
Na sexta feira à noite, num aziago dia 13, preferi transformar-me num midlle class citizen, à imagem dum qualquer subúrbio norte-americano, e enfiei-me numa poltrona a ver a final do American Idol. David Archuletta versus David Cook foi o combate dum peso pluma contra um peso-pesado onde a pluma venceu o peso por knock-out ao som duma extraordinária versão do Imagine de Lennon.
Entretanto, parece que noutros ringues se assistia a fraticidas combates: um em tons laranja, outro debruado a rosa.
Pelos lados do PSD não chegou sequer a haver combate por falta de comparência de qualquer opositor. Disseram-me que entre cerca de 80 militantes, os poucos que têm sido vozes discordantes do líder da concelhia laranja entraram mudos e saíram calados, não tendo, ao contrário de outros combates, havido debate contrário ao sinal da maioria que pagou bilhete para ver um pouco de sangue.
Sinal de novos tempos de bonança, dizem-nos.
Pelos lados do Partido Socialista assistia-se a uma espécie de primárias entre os dois já anunciados candidatos a candidatos. O resultado fica para a História. Na eleição de delegados para o congresso do PS que se realizará daqui a duas semanas, Marqueiro venceu Cabral por um claríssimo knock out - mais de 130 votos para Marqueiro contra cerca de 30 para Cabral.
Cabral, que podia certamente ter-se poupado a esta humilhação, foi derrubado por um jab de direita que causará mossa futura e colocará em causa o seu desejo de candidatura. Pelo menos no partido já sabem o quanto (não) vale.
Ave Caesar
7 comentários:
Caro Gaius,
Presumo que não estejas na posse de todos os pormenores em relação ao caso do PSD.
Eu estive no plenário e posso elucidar-te:
1.O candidato estava escolhido desde o dia em que esta comissão política tomou forma e não o ter assumido quando tomou posse denota inexperiência política, principalmente dos assessores, porque do presidente não se esperariam tais rasgos. Com esse gesto teriam evitado ter que ouvir o presidente da mesa dizer, em pleno plenário, que não é o melhor candidato, é apenas o que se pode arranjar. Mais uma vez (e começam a ser muitas), o PSD da Mealhada vai a votos com o que se conseguiu arranjar.
2.A comissão política conseguiu, à terceira, arranjar gente suficiente para compor a sala a seu favor de modo a poder montar um número de circo: votação de braço no ar a lembrar os tempos do PREC tão caros a algumas pessoas presentes. Supostamente ideia do candidato que pretendia sair em ombros com rabo e duas orelhas cortadas. Ou então salvaguardar, em caso de derrota eleitoral, ter sido praticamente empurrado para a candidatura pelo plenário. Uma simples opinião acerca da questionável legalidade de tal acto levou a mesa do plenário a apontar de imediato o dedo ao candidato (um gesto de solidariedade) que, sem saída, recuou e logo aceitou ser candidato sem plebiscito. O voto secreto afigurou-se-lhe arriscado demais...
3.Da oposição não encapotada contavam-se não mais que cinco ou seis pessoas que se mantiveram serenas por serem pessoas educadas (se fosse ao contrário...), que cumprimentaram o candidato e que fizeram os comentários (um deles a tal questão da legalidade acima aludida) estritamente necessários às exigências da ocasião.
4.Como militante, apelo ao voto no candidato do meu partido. Se o não fizesse, estaria a violar o dever de militância.
Vou fazer campanha pelas listas que o candidato apresentar, rigorosamente na mesma medida em que o candidato e a sua "entourage" fizeram nas últimas autárquicas em que eu fazia parte da comissão política. Não serei assertivo ao extremo de ir "espalhar a mensagem" para os jantares do candidato do PS como alguém fez há quase quatro anos, mas ajudarei dentro das minhas possibilidades.
Ao contrário do que disse o candidato na página dois ou três do seu improvisado e comovido discurso, o passado não é para esquecer. E este é também um recado para o seu ghost writer: só a lembrança do passado permite evitar os erros do futuro - a isso chama-se sabedoria.
Melhores cumprimentos
Pedro Costa
Militante do PSD
Noutros tempos a oposição laranja - que agora detém a cadeira do poder - era espalhafatosa, arruaceira, "boateira"...
