quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O efeito borboleta



Quantas vezes não nos questionámos sobre os adventos da História e sobre o que teria sido diferente se determinados eventos tivessem tido um epílogo ou personagens diferentes.

A 7 de Novembro (na altura a Rússia seguia o calendário Juliano que marcava 25 de Outubro) - deste ano "comemorar-se-ão" os 90 anos da revolução bolchevique.

Para uns, a Revolução Russa foi o acontecimento mais relevante do séc. XX europeu ou mesmo mundial. Foi o início dum novo e até então desconhecido sistema político alternativo às democracias liberais cuja génese foram as Revoluções Francesa e Norte-Americana.

Para outros, nos quais me incluo, foi o acontecimento percursor da barbárie em que se tornou todo o séc. XX.

Imaginemos que a Revolução Russa não teria sido conduzida por Lénine e, posteriormente, por Estaline, dois reconhecidos torcionários, mas por um ideólogo e menos bárbaro Trotsky. Ter-se-ia a a Rússia transformado num estado totalitário? Teriam emergido os regimes fascistas alemão e italiano, fruto essencialmente do receio da ameaça comunista?
Ou, em última instância, teria sido evitada a II Guerra Mundial, a destruição da Europa, os milhões de mortos, as descolonizações patrocinadas pelos dois blocos que conduziram às tragédias humanitárias que ainda hoje se sentem?

Meras reflexões para os saudosistas.

Ave Caesar

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Coisas tão simples


Quem disse que as coisas mais belas são fruto dum trabalho maturado?
"The Trinity Sessions" foi gravado numa única e divina noite, com um único microfone - um DAT recorder - num local também ele divino, a Igreja da Santíssima Trindade (Trinity) em Toronto.
A banda "Cowboy Junkies" ainda debutante, iniciou aí um percurso que a levaria aos nossos benditos ouvidos, através de registos intimistas e alternativos dum "blues & country".
Deste trabalho, enamorei-me deste cover dum original dos Velvet Underground, Sweet Jane, para recordar AQUI - http://www.youtube.com/watch?v=BHRFZFmEq9o
Ave Caesar

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O americano tranquilo



O nosso imaginário de infância está pejado de mitos. Figuras irreais de heróis duros, pragmáticos, pouco fluentes mas de expressões inigualáveis em simplicidade e eficácia.
John Wayne, que este ano faria 100 anos, era um deles.
Dele recordamos diversos ícones cinematográficos - "Stagecoach" (1939); "Fort Apache" (1948); "Red River" (1948); "Rio Grande" (1950); "Rio Bravo" (1959); "The Man Who Shot Liberty Valance" (1962) e o meu favorito "The Shootist" (1976).
Dele díriamos ter representado o arquétipo da sua brava Nação. Um país feito por homens rudes onde a pistola era a lei.
Diria, Wayne foi brilhante porque se representou a si próprio. Em diversos filmes a personagem fundia-se com o intérprete e em "The Shootist", por sinal o seu último filme, "John Books", encarnava o sobrevivente dum mundo que já não reconhecia. O velho Oeste da primeira metade do séc. XX, da integridade dos homens que havia desaparecido.
Neste filme, John Wayne vivia também os seus últimos anos, corroído por um cancro que o conduziu ao Olimpo das estrelas em 1979.
A América mudou, mas os valores que fizeram a Nação perduram na memória do americano tranquilo.
Ave Caesar

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

E não é que quer ficar para o pequeno almoço!



Há dias em que detesto ter razão.

Meu dito, meu feito. O ex-vereador Augusto Mamede é membro da mesma orquestra onde tocam Ferraz da Silva e Rui Marqueiro.

Estes indivíduos fazem-me lembrar aquela vetusta senhora que, após 20 anos de casamento, descobre que o seu marido foi bígamo durante toda a vida.

Estranho como durante todos os anos de sã convivência com Carlos Cabral nenhum deles lhe tirou pela pinta os tiques de autoritarismo. E só depois de serem enjeitados ou pretenderem regressar ao lugar onde terão sido felizes descobrem, afinal, que andaram enganados toda uma santa vida.

Quem conhecia Carlos Cabral dos anos 70, durante a sua efabulação do comunismo e cuja doutrina professava em prol da limpeza das valetas da Pampilhosa, não deveria em boa consciência vir agora invocar o desconhecimento do político.

E, mais uma vez, vem um ex-correlegionário de Cabral pedir a sua demissão. É certo que a Augusto Mamede nem sequer assiste legitimidade porque, ao que julgo saber, terá sido expulso do PS ... por Marqueiro.
Nesta entrevista apenas lhe louvo a crítica que faz ao "lavar de roupa suja" que Marqueiro promove contra o Presidente. Mas nos últimos anos tem sido apanágio do PS e PSD fazerem peixeiradas públicas e assassinatos de carácter nas páginas dos jornais.

Com um dia disse Guterres em relação a Carrilho: "Roma não paga a traidores". E eles andam por aí.

Ave Caesar

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Adivinhem quem vem jantar?


