quinta-feira, 5 de julho de 2007

BRIC


Segundo prevê a Goldman Sachs, o grupo BRIC (Brasil, Russia, India e China) substituirá até ao meio do século, o grupo G8 em termos de liderança da economia mundial.
Confirma-se pois que a trabalhar honestamente ninguem enriquece. Estes meninos têm entre eles (uns mais que outros) um verdadeiro maná de atropelos à condição do ser humano. Assistimos atónitos a um mundo que cresce cada vez mais sem sustentabilidade, sem regras, sem respeito e sem valores.
Assim se mostra o futuro.

Tempo

Edward Hooper - Nighthawks 1942
Parar para tomar um café já foi um acto de cidadania.

quarta-feira, 4 de julho de 2007


É sintomático. De tempos a tempos temos que regressar ao nosso pequeno "canteiro", às nossas questões comezinhas, ou seja, ao dia-a-dia dos nossos políticos e questiúnculas partidárias.

Para amanhã está agendada sessão pública na Câmara da Mealhada onde, segundo a edição on line do JM, vão ser tratados temas "quentes".

A saber, a última matreirice de Carlos Cabral aos vereadores do PSD, a propósito da proposta destes vereadores a uma candidatura ao programa de voluntariado para a vigilância da floresta do IPJ. Sendo que Carlos Cabral aceitou agendar aquela proposta para este reunião quando ele mesmo havia apresentado idêntica proposta em 18 de Junho passado, sem nada comunicar aos vereadores do PSD.

Ora se Cabral poderá ser desculpado por não ter dado conhecimento da sua proposta ao PSD, ainda compreendemos. Agora submeter aqueles Vereadores ao vexame de aceitar discutir uma proposta que já havia sido por si apresentada, mostra a lisura de procedimentos do indivíduo.

Ninguém lhe nega a maioria, ninguém lhe nega a vitória eleitoral. Negamos-lhe sim é um procedimento que a não ser claramente esclarecido pode levar a dúbias interpretações acerca do carácter de determinadas pessoas.

Aguardamos explicações.


Ave Caesar


terça-feira, 3 de julho de 2007

Rir é o melhor remédio..


O candidato à CML, pelo PSD, FN, anterior director da PJ, numa entrevista à TSF, meteu os pés pelas mãos e referiu-se ao IPPAR quando pretendia falar da EPUL e trocou esta por EPAL.

Confundidos? Até eu estaria.

Preparava-me para tratar o assunto de forma jocosa publicamente mas lembrei-me: "Hummm...nos dias de hoje se calhar é perigoso falar de figuras políticas. Ainda levo um processo disciplinar da Directora lá dos meus serviços e vou para o olho da rua."

Mas aquilo que podia ser considerada uma gaffe susceptível de aproveitamento pelos adversários políticos, logo o PSD tratou de o transformar em trunfo. Da fraqueza se fez força e criou-se um cartaz dizendo: "NO DIA 15 VOTE NESTA SIGLA - PSD - PARA PÔR NA ORDEM AS OUTRAS SIGLAS."

Para mim o homem ganhou pontos. Alguém que sabe rir-se de si próprio, que não se julga perfeito e isento de erros é um exemplo a seguir. Nada mais me incomoda que aqueles políticos que se rodeiam de bajuladores, que se julgam sentados num trono de actos perfeitos e convivem mal com qualquer crítica que lhe possam apontar. A esses o futuro nada reserva.
Quando um qualquer político não demonstra capacidade de contornar os seus aparentes fracassos, quando não dá a volta por cima, argumentando de forma inteligente e procurando uma saída airosa, certamente será remetido para a prateleira dos "empoeirados", porque dos fracos não reza a história.


Ave Caesar

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Do espólio do SIS

Excerto das escutas da Câmara Municipal da Mealhada
Origem: Gabinete da Presidência
Destino: Centro de Saúde da Mealhada

Operação: "Quem se mete com o PS leva"
Inspector: Closeau... a pantera cor-de-rosa

1800 horas 29.06.07
(Afinal na Câmara trabalha-se depois das 5...)

