca esperou por esta foi o Berardo que se preparava para comprar o clube a preço de loja de chinês e acaba de ficar com os olhos em bico.
Em termos meramente económicos, quem ganha é o Benfica. Pode deixar de ser português mas arrisca-se a ser aquilo que os benfiquistas sempre sonharam: o maior clube do mundo.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

BRIC


Segundo prevê a Goldman Sachs, o grupo BRIC (Brasil, Russia, India e China) substituirá até ao meio do século, o grupo G8 em termos de liderança da economia mundial.
Confirma-se pois que a trabalhar honestamente ninguem enriquece. Estes meninos têm entre eles (uns mais que outros) um verdadeiro maná de atropelos à condição do ser humano. Assistimos atónitos a um mundo que cresce cada vez mais sem sustentabilidade, sem regras, sem respeito e sem valores.
Assim se mostra o futuro.

Tempo

Edward Hooper - Nighthawks 1942
Parar para tomar um café já foi um acto de cidadania.

quarta-feira, 4 de julho de 2007


É sintomático. De tempos a tempos temos que regressar ao nosso pequeno "canteiro", às nossas questões comezinhas, ou seja, ao dia-a-dia dos nossos políticos e questiúnculas partidárias.

Para amanhã está agendada sessão pública na Câmara da Mealhada onde, segundo a edição on line do JM, vão ser tratados temas "quentes".

A saber, a última matreirice de Carlos Cabral aos vereadores do PSD, a propósito da proposta destes vereadores a uma candidatura ao programa de voluntariado para a vigilância da floresta do IPJ. Sendo que Carlos Cabral aceitou agendar aquela proposta para este reunião quando ele mesmo havia apresentado idêntica proposta em 18 de Junho passado, sem nada comunicar aos vereadores do PSD.

Ora se Cabral poderá ser desculpado por não ter dado conhecimento da sua proposta ao PSD, ainda compreendemos. Agora submeter aqueles Vereadores ao vexame de aceitar discutir uma proposta que já havia sido por si apresentada, mostra a lisura de procedimentos do indivíduo.

Ninguém lhe nega a maioria, ninguém lhe nega a vitória eleitoral. Negamos-lhe sim é um procedimento que a não ser claramente esclarecido pode levar a dúbias interpretações acerca do carácter de determinadas pessoas.

Aguardamos explicações.


Ave Caesar


terça-feira, 3 de julho de 2007

Rir é o melhor remédio..


O candidato à CML, pelo PSD, FN, anterior director da PJ, numa entrevista à TSF, meteu os pés pelas mãos e referiu-se ao IPPAR quando pretendia falar da EPUL e trocou esta por EPAL.

Confundidos? Até eu estaria.

Preparava-me para tratar o assunto de forma jocosa publicamente mas lembrei-me: "Hummm...nos dias de hoje se calhar é perigoso falar de figuras políticas. Ainda levo um processo disciplinar da Directora lá dos meus serviços e vou para o olho da rua."

Mas aquilo que podia ser considerada uma gaffe susceptível de aproveitamento pelos adversários políticos, logo o PSD tratou de o transformar em trunfo. Da fraqueza se fez força e criou-se um cartaz dizendo: "NO DIA 15 VOTE NESTA SIGLA - PSD - PARA PÔR NA ORDEM AS OUTRAS SIGLAS."

Para mim o homem ganhou pontos. Alguém que sabe rir-se de si próprio, que não se julga perfeito e isento de erros é um exemplo a seguir. Nada mais me incomoda que aqueles políticos que se rodeiam de bajuladores, que se julgam sentados num trono de actos perfeitos e convivem mal com qualquer crítica que lhe possam apontar. A esses o futuro nada reserva.
Quando um qualquer político não demonstra capacidade de contornar os seus aparentes fracassos, quando não dá a volta por cima, argumentando de forma inteligente e procurando uma saída airosa, certamente será remetido para a prateleira dos "empoeirados", porque dos fracos não reza a história.


Ave Caesar

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Do espólio do SIS

Excerto das escutas da Câmara Municipal da Mealhada
Origem: Gabinete da Presidência
Destino: Centro de Saúde da Mealhada

Operação: "Quem se mete com o PS leva"
Inspector: Closeau... a pantera cor-de-rosa

1800 horas 29.06.07
(Afinal na Câmara trabalha-se depois das 5...)