Lembram-se dele?
Vereador com o pelouro das obras nos anos de 1997 a 2002. Terceiro da lista de Marqueiro. Co-responsável por aquela maravilha arquitectónica de inspiração "Frank Gehry" que é a Quinta da Nora. E agora, se o título corresponde minimamente ao conteúdo da entrevista, primeiro declarado proto-candidato às próximas autárquicas.
Mamede foi, em 2002, testa-de-ferro do "furacão" Odete Isabel no seu corajoso regresso à política. A votação em Casal Comba no MOE foi inexpressivo, não traduzindo em votos a influência que o ora entrevistado cogitava.
Candidato à Câmara! Por alma de quem? E com que apoios?
Saiba o PSD tirar dividendos desta, pelo menos aparente, divisão no PS. Mas sobre isso falaremos após o dia 9 de Novembro.
Interessante é a estratégia do semanário. E muito isenta também. Depois daquela "pérola" jornalística que foi a intervenção de Marqueiro numa reunião da JS a mimar a Câmara que outrora apadrinhou, seguiram-se entrevistas a Ferraz da Silva e a Augusto Mamede.
Esta última ainda não li, mas desconfio que dirá de Cabral aquilo que Maomé não teria coragem de dizer do toucinho. Espero enganar-me.
Ave Caesar

Rotina


Daqui a dois anos, mais ou menos por esta altura, teremos eleições autárquicas.
Do lado do Partido Socialista, há muito que se têm visto as manobras despudoradas de “Rui Marqueiro y sus muchachos” com vista a apear Carlos Cabral e o seu circo de pulgas amestradas.
Embora aparente alguma calma e até alguma segurança, Carlos Cabral tem dado o flanco em certos temas “fracturantes” do nosso quotidiano concelhio. Recuou na questão do carnaval quando nada o fazia prever e acabou muito mal fotografado pela direcção demissionária da ACB. Tinha tudo para demonstrar com facilidade que se não havia carnaval era porque a organização não tinha competência para o assegurar e acabou, só e tristonho, por ficar com o odioso de ser lembrado como o único responsável pela morte do Carnaval da Mealhada.
Lidar com opiniões contraditórias era uma das muitas coisas que o Politburo não incluía nas suas cassetes e isso revelou-se fatal para Carlos Cabral nesta coisa das negociações com terceiros.
Outro tema “fracturante” foi o do Hospital da Misericórdia: o problema aparenta estar agora mais próximo de uma solução, mas mais uma vez, com a imagem vincada do contra-vapor da Câmara. João Peres brilhou, mas é também possível encontrar na fotografia, alguma arte pictórica do artista “known as Foto-Rei”.
Nunca nos devemos esquecer que em política, tudo o que parece, é!
Do outro lado da barricada, está tudo mais sereno.
Antecipando-se a tudo e a todos, Gonçalo Breda Marques resolve mostrar quem manda e organiza um périplo pelo concelho. Ele é capelas, ele é feiras, ele é romarias, ele é obras mal feitas ou por fazer, tudo devidamente ampliado no seu blogue para que não restem dúvidas.
Mesmo sem saber, o Partido Social Democrata já tem candidato à Câmara.
Apanhados de surpresa, só mesmo os membros da concelhia do partido, que não tendo posto o nosso “menino guerreiro” no seu devido lugar quando tiveram oportunidade, têm agora razões de sobra para estarem preocupados. Realmente, a Breda Marques pouco mais resta a médio prazo que tentar a sua sorte por estes lados.
Espera-se argúcia por parte de Carlos Marques e companhia, para encontrar um candidato competente.
O PC não tuge nem muge como é seu apanágio. Já devem ter um candidato escolhido e até já delinearam as bases da campanha: a do costume, só mudam as datas!
O Bloco procura avidamente campos de milho transgénico para acções de campanha espectaculares. Se não encontrarem nenhum, podem sempre ir fazer body-board para o Cardal, para os terrenos onde despejam a merda das vacarias (é só uma ideia).
O CDS anda a tentar contactar o ultimo candidato, mas já ninguém se lembra quem era…
Ai que tédio!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Ser, pensar ou parecer


É comum dizer-se que mentes superiores debatem ideias, mentes comuns debatem factos e as mentes medíocres debatem pessoas.
Nos últimos anos, no nosso concelho tem-se assistido à "fulanização" da política, tendo como consequência um evidente empobrecimento da discussão, não ideológica, porque as ideologias morreram (aqui ressalvo o imutável PCP), mas da ideia que se tem para a urbe.
Ao invés de se debruçarem sobre os conteúdos programáticos de cada força política, de cada movimento cívico, de cada político, entretemo-nos a discutir as personagens.
Ao que julgo, as eleições autárquicas realizar-se-ão dentro de dois anos. Até hoje não conhecemos uma ideia para o futuro do concelho daqueles que, pelo menos nas suas mais íntimas locubrações, pretendem intervir activamente no futuro.
Todos os políticos têm o seu tempo de antena semanal. Todos ou quase todos são comentadores residentes nos semanários, uns mais que outros são diariamente "entrevistados" na "tão-pouco rosa" RCP.
Estranhamente ou se calhar porque nada mais têm para dizer, limitam-se à mútua crítica, à avaliação de carácter e ao destilamento do pequeno fel que acumulam na sua errática e patética vida política.
Projectos precisam-se.
Ave Caesar

