sexta-feira, 29 de junho de 2007

Os ocos...


Pessoa certamente avisada disse um dia que as ideias só são boas ou más quando alguém as tenta pôr em prática.
A essência da política como objecto de melhoria do bem-estar do indivíduo e por conseguinte do colectivo (sempre por essa ordem e nunca pela ordem contrária) assenta na discussão das ideias. A discussão ao nível das ideias consegue manter o discurso elevado e na grande maioria dos casos resulta num enriquecimento dos litigantes.
Dar mais valor a quem disse do que ao que disse é um exercício curto de pura demagogia.
Assumir como ataque pessoal uma discordância de ponto de vista ou agredir de forma totalmente gratuita quem se pensa que não concorda com uma opinião ou com uma tomada de posição é um exercício reles e que marca mais quem o faz do que quem o recebe.
Quando o indivíduo constrói a sua realidade em terrenos de consistência duvidosa, tem que ter muito cuidado com o sítio onde põe os pés, sob pena de se afundar naquilo que construiu.
São resilientes os que conseguem crescer em cima dos seus erros e inteligentes os que aproveitam a crítica como um meio de desenvolvimento.
Os outros, os que não compreendem, disparam no vazio com a vã esperança de, entre tantos colaterais, se encontrar alguém que valha a pena. Esses, os ocos, que os há e infelizmente muitos, serão um dia recuperados pelo anedotário.

2 comentários:

Gaius Germanicus disse...

Este post devia servir como código de conduta para todos os que nos visitam e comentam.
Só tiranetes e ditadores da América Latina ou duma qualquer cleptocracia africana se deslumbram pelos elogios. Os outros crescem com a crítica, formam a argamassa mental com o contraditório sustentado e fundamentado, procuram a criatividade para além da desonrosa calúnia.
Esses são os homens e mulheres de carácter, que não necessitam de se colocar em bicos dos pés para se fazerem ouvir e respeitar.
Lao-Tsé dizia sabiamente que quem fica na ponta dos pés, tem pouca firmeza.
Eu acrescentava, pouco carácter.

Ave Caesar

Anônimo disse...

Infelizmente são esses, que fazem do poder onanismo e recorrem desesperados ao caciquismo, que, por serem uma maioria, configuram, para a população, o exemplo de políticos portuguesas. Somos ainda uma democracia demasiado verde para termos bons políticos e boa consciência do que é ser-se cidadão. Aliado a isto, a corja de politiquinhos que vamos tendo, que resulta na - normal, aliás - ideia de que a política não é uma arte nobre. Lamenta-se.