- Está? Alfredo? Liga-me ao Centro de Saúde.
- Ok Sr. Presidente. Para falar com o Dr.Nunes?
- Não, não, não. Para falar com o Dr. Zé António.
- Dr. Zé António? mas o director é o Nunes, sr.presidente...
- Ó Alfredo faça o que lhe peço.
- É para já senhor presidente.
(espera...)
- Está? Zé António? É Cabral. Olhe já está o que combinámos? É desta que a gente o põe fora.
- Ó Cabral, mas acha que isto vai resultar?
- Ó Homem não seja medroso. Vai tudo correr bem. Você afixa o cartaz no placard depois de ele se ir embora. Manda-me um toque para o telemóvel e eu mando a secretária fazer um telefonema anónimo para os jornais a dizer que está a acontecer um coisa importante no Centro de Saúde. Eles vão lá e fotografam e a seguir, para aí na segunda-feira ligam-me e eu telefono para o ministro e terça-feira o lugar de director é seu outra vez! Vai ser como limpar o rabinho a meninos...
- Não sei...
- Não seja inseguro.
- Olhe qual é o cartaz que ponho?
- O que é que aí tem?
- Tenho um a dizer o Ministro da saúde é Tonhó e cheira mal da boca
- E mais?
- E o outro a dizer 'O Correia de Campos abafa a palhinha'...
- Não sei...
- Nem eu...
- Olhe, ponha os dois! Vá lá, fico à espera do seu telefonema. Isto desta semana não passa!
- Seja o que Deus quiser!

Fim da chamada
Agente Manuel

domingo, 1 de julho de 2007

God save the Queen

Não sendo monárquico, reconheço nas monarquias algumas vantagens por comparação com as democracias eleitoralmente sufragadas.
Desde logo, porque não se encontram submetidos às "ditaduras dos votos" e, como tal, podem agir de acordo com as suas convicções, desdenhando as headlines jornalisticas.
Isabel II ao atribuir o título de "Sir" ao escritor Salman Rushdie, decerto imaginaria que tal acto iria levantar vozes ou mesmo torná-la agraciada com uma fatwah.
Na realidade, logo se levantaram os protestos do Paquistão e do Irão, que aproveitaram para mais uma vez mostrar a sua imbecilidade fundamentalista, exigindo da Grã-Bretanha um pedido de desculpas.
O cobardolas Governo Blair veio logo a terreiro, demonstrar a sua preocupação pela possibilidade dum eclodir de manifestações fundamentalistas - talvez os atentados de ontem sejam já a resposta do Islão intolerante ao gesto da Rainha - mostrando, mais uma vez, uma subserviência bacoca dum país com a grandeza da Grã-Bretanha.
A rainha, ao invés, não vacilou. Se não foi o cerco nazi que nos anos 40 a derrotou, quando caminhava entre bombas, não seriam os "infieis" que a fariam curvar-se.
A postura de certos homens e mulheres vê-se na verticalidade que demonstram em todos os pequenos gestos as suas vidas.
Ave Caesar

Uma “História” sem fim.


Em 1992, Francis Fukuyma anunciava o fim da História. Na sua obra “The End of History and the Last Man”, teorizava que com a queda do muro de Berlim e o consequente desmoronamento do Império Soviético, a democracia liberal prevaleceria e tornar-se-ia global e globalizante.
Como a maior parte das teorias, a probabilidade de falibilidade é enorme. E a demonstração do erro ocorreu perante os nossos olhos em 11 de Setembro de 2001.

Desde essa fatídica data a nossa concepção de segurança e estabilidade ocidentalizada claudicou perante o fanatismo que se propagou, qual pandemia, por todo o nosso civilizado mundo.

Já na madrugada de Sábado a polícia britânica desmantelou engenhos explosivos colocados dentro duma viatura num local habitualmente muito frequentado. Neste mesmo dia, um outro atentado foi praticado em Glascow, desta vez com êxito mas, felizmente, sem vítimas mortais.
Agora que o terrorismo nos entrou pela porta da frente, cabe-nos reflectir sobre toda política que vem sendo praticada nas últimas décadas. Políticas de integração falhadas, liberdade religiosa para propagandistas anti –ocidentais, criação de verdadeiros feudos fundamentalistas escudados pelas nossas tolerantes democracias e, pelo outro lado, um cinismo atroz quando permitimos que em determinados países se recrutem terroristas nas franjas mais pobres e desfavorecidas, nos indigentes a quem a vida terrena nada mais promete, enquanto alimentamos as cleptocracias do petróleo que promovem o fundamentalismo.
Londres assinala dentro de oito dias o segundo aniversário dos atentados de 7 de Julho, que fizeram 56 mortos. Desde então nada mudou.
A constante reflexão e a procura de sentido, no entanto, urge fazer-se, sob pena de regresso aos califados.

Ave Caesar