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Nós e os outros


A nossa relação com a miséria alheia, por força da sua mediatização, começa a ter efeitos inócuos.
Pensemos nas muitas acções que desde os anos 80 são levadas a cabo por Bob Geldof, Bono, Oprah e, ainda recentemente, pela "socialite" Paris Hilton. Uma abordagem glamourosa mas pouco objectiva e de resultados duvidosos.
Dizem, muitas vezes, que "nós" - países ricos europeus e E.U.A. - somos coniventes, quando não culpados, pela fome que grassa em África.
Pensemos nos resultados práticos de todas as "nossas" acções. Deste 1960 que a África recebeu mais de 400 mil milhões de dólares de ajudas externas, entenda-se, donativos europeus e norte-americanos. Apesar disso, o PIB "per capita" do continente decresceu na média de 0,6% por ano entre 1975 e 2000. Ou seja, apesar do aumento das contribuições, a população foi ficando mais pobre.
Se em 1970, uma em cada dez pessoas que viviam com menos de um dólar por dia estava em África, em 2004, era uma em cada duas.
Outra perspectiva de analisar o problema é comparativamente. Os países da Ásia do Sul - Afeganistão, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Butão... - receberam apenas 21% do recebido pelos seus congéneres africanos. No entanto, o PIB "per capita" daqueles países subiu 2,94% anualmente.
Então, porquê esta disparidade?
A resposta é somente uma: a CORRUPÇÃO. Por toda a África reinam as cleptocracias. Regimes financiados com o dinheiro que é tirado aos pobres dos países ricos para ser dado aos ricos dos países pobres. Desde as independências que se assiste a uma fuga de capitais de países africanos na ordem de 400 mil milhões de dólares, valor que representa quase o dobro da dívida africana. Entretanto foram feitas fortunas individuais entre estadistas e ex-estadistas - José Eduardo dos Santos, Mobutu, Mugabe. Uma fila interminável de saqueadores que condenam à morte milhões de concidadãos.
A solução passará por repensar a forma destas ajudas ao desenvolvimento. E tanto a UE como os EUA têm que reflectir sobre as suas estratégias e conivências. África é, cada vez mais, um continente a prazo.
E a nós, marca-nos uma cada vez maior indiferença por sabermos que a vaga das nossas boas intenções não atingirá as praias dos mais pobres dos pobres.
Ave Caesar
FONTE: "Europa e África", José Cutileiro.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Deborah Kerr - Até à eternidade



As estrelas maiorem finam-se mas as recordações perdurarão... até à eternidade.

Corria o ano de 1953 quando a dupla Deborah Kerr/Burt Lancaster, incendiou a grande tela com um beijo sacrílego. Em breves minutos, From here to eternity agraciou o mundo com um discreto mas ousado erotismo, com a transgressão e o escândalo dum amor proibido e adúltero. O Código Hays - código de conduta para os "bons costumes" no cinema - roubou-lhe o merecido Oscar. Apenas o recebeu em 1994, a título de carreira.

Deborah Kerr subiu ao firmamento. Entre nós permanecerá "Karen Holmes".

Ave Caesar

Exorcismo


Teve início esta semana na RTP um recomendável programa da autoria do veterano da televisão Joaquim Furtado - A Guerra Colonial.
Volvidos 33 anos sobre o fim do conflito, é tempo de exorcizar os fantasmas até agora adormecidos. A relação de Portugal com este conflito foi até agora silenciosa. Um silêncio condoído mas que não disfarça os traumas sofridos por milhares de portugueses, angolanos, guineenses... Um conflito que deixou cicatrizes permanentes, mas que três décadas depois necessita da sua catarse, a sua terapia psiquiátrica. Enfrentá-la, dissecá-la, ouvir ambos os lados, conhecer as motivações, angústias e desespero de quem nunca a esqueceu. Apenas a colocou num lado escuro da mente que teima sempre em ressurgir.
Este excelente documentário teve início no seu fim. O fim do conflito, retratado numa conversa entre Amadu Embaló, comandante do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) em 1974, e Fernando Peixinho Cristo, à época Capitão Miliciano.
Ambos recordam uma emboscada no norte da Guiné Bissau no dia 27 de Abril de 1974, uma batalha que «simboliza o último acto de uma guerra que começara em 1961».
O inferno começou em 1961. Portugal conheceu em 15 de Março desse ano o horror a que tinha sido poupado na II Guerra Mundial. A UPA inicia a sua ceifa de terror no norte de Angola.
As imagens de arquivo que ilustram a matança de Março são chocantes. Terrivelmente reais. Corpos esventrados que jazem num chão de terra.
Documentos visuais chocantes, mas ao mesmo tempo preciosos em valor histórico e enquadrados com mestria e sensibilidade por Joaquim Furtado.
A Guerra Colonial atingiu a sua fase madura. É tempo daqueles que não a viveram a conhecerem, para também conhecerem Portugal.
Ave Caesar

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Da indigicência


Portugal tem 2 milhões de pobres "certificados".
Ninguem arrisca por vergonha, mas pode haver quase outros tantos pobres "encapotados".
Mas temos estádios de futebol dos mais modernos do mundo.
Mas temos vontade de brincar aos comboios de alta velocidade.
Mas queremos fazer um aeroporto novo de utilidade duvidosa.
Mas temos uma das máquinas de cobrança fiscal mais produtivas da UE.
Mas temos o melhor e-government da UE.
Só nos falta uma coisa: decência.

O pragmático


É da ciência política, ainda que tristemente, que os apoiantes dos derrotados entrem numa depressão endémica, desistam ou pura e simplesmente mudem de camisola, lobotomizando todas as convicções que até aí tinham. Aos primeiros chamemos "fogo fátuo" ou "sprinters". Aguentam uma corridinha, mas após um primeiro desaire perdem o fôlego para a maratona que é a actividade política.
Por outro lado há os maratonistas veteranos. Aqueles que nada abala e a quem as pequenas derrotas são facilmente ultrapassadas com pragmatismo.
Ao longo dos anos habituámo-nos a zurzir em Alberto João Jardim, pelos seus excessos, pelo sua exacerbada insularidade e discurso terrorista contra o continente.
No entanto, eis o político laranja com mais vitórias no currículo, a quem devemos atribuir diversas qualidades. Jamais se ajoelha, jamais presta subserviência.
Apoiante de Marques Mendes nas últimas directas, não se coibiu de elogiar a acção do ex-líder nas intenções de Sócrates de provocar o estrangulamento da economia madeirense.
Da mesma forma não se coibiu de fazer avisos à navegação de Menezes. Frontalmente, como é a sua postura, advertiu-o que um líder não fracciona, um líder promove a união de todos os militantes pois só assim chegará a bom porto.
Pragmático, definiu ainda o calendário para a liderança de Menezes. Caso o Presidente do PSD chegue ao fim do primeiro trimestre de 2009 sem condições para derrotar a maioria socialista, resta-lhe encontrar a porta de saída, caso contrário, poderá ser ele a indicar-lha.
Desconfio que nem Ribau Esteves, nem o PSD Mealhada estiveram muito atentos a este discurso.
Ave Caesar

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Tudo numa "nice".


