
Longe vão os tempos em que Salazar dizia que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses. Nessa altura a cerveja era apenas vendida numas quantas tabernas da especialidade em Lisboa por uns alemães à procura duns raios de sol.
Hoje os tempos são outros e apesar do vinho ter sido muito maltratado nos últimos 20 anos, a verdade é que começa a ressurgir uma cultura "gourmet" ligada aos vinhos de qualidade produzidos em Portugal. Esta moda, se assim lhe podemos chamar, está sobretudo aliada a uma nova mentalidade dos produtores de vinho que viram no néctar uma vastidão de potencialidades - enotecas, enoturismo, mostras gastronómicas, etc.
Na Mealhada, a Adega Cooperativa vive um ciclo contrário. Enquanto a Sociedade Agrícola Messias, a Casa Sarmento e outros pequenos produtores estão a dar o salto qualitativo, a Cooperativa asfixia.
E não obstante o esforço da actual direcção, que conseguiu reduzir o passivo e os custos administrativos, a verdade é que o penhor mercantil que existe desde 1997 impede a Instituição de comercializar o vinho e assim ter capacidade para ultrapassar este ciclo negro. Aliada a esta dificuldade nota-se uma quebra de 3 milhões de kilos para 300 mil kilos de entrega de uvas dos sócios à Cooperativa.
É lamentável que um Município que elegeu o vinho como uma das "4 Maravilhas da Mesa da Mealhada", veja um dos seus nobres parentes sucumbir.
Ave Caesar
















