
Há pouco, após passar os olhos pelos meus vizinhos, assaltou-me um raciocínio acerca dos nossos tão criticados políticos concelhios: o que teria sido deles se não fosse a política?
Começando pela "doce oposição" recordo que há 20 anos César Carvalheira talvez estivesse nos seus anos de glória empresarial, tendo pouco depois deixado a Mealhada para se perder pelo mundo futebolistico como Vice -Presidente da Federação de Futebol então liderada por Vítor Vasques. Que lhe traria a vida se não fosse a política? Provavelmente não teria tido aquela debutância pelas esferas do desporto e continuaria na senda das obras públicas. Hoje por certo estaria melhor - financeiramente, digo - mas igualmente afectado pela crise que arrasa qualquer empresa de pequena ou média dimensão.
A Breda Marques vaticinava-lhe o mesmo futuro, mas sem palco. Dedicado a uma empresa por si criada do nada, sem ajudas de "padrinhos" que, para o caso, pouco ou nada serviriam. Por certo, e ao contrário do antecessor e também empresário, estaria de melhor com a vida.
No PS a situação parece que se inverteria. Há vinte e cinco anos , mais coisa menos coisa, Cabral era um ilustre desconhecido professor não licenciado substituto numa Secundária da Mealhada. Hoje seria isso e nada mais, sem qualquer desprestígio para uma classe que admiro pelos enormes sacrifícios sem compensação à altura.
Marqueiro era também há 20 anos um economista duma empresa à beira do colapso e, provavelmente, não obstante as capacidades técnicas que lhe reconhecemos, ter-se-ia perdido numa imensidão de técnicos sem soluções para o desafogo das empresas que representariam.
Fácil é ver quem são os beneficiados da política e quem são aqueles que necessitam de se agarrar à sua influência política como lapas, pois, à falta dela, tudo na vida lhes seria uma madrasta.
Ave Caesar