Depois da análise de fundo à situação do concelho da Mealhada feita, pela negativa, por Ferraz da Silva no Mealhada Moderna, é a vez de Carlos Cabral (CC) dizer de sua justiça e glorificar os seus feitos (ou defeitos).
Como não podíamos esperar outra coisa, CC faz um balanço positivo... ou melhor, muito positivo da sua acção governativa.
Quando leio que este mandato está ainda a ser mais produtivo que o anterior, não contenho a estupefacção.
Em suma, o que CC faz ao longo da entrevista é "sacudir a água do capote". Carnaval... isso é com a Associação de Carnaval. Hospital da Misericórdia... a Câmara não tem competências legais para intervir na área da saúde. Plataforma Rodo-Ferroviária da Pampilhosa... isso está dependente dos pareceres da CP e dos Estudos de Impacte Ambiental.
Sobre o Campo de Golfe da Pampilhosa e os Viveiros Florestais, nem uma palavra esclarecedora sobre a sua concretização.
Em suma, um início de entrevista prometedor pelo balanço muito positivo que faz, logo esvaziado pela vacuidade das realizações e evasivas quanto aos projectos ditos estruturantes para o Concelho.
Não se concebe que num mundo político gerido pelas agências de comunicação, onde a clareza da mensagem é privilegiada, CC insista num discurso retorcido onde ficamos sem perceber QUAIS as obras que foram efectivamente realizadas e QUAIS as obras que estão para ser realizadas nestes dois anos de mandato.
Interessante é a forma indirecta como se refere a uma pretensa oposição artificial, que não corresponde à oposição formal e política, mas a uma outra feita por sectores que não serão mais que uma força de bloqueio ao apregoado rigor da Câmara da Mealhada.
Cabral está redondamente enganado. Aquilo a que chama forças de bloqueio são a essência da sociedade que nos caracteriza, são a democracia popular, é a sociedade civil a exercer o seu direito à indignação pelo "provincianismo de mercearia" que este Executivo confere à gestão camarária.
Como diria o outro: Caro Cabral, habitue-se. A partir daqui só tem tendência a piorar.
Ave Caesar

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Eu influencio, tu influencias...


Há dias, após mais um dos diversos desafios que os tribunos comentadores me fazem, resolvi debruçar-me sobre o assunto e fazer o "trabalho de casa".
O assunto indirectamente relaciona-se com a liberdade de imprensa e eventuais ingerências no conteúdo dos media. No caso, os dois semanários jornalisticos do concelho: JORNAL DA MEALHADA (JM) e MEALHADA MODERNA (MM).
Escrevia o comentador que o "JM" seria um privilegiado veículo transmissor dos elogios ao Presidente da Câmara e do seu Executivo. Para tal, justificava o comentador com os pretensos anúncios ou publicidade paga pela CMM àquele jornal.
Ora bem... abri o "JM"... percorri atentamente com os olhos todas as páginas e...NADA. Apenas artigos jornalisticos sobre decisões e acções da CMM, logo complementados com intervenções do PSD, das Associações, etc.
Bem, mas por uma questão de justiça e imparcialidade, seria conveniente fazer o mesmo exercício no "MM".
E, tendo o mesmo cuidado , lá folheei o dito jornal, que por declaração de interesses, desde já declaro que sou ávido e interessado leitor.
E esta última edição é "rica" em matéria que aos adeptos das teorias conspirativas tanto faz conjecturar. Vejamos:
1 - Um dos rostos da oposição interna a Cabral, FERRAZ DA SILVA, dá uma entrevista de fundo.
2 - A CENTROLIVA, S.A., empresa do grupo ALCIDES BRANCO, tem publicidade com honras de 1ª página. Não é preciso dizer qual a posição que Cabral tem quanto ao foco de poluição da Lameira, nem sobre a recusa de lhes andar constantemente a lamber as botas.
3 - A ELÉCTRICA DO CERTOMA, de Carlos Pinheiro, que também é o sócio com maior posição no MM, tem o seu lugar de destaque. Pinheiro é ainda Presidente da ACIM - que entrou em polémicas recentes com Carlos Cabral - e um dos rostos da oposição à CP do PSD.
4 - Também RUI FRIAS, último candidato do PSD contra Carlos Marques e Gonçalo Breda, tem o seu espaço jurídico.
5 - Não esquecendo a COMPANHIA DA BRASA, de Bruno Peres, filho do candidato derrotado a delegado ao Congresso.
Obviamente que, com esta enumeração, não pretendemos sequer aventar a hipótese de existir qualquer tipo de pressões sobre os meios de comunicação. Um director de jornal íntegro jamais as permitiria e seria o primeiro a denunciá-las publicamente.
Apenas queremos deixar indicações que, não obstante existir capacidade de influência dos agentes políticos e económicos, a sua concretização não tem necessáriamente que existir na prática.
Ave Caesar

O ornitorrinco desconexo



O congresso do PSD realizado no último fim de semana demonstrou que Menezes, para além de ter um raciocínio desconexo, também não possui estabilidade "emocional" para conduzir os destinos do partido.
O mais interessante que este Congresso pariu, ou em sua consequência, foi o livro de Pacheco Pereira - "O paradoxo do ornitorrinco" - compilação de diversos textos publicados pelo autor sobre o PSD onde a "razão de ser" do partido e aquilo que apelida da perda do carácter reformador que sempre foi o cunho da sua influência na sociedade portuguesa, são dissecados. Interessante também porque exalta a perspectiva que todos os militantes e simpatizantes deviam ter dum partido. Em suma, e adaptando uma célebre frase, proferida julgo que por Kennedy, exorta os militantes a preocuparem-se com o que podem dar ao partido, e não com os dividendos que podem retirar do partido. Nas suas palavras:

"Para mim o PSD nunca foi "camisola", mas também nunca foi emprego. Saí pelo meu próprio pé de alguns dos lugares políticos mais desejados de Portugal e, no entanto, sei muito bem como, com obediência e subserviência, se pode continuar à tona, sem grandes desgastes visíveis. Mas sempre pensei que a verdadeira liberdade estava em poder-se dizer sim e não, e gosto de dormir sem vozes interiores."