- Está? Alfredo? Liga-me ao Centro de Saúde.
- Ok Sr. Presidente. Para falar com o Dr.Nunes?
- Não, não, não. Para falar com o Dr. Zé António.
- Dr. Zé António? mas o director é o Nunes, sr.presidente...
- Ó Alfredo faça o que lhe peço.
- É para já senhor presidente.
(espera...)
- Está? Zé António? É Cabral. Olhe já está o que combinámos? É desta que a gente o põe fora.
- Ó Cabral, mas acha que isto vai resultar?
- Ó Homem não seja medroso. Vai tudo correr bem. Você afixa o cartaz no placard depois de ele se ir embora. Manda-me um toque para o telemóvel e eu mando a secretária fazer um telefonema anónimo para os jornais a dizer que está a acontecer um coisa importante no Centro de Saúde. Eles vão lá e fotografam e a seguir, para aí na segunda-feira ligam-me e eu telefono para o ministro e terça-feira o lugar de director é seu outra vez! Vai ser como limpar o rabinho a meninos...
- Não sei...
- Não seja inseguro.
- Olhe qual é o cartaz que ponho?
- O que é que aí tem?
- Tenho um a dizer o Ministro da saúde é Tonhó e cheira mal da boca
- E mais?
- E o outro a dizer 'O Correia de Campos abafa a palhinha'...
- Não sei...
- Nem eu...
- Olhe, ponha os dois! Vá lá, fico à espera do seu telefonema. Isto desta semana não passa!
- Seja o que Deus quiser!

Fim da chamada
Agente Manuel

domingo, 1 de julho de 2007

God save the Queen

Não sendo monárquico, reconheço nas monarquias algumas vantagens por comparação com as democracias eleitoralmente sufragadas.
Desde logo, porque não se encontram submetidos às "ditaduras dos votos" e, como tal, podem agir de acordo com as suas convicções, desdenhando as headlines jornalisticas.
Isabel II ao atribuir o título de "Sir" ao escritor Salman Rushdie, decerto imaginaria que tal acto iria levantar vozes ou mesmo torná-la agraciada com uma fatwah.
Na realidade, logo se levantaram os protestos do Paquistão e do Irão, que aproveitaram para mais uma vez mostrar a sua imbecilidade fundamentalista, exigindo da Grã-Bretanha um pedido de desculpas.
O cobardolas Governo Blair veio logo a terreiro, demonstrar a sua preocupação pela possibilidade dum eclodir de manifestações fundamentalistas - talvez os atentados de ontem sejam já a resposta do Islão intolerante ao gesto da Rainha - mostrando, mais uma vez, uma subserviência bacoca dum país com a grandeza da Grã-Bretanha.
A rainha, ao invés, não vacilou. Se não foi o cerco nazi que nos anos 40 a derrotou, quando caminhava entre bombas, não seriam os "infieis" que a fariam curvar-se.
A postura de certos homens e mulheres vê-se na verticalidade que demonstram em todos os pequenos gestos as suas vidas.
Ave Caesar

Uma “História” sem fim.


Em 1992, Francis Fukuyma anunciava o fim da História. Na sua obra “The End of History and the Last Man”, teorizava que com a queda do muro de Berlim e o consequente desmoronamento do Império Soviético, a democracia liberal prevaleceria e tornar-se-ia global e globalizante.
Como a maior parte das teorias, a probabilidade de falibilidade é enorme. E a demonstração do erro ocorreu perante os nossos olhos em 11 de Setembro de 2001.

Desde essa fatídica data a nossa concepção de segurança e estabilidade ocidentalizada claudicou perante o fanatismo que se propagou, qual pandemia, por todo o nosso civilizado mundo.

Já na madrugada de Sábado a polícia britânica desmantelou engenhos explosivos colocados dentro duma viatura num local habitualmente muito frequentado. Neste mesmo dia, um outro atentado foi praticado em Glascow, desta vez com êxito mas, felizmente, sem vítimas mortais.
Agora que o terrorismo nos entrou pela porta da frente, cabe-nos reflectir sobre toda política que vem sendo praticada nas últimas décadas. Políticas de integração falhadas, liberdade religiosa para propagandistas anti –ocidentais, criação de verdadeiros feudos fundamentalistas escudados pelas nossas tolerantes democracias e, pelo outro lado, um cinismo atroz quando permitimos que em determinados países se recrutem terroristas nas franjas mais pobres e desfavorecidas, nos indigentes a quem a vida terrena nada mais promete, enquanto alimentamos as cleptocracias do petróleo que promovem o fundamentalismo.
Londres assinala dentro de oito dias o segundo aniversário dos atentados de 7 de Julho, que fizeram 56 mortos. Desde então nada mudou.
A constante reflexão e a procura de sentido, no entanto, urge fazer-se, sob pena de regresso aos califados.

Ave Caesar