quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Esquerda, direita, volver...


Já imaginava que as diferenças entre Esquerda e Direita - politicamente falando - teriam que ser algo mais profundo que mera "tendência".
Há por aí um estudo que tem provocado grande alarido e que indica que as diferenças entre a Esquerda e a Direita podem estar relacionadas com diferentes formas do cérebro processar a informação. Ou seja, é algo de inato e explicado através da neurobiologia.
De acordo com esse estudo, a Direita -"conservatives" - tende a ser mais estruturada e persistente nos seus julgamentos, enquanto a Esquerda - "liberals" - são mais abertos a novas experiências e frequentemente mudam de opinião sobre determinada matéria. Ou seja, mais depressa fazem "flic-flacs" doutrinários, se nos cingirmos à política.
O interessante é que a prática confirma a doutrina. No nosso panorama político assistimos a muitas cambalhotas da Esquerda para a Direita - Durão Barroso, Pacheco Pereira, Zita Seabra, Pina Moura - mas, assim de repente, não me recordo de nenhuma viragem à esquerda.
Isto a propósito também da recente polémica sobre a visibilidade mediática dada à selecção de rugby que, pela primeira vez na história, participa num Mundial da modalidade.
De acordo com uma certa Esquerda rançosa, aqueles "betos" são uns primatas quando cantam o hino com lágrimas nos olhos e visível emoção. E a ampla cobertura na comunicação social somente existe, não pelo brio dos rapazes, mas somente porque se chamam Uvas, Vasco e Tomaz.
Há preconceitos que urge serem limpos com benzina e cerébros a necessitar dum "upgrade" à Direita.
Ave Caesar

7 comentários:

Lucius Licinius Lucullus disse...

Muito gostava eu de ver o Louçã, que de betinho não tem nada, nadinha, a ser atropelado por um betinho neo-zelandês de 150 quilos a 15 km por hora.

Anônimo disse...

... para ver qual a tendência política de um homem, não é pela ideologia que pratica ou apregoa, mas sim para o lado que tendo o seu respectivo quando erecto!

Anônimo disse...

Não compreendi o tema do post...E menos compreendi estas generalizações e a confusão entre "liberais" e 'troca-tintas'. Enquanto não compreendo, ajudo-o na memória de gente de direita que integrou listas/projectos/ideais de esquerda:
-Sousa Franco(fundador do psd; presidente do psd em 1978);
- Guilherme Oliveira Martins;
- Helena Roseta;
- Júdice;
- Freitas do Amaral (até lhe retiraram a foto da sede do cds);
- A brilhante Natália Correia (eleita deputada pelo ppd, aquando da vitória de Francisco Sá Carneiro, de quem era amiga, acabando os seus dias como deputada do ps - mas o Sá Carneiro também não era de direita, não era um conservador);
- Barreto, Medeiros Ferreira, Francisco Sousa tavares, ...

Quanto ao jogo; fantástico!

Gaius Germanicus disse...

Finalmente reapareceu por cá.
Quanto à temática apenas citei o estudo cujos resultados foram publicados no L.A. Times - vai dizer-me talvez que os "gringos" são superficiais nas suas conclusões e reflexões.
Reconheço que, do meu ponto de vista analítico, as generalizações do estudo têm semelhança com a realidade. Óbviamente poderá dizer-me que a Direita não é coerente mas apenas imutável e avessa à mudança. É uma perspectiva... de esquerda.
Sobre os flic flacs dos enunciados, recordo que a maioria dos nomes que aponta são próximos de Sócrates que, como bem sabe, veio da JSD e pratica políticas de cariz mais liberal do que alguma vez Barroso logrou sequer imaginar (mas ele veio da Esquerda).
Não querendo generalizar e rotular toda a esquerda de "rançosa", o que não é de todo a minha intenção pelo respeito intelectual que a maioria me merece, permita-me somente repetir que há uma certa esquerda que transpira tiques "d`além Muro". Exorta preconceitos e conceitos que até o próprio PCP já se abstém de propagandear.

Anônimo disse...

Gosto muito de ler as análises políticas do Sr. Gaius. Fico verdadeiramente esclarecido.
Sendo ele da direita agora já percebo porque é que eu sou da esquerda!

Gaius Germanicus disse...

Caro anônimo,
Ainda bem que o esclareço e saudo-o por acreditar na diversidade ideológica.

Anônimo disse...

Acreditar e desejar, ao contrário do que deduzo ser o seu caso que fica feliz por, ao que diz, serem cada vez menos os que pensam de forma diferente.
Não gosto mesmo nada de unanimismos. Cheiram a esturro...
Nesta ocasião devo lembrar-lhe ou ensinar-lhe se for jovem, que temos sido sempre governados pela direita, com nome próprio ou disfarçado. Lembra-se do socialismo na gaveta? Pois ainda lá continuará já que não deram notícia de o tirar.
Passe bem.