Quanto a Menezes, revelou o paradoxo do ornitorrinco, com um discurso sem sentido, tentando abranger todos os sectores da sociedade e agradando a gregos e troianos, sem, no entanto, apontar uma linha de rumo segura.
A desconexão de pensamento revelou-se, por exemplo, na questão da regionalização, em que, no mesmo discurso, Menezes mostra-se favorável à regionalização, depois aponta a necessidade dum referendo - esquecendo a vitória do PSD no referendo de 1998 - e, por fim, avança pela necessidade da criação das regiões administrativas, independentemente da auscultação pública.
No resto, nada mais de relevante se passou, além de meros episódios de "show circense", que debilitam a credibilidade do actual líder - o convite "pressão" a Manuela Ferreira Leite e a conferência de imprensa marcada para a mesma hora da intervenção de Pedros Passos Coelho, por sinal um dos únicos rostos da oposição com coragem para se demarcar.
Ave Caesar

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Pssst...


Senhor Presidente, senhor Presidente!
Hoje de manhã cheirava a bosta de vaca na Mealhada.
Sim, do Cardal.
A merda, senhor Presidente. Cheirava precisamente a merda!
Como só vamos ter eleições daqui a dois anos, parece-me melhor meter-se no jipe e ir ver onde é que foram pôr a merda desta vez.
Não espere pela campanha eleitoral.
Pleeease!

domingo, 14 de outubro de 2007

Ei-los que voltam




Sócrates tem tudo para andar satisfeito
Precisamente no momento em que a economia começa a demonstrar que o nosso esforço tem sido inglório.
Precisamente no momento em que levamos um puxão de orelhas do FMI (coisa que já nem nos lembrávamos o que era)
Precisamente no momento em que é apresentado um orçamento que tem gralhas infantis.
Precisamente no momento em que temos uma taxa de desemprego como não há memória.
Precisamente nesse momento, quem é que aparece para desviar as luzes da ribalta?
O do costume...

Coragem


E se for tudo verdade?
Aterrador!
Ou eu me engano muito ou esta senhora não precisa de fazer um PPR; basta-lhe comprar um fato de cerimónia e esperar...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Caudillo Guevara



Confesso que numa longínqua juventude dos anos 70, ensandecido por um romantismo europeu, terei tido alguma ingénua admiração por Che Guevara.

Na altura, idolatravam-se figuras revolucionárias, dignas de admiração e elogio por estarem dispostas a darem a vida por ideais.
Mas, na realidade, a disposição de entregar a vida por uma ideia escondia também propósitos tenebrosos: a disposição de tirar a vida a quem não a partilhasse.

Ernesto Guevara (Che), cuja morte ocorreu há 40 anos em La Higuera, na Bolívia, pertenceu a essa sinistra saga de heróis trágicos, presente também em movimentos terroristas de diversa índole, desde nacionalistas a jihadistas, que pretendem dissimular essa condição de assassinos debaixo da pele de mártires, prolongando os velhos conceitos herdados do romantismo.


Che fracassou, como fracassaram todos os que lhe seguiram os passos. Os seus projectos e ensinamentos apenas deixaram um rasto de fracasso e morte por toda a América Latina e África, incluindo Cuba.

Diversos foram os países que, na ânsia de criarem o chamado "homem novo", lançaram milhares de jovens numa lunática aventura armada. Graças ao desafio armado que estes "românticos" representavam, diversas ditaduras militares puderam justificar-se e apresentar-se como um mal menor, quando não como uma inexorável necessidade de enfrentar outra ditadura militar simétrica, como a castrista.


Neste contexto, a figura de Che Guevara não foi mais que a representação do caudilhismo latino-americano, um bando de aventureiros armados que apontava novos ideais socialistas para todo o continente, ideais de libertação colonial, mas cujos meios violentos não os afastavam dos seus predecessores.


Nas quatro décadas decorridas sobre a sua morte, felizmente, a esquerda latino americana e, supostamente, também a europeia, livraram-se dessas vestes de fanatismo. Ao ponto de hoje só festejarem a sua morte em La Higuera os governantes que subjugam o povo cubano e aqueles que invocam Simão Bolivar nos seus delírios populistas.

Ave Caesar

Fontes: "El Pais", 10/10/2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Eterno feminino


Este ano o prémio Nobel da Literatura coube a esta senhora com cara de avózinha simpática - Doris Lessing.
A escritora britânica de 87 anos já tinha sido agraciada em 2002 com o prémio Príncipe das Astúrias. Na altura, questionada sobre o Nobel, abandonou a entrevista afirmando que era um assunto que interessava a todos menos a ela.
A ficção de Lessing é intensamente autobiográfica, a maior parte dela emergindo das suas próprias vivências em África. A sua escrita desenha memórias de infância e revela uma constante sensibilidade política e social.
Lessing escreveu sobre os choques de culturas, sobre as desigualdades raciais e os conflitos entre a consciência individual e o bem comum.
A não perder, se bem que me fica a mágoa pelo injustiçado Lobo Antunes.
Neste caso, a agraciação se calhar interessa-me a mim, mas a vós pouco interessará.
Ave Caesar

Penso, logo...persisto.


