sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Relações perigosas II


No último post escrevi que a promiscuidade entre empresas e partidos políticos é transversal e impune no nosso país.

Os financiamentos paralelos, e à margem da lei, das empresas aos partidos políticos convivem saudavelmente com os favores que as forças políticas retribuem quando no exercício do poder.

No entanto outros malabarismos são praticados descaradamente.

Luís Filipe Menezes, em campanha para as directas do PSD, numa visita aos Açores utilizou um avião particular emprestado por um "amigo" que, por mero acaso, é apenas um grande empresário ligado ao sector imobiliário, desconhecendo-se, por ora, se terá ou não interesses imobiliários no concelho de Gaia.

Questionado sobre o assunto, Menezes terá feito a mesma expressão de ingenuidade e inocência que esboçou quando foi desmascarado pelos sucessivos plágios do seu blogue de campanha.

A promiscuidade é, por si só, grave. Mais grave ainda é se a banalizamos.

Ave Caesar

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Ganzado ou laureado?


No seguimento de algumas rusgas, foram ontem detidos ou meramente identificads em Lisboa, alguns meliantes que se dedicavam, entre outras coisas menores, às perigosas actividades de venda ambulante ou de venda de "pseudo-drogas" (expressão usada pela porta-voz da PSP).

Por pseudo-drogas entende-se, ficámos então a saber, a venda de louro (sim, louro) em pó prensado que os ardilosos vigaristas vendiam como haxixe.

Foram então detidos porquê?

1.Não estavam a vender nenhum produto proibido.

2.Estavam a contribuir para a diminuição do consumo de drogas, coisa que a PSP manifestamente não consegue.

3.Estavam a promover a dieta mediterrânica.

Um dia destes ainda vamos ver as nossas autoridades no Intermarché da Mealhada e deter quem comprar louro em pó para pôr nos bifes.

Ouro líquido


"Devemos vender cerca de 10 milhões de euros de Formas Luso por ano, em vendas líquidas, o que poderá significar dois a três por cento do colume de facturação da S.C.C."

"As Aguas do Luso podem vir a facturar qualquer coisa como 45 a 50 milhões..."

"A Formas Luso é 98% água, portanto é água".

Alberto da Ponte - revista Invest Set 2007


Eis um produto endógeno que sustenta uma empresa.

Embora o conceito Formas possa ser aplicado a outras águas, o facto neste momento é que se produz apenas com água do Luso e obtem muita da sua notoriedade em termos de mercado por esse mesmo facto. Tenho dúvidas que uma suposta Vitalis Formas ou Frize Formas possam vender tanto como a Luso.

Há uma nova estrela na companhia e essa estrela baseia-se em noventa e oito por cento de um produto que é nosso.

O ouro do sec XXI é a água. Quem detiver a água deterá o mundo.

Não me venham agora com paleios.

Há quanto tempo é que a SCC diz que procura um parceiro estratégico para revitalizar as termas?

A SAL não mostra por actos ter grande vontade de revitalizar as termas: não é esse o seu core business!

A Câmara Municipal da Mealhada tem que assumir um papel duro pois está em jogo o futuro de toda uma actividade económica e quem efectivamente tem ganho dinheiro com toda esta situação continua impávido e sereno apenas a pensar em novas funcionalidades para a nossa água com o único objectivo de aumentar a sua facturação.

O Turismo no Luso só não vai continuar moribundo porque acabará por morrer...


Ti adoro!


Logo à noite vou olhar para o céu com atenção e tenho a certeza que vou encontrar uma nova estrela.

Relações perigosas


Nos últimos dias rebentou mais uma bomba nas mãos do PSD, relacionada com o financiamento ilegal da empresa SOMAGUE ao partido.

O esquema não é novo nem exclusivo do PSD. Apesar dos factos remontarem a 2001, altura em que não obstante o esquema ser ilegal, não constituia crime mas mera contra-ordenação, o Ministério Público optou no âmbito duma investigação não realizar mais diligências e assim não descortinar se houve posteriores favorecimentos do Governo de Barroso à dita empresa, como se afirmava nos corredores dos jornais.