A actual oposição defende o que sempre defendeu: as lutas devem ser internas, se não há propostas melhores a apresentar deixem trabalhar quem está, se a antiga oposição que tanto desejou o poder tem propostas a apresentar e desenvolver que faça essa caminhada e prove o seu valor!
Não seremos pedras na engrenagem.
Somos educados e, ao contrário de outros, sabemos que ser democrata significa também respeitar as opiniões da maioria.
Votos de um bom trabalho!
Em Outubro cá estaremos para a análise dos factos demonstrados nas urnas.
Caro amigo,
Eu estive no Plenário do PSD, pertenço à Comissão Política e, como tal, julgo poder estar bem informado para contrariar alguns dos argumentos que acabaste de expor.
1 - O candidato não está escolhido desde o dia em que esta Comissão Política foi eleita pela simples razão que durante meses diversas foram as pessoas sondadas - e não convidadas - para que a candidatura à Câmara não passasse necessariamente pelo candidato ora escolhido. Como terás tido oportunidade de ler nos jornais, o agora candidato nunca enjeitou essa possibilidade mas não fez do assunto uma obrigação.
Pode ser falha minha mas não ouvi neste Plenário qualquer frase do Presidente da Mesa a dizer que este é o candidato que se podia arranjar. Repito, pode ser falha minha.
2 - Argumentar que só à terceira é que a Comissão Política arranjou gente suficiente para compor o Plenário é ser um pouco falacioso e demonstrar desconhecer aquilo que se tem passado ultimamente. Se não houve dificuldadades em trazer tanta gente ao acto eleitoral que elegeu esta Comissão Politica, às eleições macionais, às Distritais e ao último Plenário, julgo ser injusto sequer afirmar-se que havia dificuldade em levar militantes ao Plenário. Depois atiras ao lado quando afirmas que foi a Comissão Política quem quis fazer votação de braço no ar. Como bem sabes é a Mesa quem gere o Plenário e foi a Mesa quem propôs essa forma de votação, que uma militante e muito bem logo afirmou ser ilegal. Como acredito que tenhas estado atento, reparaste na imediata concordância do Presidente da Comissão Política que, por acaso até tenho conhecimento, foi quem levou "boletins" de voto e uma urna para a realização do acto eleitoral. Se és perspicaz reparaste que no topo direito da sala - na tua perspectiva - estava depositada uma urna e boletins.
Receio da votação não me parece que houvesse.
Naturalmente que o Passado não deve ser esquecido. Os erros cometidos por muitos devem fazer parte da experiência que nos guiará no futuro.
Um abraço
AMF
Escusado será dizer que, para mim, este assunto está encerrado.
Não pretendia fazer comentários. Apenas me encontrei nessa contingência para aclarar um pouco o cérebro, cansado de séculos, do Senador Gaius Germanicus.
Daqui para a frente, ou renuncio à militância ou cumpro a militância.
Não sou dos que prometem intenções que pretendem quebrar tão rápido quanto as circunstâncias lho permitirem.
Boa sorte AMF no caminho que escolheste e que, se julgo conhecer-te, tens bem planeado.
Será sempre um prazer argumentar e contra-argumentar contigo. Pela simples razão que sei que, pelo facto de não partilharmos os mesmo pontos de vista, não deixaremos de partilhar a mesma mesa.
AMF
Quer V. Ex.ª dizer que o Cabral levou um jab de esquerda vinda do Luso. Pois, porque o Jorgito Carvalho onde entra é sempre a matar. Desta vez só lhe faltaram 3 upercuts para por o Cabral a zero.
Que vergonha para os 4 moscãoteiros da Câmara. É assim que vão provar a Lisboa que merecem ficar na CMM?
Olhe que não, olhe que não!
NOTA-SE. Porque será que têm tanto medo do Cabral, ao ponto de terem de recorrer sempre à armada do Luso.Assim é fácil arranjar maiorias.
Quanto ao Gaius sempre que pode mete a farpa no Cabral ou em alguém da equipa. Um verdadeiro intriguista. Não sabe mais. Provavelmente serão ossos do oficio. Talvez o Cabral um dia o convide para uma reunião, como aquelas que tem efectuado com o Marqueiro.Veremos!
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