O ex-vereador socialista, Ferraz da Silva, deu uma entrevista de fundo ao Mealhada Moderna (MM) onde decidiu, não só fazer a análise política do momento, como destapou alguns factos da sua "belle epoque" como vereador com o pelouro da cultura.
Numa apreciação sumária, diria que da entrevista ressaltam momentos de lucidez logo seguidos do mais puro ressabiamento.
Lucidez quando aponta o autismo do Presidente Carlos Cabral e a falta de estratégia da Câmara que, de forma inábil, deixa arrastar assuntos como os do Hospital da Misericórdia, do Campo de Golfe da Pampilhosa, da Plataforma Rodo-Ferroviária da mesma vila e do Carnaval.
Lúcido ainda quando finalmente revela toda a verdade sobre a polémica que se abateu sobre o Centro de Estágios do Luso. Sobre as inverdades transmitidas por Carlos Cabral aos seus pares na Câmara e na Assembleia Municipal. Sobre a gravidade de ter encapotado a inabilidade para criar e apresentar o projecto de financiamento comunitário para aquele centro com a atribuição de culpas ao, na altura, Secretário de Estado do Desporto Hermínio Loureiro.
O de sempre ter desvalorizado o apoio que Breda Marques, à data deputado da nação, graciosamente lhe pretendia dar para que os subsídios fossem atribuídos, mesmo perante o atraso da candidatura aos mesmos.
Depois, e de forma deselegante e pouco lúcida, vem a parte do ressabiamento. Ferraz da Silva, enquanto vereador de Carlos Cabral, sempre foi solidário com as suas políticas, quando não era o seu mais acérrimo defensor. Entretanto, e nas suas próprias palavras Cabral "portou-se mal", "arranjou uma lista e não me disse nada".
E assim, quando Cabral decidiu "descartar" Ferraz da Silva, este abriu o livro. Nos últimos anos e após ter sido o maior defensor do Presidente, semana após semana destila o seu fel nos jornais e no espaço blogger, esquecendo a sua co-responsabilidade em tudo o que de mal foi feito.
Sobre um hipotético regresso à política, o humilde Ferraz diz que só como presidente da Câmara, mas, no entanto, não fecha a porta a um regresso se a sua nova "dama" e mais que certo "messias" descido dos céus, Rui Marqueiro, tiver a gentileza de o convidar.
Marqueiro vai coleccionando apoiantes, quiçá, porque lhes promete o céu e a terra. Mas esquecem estes saudosistas que o lugar de vice é só um, e candidatos já há pelo menos CINCO.
Ave Caesar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Os dispensáveis




Ontem, ao ler o DN, fui surpreendido com uma afirmação que nem ao PCP recordava.
Eurico de Melo, histórico e fundador do PSD, afirmava que Marcelo Rebelo de Sousa e José Pacheco Pereira eram perfeitamente "dispensáveis" ao partido - PSD.
O PSD deve estar recordado das recentes "purgas" realizadas no PCP com a expulsão de dezenas de militantes por mero delito de opinião. O PSD deve recordar a sua história de liberdade e combate às ortodoxias fundamentalistas. Deve ainda recordar todos os congressos e fóruns onde às diversas tendências do partido era permitido a discussão sem constrangimentos de qualquer ordem, onde palavra de líder não é lei.
O PSD não deve ainda esquecer a liberdade que sempre deu a Santana Lopes - que pode hoje ser escolhido líder da bancada parlamentar - para zurzir contra tudo e contra todos, sem nunca lhe colocar limites opinativos ou sugerir que o mesmo era dispensável ao partido. Mesmo quando o próprio ameaçou fazê-lo por diversas vezes.
O fim dum partido democrático e aberto inicia-se quando se tenta blindá-lo de dentro para fora. Das duas uma: ou implode ou torna-se insignificante.
Ave Caesar

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O pregador



Há dias ao rever "The Apostle", um excelente filme com Robert Duvall, lembrei-me desta novel personagem do panorama político nacional, de seu nome RIBAU ESTEVES.
Do que lhe conhecemos, Ribau Esteves é um pregador ao estilo norte-americano. Promete milagres, promete a redenção, naquele estilo delirante, extasiado com a sua própria verborreia.
O mais que provável secretário-geral do PSD teve nas primeiras aparições pós-eleições, a postura que sempre o caracterizou e será a imagem de marca do seu consulado: o caceteirismo demagogo-popularucho. Distribui "mimos" à esquerda e à direita e jamais se cala.


Díriamos que a postura dum futuro secretário-geral dum partido devia passar pelo apelo à união de todos os militantes, visando um trabalho de unidade e esquecendo rivalidades anteriores. Certo?


Errado!


A primeira iniciativa do putativo secretário geral foi a de organizar um jantar na Mealhada, de confraternização com o mandatário e apoiantes da eleição de Menezes. E fê-lo na Mealhada por uma razão especial: afrontar Gonçalo Breda Marques e, por consequência, Carlos Marques.


Ora, este acto é simbólico. E Ribau ao escolher os apoiantes da Mealhada quis dar um sinal categórico do que pode esperar a Comissão Política (CP) do PSD nos próximos tempos . Não será pêra-doce. E Ribau tudo fará para apear aqueles que desde há muito tenta apagar da face política do concelho, com a ajuda manhosa dum certo deputado da nação.

É certo que a facção Mendes ganhou no concelho. Mas, sentir-se-á a CP legitimada para o exercício futuro das suas funções? Aguentará a "pressão alta" que lhe farão até ao próximo acto eleitoral?