Em Portugal, existe cada vez menos jornalismo de investigação e a suposta adjudicação de obras- ex: auto-estrada litoral centro - ou favorecimento à dita empresa em concursos internacionais, fica pelo boato, sem chegarmos a conhecer os meandros desta aparente teia de interesses mútuos.

Marques Mendes e Durão Barroso suspiraram de alívio com o arquivamento dos processos e a responsabilidade, pelo menos moral, fica com um quase moribundo Vieira de Castro. O qual, sem possibilidades de se defender, carregará as culpas além túmulo.

O financiamento ilegal dos partidos por empresas existe, ainda que em dimensões mais modestas, nas autarquias. De igual modo, também aqui não são investigadas as perigosas relações que se estabelecem entre o poder autárquico e as empresas que, persistentemente, "ganham" os concursos para adjudicação de obras, em prejuízo daquelas que, por norma, nunca são "premiadas" ou puramente não são convidadas a participar nos mesmos.

Ao nosso senso comum basta estar alerta, porque os casos são mais ou menos flagrantes. Só que apenas se comentam em off. Entretanto, os meliantes podem dormir descansados no travesseiro da impunidade porque neste país nunca se vai mais além por diversos receios e compadrios.

Ave Caesar

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O Limbo


Na Divina Comédia, Dante mostrava-nos um limbo. Um espaço de agonizantes sem esperança de subir ao Reino dos Céus porque lhes faltou a fé em Cristo, onde expiam o seu passado, imaginando a vida que poderiam ter tido após a sua morte.

Ainda que carregada de metáforas, é a imagem que, ano após ano, me salta à memória perante as indefinições e incertezas que se colocam a todos aqueles professores que não conseguiram colocação.
A frustração das expectativas daqueles que se atreveram a crer nos Governos que lhes abriram as “Portas do Céus” – vulgo, faculdades – prometendo-lhes saídas profissionais que, na prática, não existirão. Findas as licenciaturas, publicando-se os resultados dos concursos, são milhares os que todos os anos expiam um pecado alheio. O pecado da sua crença nos sucessivos Governos que lhes vendem a “banha da cobra” e se permitem votar ao abandono todos estes recursos humanos.

Este ano, contaram-se 45 mil candidatos condenados a um purgatório sem Céu à vista, condenados a um inexpugnável limbo onde as suas almas penam eternamente.
Ave Caesar

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

A hipocrisia


"We are a democracy like any other democracy in the world"

Estas palavras foram proferidas por Patrick Chinamara, Ministro da Justiça desse grande "democrata" Robert Mugabe, presidente dum país irreal chamado Zimbabwe.

Mugabe foi o paladino duma reforma agrária que se traduziu na expulsão de milhares de empresários agrícolas brancos, com vista a uma redistribuição das terras pelos negros. Esta decisão, aplaudida por outros países africanos, teve como consequência a ruína de todo o sector agrícola, uma inflação de 1.600% e um êxodo massivo das populações para os países vizinhos.

Crê-se hoje que, ao contrário do que apelava publicamente, Mugabe entregou as terras a familiares de membros do governo, sem qualquer qualificação agrícola, e que hoje vivem de subvenções públicas ou, simplesmente, deixaram as plantações ao abandono.

Estranho é que até à independência nos anos 80, este era um dos mais prometedores países de África e hoje é um dos menos produtivos. O desemprego ronda os 80% e a escassez alimentar faz adivinhar uma catástrofe humanitária de proporções bíblicas.

É este "democrata" que Portugal se prepara para receber de braços abertos na Cimeira África/Europa, sem qualquer tipo de advertência ou condenação pública. Lembremos que em 2003 esta cimeira foi adiada sine die porque diversos dirigentes políticos, especialmente britânicos, não pretendiam pactuar com um desregrado violador dos direitos humanos.

Portugal, aparentemente, sacrifica os direitos humanos em prol de benefícios económicos.

É Sócrates em todo o seu esplendor.


Ave Caesar