
Na Divina Comédia, Dante mostrava-nos um limbo. Um espaço de agonizantes sem esperança de subir ao Reino dos Céus porque lhes faltou a fé em Cristo, onde expiam o seu passado, imaginando a vida que poderiam ter tido após a sua morte.
Ainda que carregada de metáforas, é a imagem que, ano após ano, me salta à memória perante as indefinições e incertezas que se colocam a todos aqueles professores que não conseguiram colocação.
A frustração das expectativas daqueles que se atreveram a crer nos Governos que lhes abriram as “Portas do Céus” – vulgo, faculdades – prometendo-lhes saídas profissionais que, na prática, não existirão. Findas as licenciaturas, publicando-se os resultados dos concursos, são milhares os que todos os anos expiam um pecado alheio. O pecado da sua crença nos sucessivos Governos que lhes vendem a “banha da cobra” e se permitem votar ao abandono todos estes recursos humanos.
A frustração das expectativas daqueles que se atreveram a crer nos Governos que lhes abriram as “Portas do Céus” – vulgo, faculdades – prometendo-lhes saídas profissionais que, na prática, não existirão. Findas as licenciaturas, publicando-se os resultados dos concursos, são milhares os que todos os anos expiam um pecado alheio. O pecado da sua crença nos sucessivos Governos que lhes vendem a “banha da cobra” e se permitem votar ao abandono todos estes recursos humanos.
Este ano, contaram-se 45 mil candidatos condenados a um purgatório sem Céu à vista, condenados a um inexpugnável limbo onde as suas almas penam eternamente.
Ave Caesar
5 comentários:
Culpa do portuga típico que, mal aprende a falar diz que quer é ser reformado quando for grande. Depois, acomoda-se e, falho de rasgo e iniciativa, procura um emprego que nao dê muitas chatices e que ainda por cima proporciona mais férias do que é corrente: ser professor! (com letra pequena).
...o que só pode dar como consequência o cabo dos trabalhos que está à vista!
Meu caro Gaius:
Será que os Governos tem culpa de tudo? Se os Governos não abrem cursos superiores "aqui d'el Rei" que não há cursos para os candidatos! Se abrem, "aqui d'el Rei" que vão todos para o desemprego!
Fala dos professores, porque não falar dos enfermeiros também, por exemplo?
E dos licenciados em direito?
E dos assistentes sociais?
Enfim.... são tantos os desempregados licenciados!
Parece-me é que os governos não podem ser os bodes expiatórios para tudo...
Só se evolui com selecção. Seja na natureza, seja no dia a dia das civilizações.
Em tudo isto, e especificamente no caso dos professores, a resultado só tenderá a melhorar pelo facto de, de toda uma massa crítica, emergirem e vingarem apenas os melhores. Claro que ainda falta afinar o processo de selecção, o que provavelmente demorará anos, mas o caminho é este.
Neste particular, há-de notar-se mais porque o numero de alunos tambem está a decrescer.
São tantas as situações semelhantes: a mecanização de tarefas, a informatização, o racionamento de meios, os aumentos de produtividade. E para todas tiveram que nascer soluções.
Resta aos professores não colocados apenas um caminho:qualquer outro!
É isso mesmo.
Apesar de toda a compreensão e solidariedade que merecem os professores sem emprego, a verdade é que o mundo não pode limitar-se a dar licções. A verdadeira licção que pode ser dada é ultrapassar esta conjuntura desfavorável e partir para outra. Haja imaginação, iniciativa e arrojo, que trabalho não faltará!
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