Avé Caesar

domingo, 7 de outubro de 2007

O Pokemon


Tirando a Maxmen, nunca fui homem de esperar muito pela saída de jornais ou revistas.
Confesso, no entanto, que tinha alguma expectativa acerca da edição desta semana do Mealhada Moderna.
Estava certo.
Ele há coisas que nunca nos decepcionam!
No meu comentário aos resultados das eleições directas no Partido Social Democrata escrevi, e cito-me
“Em política nada é definitivo e, tal como nos videojogos, também na política se ressuscita”.
Referia-me, obviamente, a Gonçalo Breda Marques e, tal como prometido, foi-me dada razão.
Ainda na noite das eleições!
Num profissionalíssimo esforço de reportagem, o semanário Mealhada Moderna procurou comentários ao resultado do acto eleitoral junto dos principais actores em confronto no nosso concelho: César Borges Carvalheira como mandatário da candidatura de Luis Filipe Meneses, Manuel Jacinto como mandatário da candidatura de Luis Marques Mendes e, claro, o responsável concelhio do PSD, Gonçalo Breda Marques.
Hã?!
Mas o responsável concelhio do PSD é Carlos Marques!
A coisa é mais ou menos como perguntar a Jaime Gama qual a opinião do governo acerca do TGV.
Breda Marques, responsável pela mesa de voto, deveria ter mostrado a sua cultura política e aproveitado para explicar ao inexperiente jornalista que a ele não lhe cabia fazer comentários. Tinha obrigação de encaminhar a conversa para a comissão política concelhia do PSD, orgão que apoiara uma candidatura e ao qual cabia dar as explicações que julgasse convenientes.
Nada disso.
Nem o jornalista foi inexperiente nem Breda Marques enjeitou a oportunidade: o jornalista mostrou (devia ter instruções nesse sentido) que Breda Marques não leva em grande conta o presidente da secção concelhia do Partido Social Democrata e Breda Marques, que nunca rejeita um palco, mesmo que tenha as tábuas carcomidas, opinou, decidiu e encerrou o assunto.
Qual Pikachu, morreu, renasceu e voltou em todo o seu esplendor. Tudo num espaço de meia hora.
Ou eu me engano muito, ou o Partido Socialista tem cada vez mais razões para estar descansado.
Isto ainda vai dar molho!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A "res publica"


Há precisamente 97 anos, Portugal conhecia a República. Pela primeira vez na sua secular história o Povo seria chamado à participação cívica, à escolha dos seus representantes e governantes.
O fim da Monarquia não foi pacífica. Começara dois anos antes com o assassinato do Rei D. Carlos e do principe herdeiro Luís Filipe. As raízes republicanas dos movimentos que levaram à sua implantação em 1910 surgiram curiosamente por causa dum poeta. Em 1880, no decurso das comemorações do tricentenário da morte de Camões, o ideário patriótico surgiu banhado nos princípios do Republicanismo. Uma nova era avizinhava-se.
Ontem como hoje, são os mesmos ideiais que nos iluminam os caminhos. Os princípios da igualdade de oportunidades, que o discurso do Presidente da República tão bem soube hoje enaltecer. A igualdade no acesso à educação de qualidade, construída numa base de inovação social, com a participação da sociedade civil na prossecução de melhores modelos. Modelos educativos que desafiem todos os agentes - professores, alunos, funcionários, pais -, que os façam renovar o orgulho perdido naquele que deve ser o mais importante investimento em Portugal: a educação das crianças e jovens.
Ave Caesar

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Eu gosto de aviõezinhos...




Eu faço uma prévia declaração de interesses: eu não gosto do gajo, não vou à bola com ele, não me cai no goto, não o convidava para jantar em minha casa, nem ia com ele ao "Pipas" beber uma imperial.
Falo obviamente de Luís Filipe Menezes. Desculpem-me os leitores mas não consigo ser imparcial perante defeitos de carácter. E irei utilizar este espaço, tantas vezes quantas me apetecerem, para desancar o individuo... desde que o mereça.
Há pouco, quando lia sobre as desventuras de campanha para as directas, relembrava a viagem que fez aos Açores no jacto particular dum empresário do sector hoteleiro com importantes interesses em Gaia.
Depois, veio-me à memória uma outra história.
Há uns anos, aquando da sua passagem pela Assembleia da República, Menezes foi um dos protagonistas principais no célebre caso das "viagens fantasma", possuindo "conta-corrente numa agência de viagens, alimentada com verbas da Assembleia da República, que pagava as despesas de deslocação. Como as viagens requisitadas não eram feitas pelo ora presidente do PSD, a conta-corrente serviu para pagar despesas particulares, entre as quais, uma viagem da sua mulher a Paris, estadias em hóteis em Vilamoura e Madeira, e ainda umas entradas no Casino Estoril."
Menezes foi, à data, acusado de burla, mas forneceu às autoridades uma morada inexistente. Comprometeu-se a prestar declarações no Ministério Público, mas faltou apresentando atestado médico e depois ausentou-se para Paris, levando o MP a concluir que Menezes estava objectivamente a obstaculizar o célere andamento da justiça.
A reacção de Menezes foi da mais primária arrogância. Insultou o Ministério Público e garantiu taxativamente que não seria julgado. Sabia do que falava, pois o processo prescreveu.
Menezes, que ainda por cá anda, intitula-se como o renovador da classe política.
Mas destes políticos não precisa o país.
Ave Caesar
(fonte: Expresso, 11/09/1999)

Quem é o palhaço?


CARNAVAL DA MEALHADA - matéria que anda perto de se tornar nauseabunda.
Confesso que, numa primeira impressão sobre o assunto, ainda andei tentado a dar o benefício da dúvida à Associação organizadora. Mas agora, parafraseando Freitas do Amaral, diria "é preciso ter topete!!".
Mas que queriam estes senhores? Que a CMM abrisse os cordões à bolsa sem limites e permitisse que fossem gastos à tripa forra e desregradamente os dinheiros públicos? Três Reis do Carnaval!!
Depois duma 1º proposta de 75.000,00 €, o "Mr. Scrooge" Carlos Cabral subiu a fasquia para 100.000,00 €, valor mais que suficiente para que a Associação de Carnaval pudesse respirar de alívio, deitar as mãozinhas à obra e também realizar, por si, algum trabalho relevante. Sim, porque como já aqui foi dito não é só fazer a festa com o dinheiro alheio. É ainda necessário arrojo para conquistar outras fontes de financiamento.
O problema é que a ACB, na qual se incluem membros com uma "vasta" experiência empresarial, nada fazem para enobrecer o Carnaval e demonstrar aos seus críticos que, além de ser o evento chave do concelho, é também auto sustentável. Ali ainda reina a cultura do subsídio, tão amiga dos preguiçosos e indolentes.
A melhor decisão da ACB foi tomada há 2 dias atrás: obviamente, demitiram-se.
Demitiram-se porque, não obstante a Câmara ter proposto um aumento do financiamento superior a 30%, não lhes bastava e exigiam mais 30.000,00 €.
Parece que esta Associação se demitiu definitivamente (será?) das responsabilidades organizativas e deixa a realização do Carnaval a quem vier.
Pergunto eu: não será a altura das Escolas de Samba criarem uma "task force" e, em conjunto com um mais que benevolente Cabral, tomar as rédeas do Carnaval?
Ave Caesar

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"en passant"


E ao terceiro dia, ei-lo de de volta.
O líder "en passant" do PSD comunicou ao país que acumulará a presidência da Câmara de Gaia com a presidência do partido.
Um Menezes francófono justificou a sua posição por comparação com "grandes líderes" (sic) europeus, entre os quais Alain Juppé.
Para os que não se recordam, Juppé foi líder do conservador UMP (União por um Movimento Popular) enquanto também assumia as funções de Vereador das Finanças na Câmara do Paris. Juppé foi ainda o protagonista dum enormissimo escândalo político porque pagava salários a 7 membros do seu partido como se de funcionários da Câmara se tratassem.
O caso foi descoberto, provocou um escândalo na França e ditou o afastamento de Alain Juppé da política durante dois anos.
O velho ditado "diz-me com quem andas, dir-te-ei como és" cola-se bem a Menezes e às suas alusões e inspirações políticas.
Ave Caesar

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Acédia ou assédio





"ACEDIA", escrevia Pacheco Pereira no ABRUPTO sobre este complexo pecado espiritual da imensa lista da Igreja Católica. Segundo S. Tomás de Aquino (Summa Theologica) a acedia é a indiferença face ao mal, uma "tristeza" face ao bem (Tristitia de bono spirituali) que mata a acção, um torpor perante uma obrigação presumida.

Este "estado de alma" é uma constante em Luís Filipe Menezes, perante o descarado plágio, perante a utilização dum jacto privado em campanha propriedade dum empresário com negócios vultuosos na cidade de Gaia e, ainda, perante um défice superior a 250 milhões de euros da Câmara que governa à distância.

Mas depois da ACEDIA, Menezes terá agora que lidar com outro "estado": o ASSÉDIO.

O assédio dos enjeitados de outrora, aqueles a quem Menezes vendeu a alma para poder ganhar estas eleições. Aqueles a quem prometeu os lugares de deputados no Parlamento Europeu, nas autarquias, e bons empregos que a influência do cargo pode arranjar.

O problema é que candidatos são muitos, mas os lugares são sempre escassos. Menezes deve recordar ainda o que causou a despromoção de Henrique Chaves pelo anterior 1º Ministro Santana Lopes.

Ave Caesar

My left foot


O recém eleito presidente do PSD sumiu-se. Após as parcas declarações de vitória, esfumou-se, como se poderá esfumar a influência do PSD nos próximos 2 anos.
Acredita-se que Menezes poderá ter parado para ouvir. Mas do que ouviu, certamente concluirá que mais vale continuar escondido pois o futuro não lhe será risonho.
Há dias num jantar de influentes empresários nacionais dizia-se que se Menezes entrasse na sala e gritasse "Fogo, o edifício está a arder!!", ninguém arredaria um pé do seu lugar.
O estigma está-lhe colado na testa. E a essa aparente falta de credibilidade, soma-se o populismo demagogo e, porque não, perigoso.
Marcelo Rebelo de Sousa, quase na sequência da intervenção de Mário Soares, alertava já para os novos tempos que se avizinham. Vaticinava o Professor que Menezes sofre duma veia populista superior à de Santana Lopes. Tanto mais grave, quando o acusa de ter um bloco de interesses com o PS, fruto de nos últimos meses ter apostado em opor-se a todas as propostas de Marques Mendes e, por consequência, seguir linhas de rumo idênticas às de Sócrates, nomeadamente, na não redução de impostos, na regionalização e no referendo europeu.
Como fará então oposição ao Governo PS?
Uma única certeza vai ficar. Sócrates quase já garantiu a maioria absoluta em 2009. E a blindagem que Menezes irá fazer ao PSD irão tornar difícil apeá-lo nesse mesmo ano.
Ave Caesar.
Nota: Por cá, a outrora oposição já começou o seu trabalhinho para derrotar a Comissão Política em funções. Antigamente dizia-se que os regimes não eram derrotados, mas antes se corroiam internamente. A estratégia para o derrube está bem à vista: promoção da guerrilha Breda Marques/Carlos Marques com o "envenenamento" mútuo. E o pior é que parece que ambos caem na ratoeira.