Salvé!
Meus senhores: Haja decência. Que o vereador Breda Marques tenha ficado lixado da vida pelo facto do presidente da Câmara não ter autorizado que ele falasse na Assembleia Municipal, tudo bem. Até é capaz de ter razão, se bem que, segundo julgo saber, poderia ter recorrido da decisão para o plenário! Será que o fez? Agora, no seu blogue colocar a imagem do presidente da Câmara, colando-a notóriamente ao lado de Oliveira Salazar, que foi um ditador, meus senhores isso é um abuso. Uma falta de educação intolerável. Ultrapassa todos os limites da retórica política e partidária.
Volta e meia os vereadores do PSD passam-se. Andam sempre a dizer que Cabral e (alguns) socialistas (raramente os ouvimos criticar Marqueiro, o Pai da Pátria), são arrogantes, que são prepotentes, que se insinuam uns arautos da democracia e não são, que são uns mauzões. Depois os tipos do PS criticam os do PSD e estes armam-se logo em virgens ofendidas. A estratégia não está errada. Mas insinuar que Cabral é um Oliveira Salazar, ultrapassa tudo. Não é possível.
O parlamentarismo do séc. XIX criou a figura da imunidade parlamentar para que as discussões dos deputados não terminassem nem em duelos nem nos tribunais. Mas sinceramente, se eu fosse Cabral ponderava agir judicialmente contra Breda Marques.
Cabral terá muitos defeitos mas são-lhe reconhecidas, no período do Estado Novo, atitudes de oposição ao regime salazarista. Foi alguém que se opôs ao regime. Compará-lo, a ele especialmente, a Salazar é muito mais ofensivo do que a qualquer outra pessoa. Que Breda Marques tenha nascido depois do 25 de Abril, que não faça a minima ideia do que era Portugal nessa altura tudo bem. Mas há limites. Não vale tudo!
E espero que os social-democratas da Mealhada se retratem desta atitude de um dirigente distrital ou nacional do PSD, um partido democrático.
Avé Caesar
20 comentários:
Sou Social democrata e tenho que dar razão, infelizmente, ao que escreveu.
Este senhor vai,demasiadas vezes, longe demais.
Talvez por isso o PSD não tenho sido feliz nas duas últimas eleições autárquicas.
Espero que tal venha a suceder brevemente.
A ele um conselho: não acuse de censura os outros quando é você o que mais censura no seu blog; ali só comentários abonatórios para si, escolhidos de uma amálgama de outros que dizem verdades que lhe doem.
Outros deve ser o senhor que os escreve para si mesmo.
É simples !
Tenha vergonha na cara.
Nota: era para escrever isto no blog do breda marques, mas como sabia que não era publicado...decidi faze-lo aqui.
Canilho ao poder!
Coitadinho do Salazar.
A estalagem da saída da auto-estrada, nasceu num dia cinzento ou talvez o proprietário, um português comum, não se saiba mover muito á vontade nos corredores do mando e assim suporta estóica e ingloriamente a importância dos sucessivos poderes, uma peregrinação vulgar a muitos investidores deste país que vêm ir por água abaixo a vontade de fazer alguma coisa pela terra que os acolhe.
Esta terra que nos acolhe não é de facto muito grande mas foi sempre nas suas ditas vanguardas que o português criativo encontrou o caminho da retaguarda, quer através de leis e de costumes paralisantes, quer com atitudes e exageros conservadores e retrógrados onde o inchaço individual que brilha no sapato da burocracia, apaga instantaneamente o interesse colectivo dum país de hesitações e desequilíbrios. E as coisas morrem á nascença, perdidas na importância das secretárias dos importantes ou depois de se fazerem, contra ventos e marés, estão ainda sujeitas a obstáculos desanimadores, ás vezes intransponíveis.
É neste cenário de meter medo a investidores (alguns “políticos”sem espelhos, dizem que são ricos, ganham muito dinheiro e portanto que se amanhem!) que mesmo assim alguns, mais teimosos e timoratos arriscam o seu dinheiro e o dinheiro que pedem á banca, por um sonho e por um juro. Foi assim, creio, que nasceu a estalagem da saída da auto estrada e o respectivo restaurante e que nasceu, para falar apenas em turismo, uma remodelada pensão nas termas do Luso ou é assim que se actualizam, quando o mercado o exige para além do pesado rigor da lei, os restaurantes da fileira do leitão. Para a Mealhada são apostas, desafios, riscos e grandes investimentos. E expectativas de sucesso e de lucro são absolutamente legítimas.
Quem está no meio, sabe que é assim e sabe que os investimentos ao gerarem o seu justo retorno, criam riqueza para os territórios onde estão e criam os postos de trabalho tão necessários para o tecido humano do país.
Por isso os políticos, descendentes directos dos empecilhos antigos, devem agilizar as leis, facilitar os empreendimentos e entender duma vez por todas que estamos no século XXI e quem investe o que tem, tem que o reaver com juros pois não estão na situação cómoda deles mesmo, políticos, cujo rendimento mensal é certo e cai metrónicamente na sua conta bancária quer chova quer faça sol. E não digam que ganham mal, face ás inúmeras cambalhotas que dão e ás casacas que viram para se eternizarem no poder. Até nos municípios pois então! Alguns têm já tantas teias de aranha como os dinossauros donde colhem apelido! Mortos.
Pois ao nosso amigo do restaurante referido, a quem peço desculpa pelo envolvimento nesta crónica, proibiu a Direcção de Estradas de Aveiro, o acesso directo ao restaurante, justificado por ser aquela uma via rápida de acesso á A1. Mesmo depois da rocambolesca operação encetada pelo dono e empregados do dito, foi-lhe cortado drástica e policialmente o acesso. Como nos bons velhos tempos com aparato policial…
Porém, poucos metros á frente, mantêm a mesma Direcção de Estradas o mais perigoso cruzamento deste município que até faz parte dos pontos negros do trânsito distrital. Dum e doutro lado da via, surgem estradas e caminhos aqui e ali. E outro quilómetro á frente, autorizou o estabelecimento dum posto de abastecimento de combustíveis e, mais recentemente ainda, autorizou à Câmara Municipal da Mealhada a plantação duma estranha vinha no eixo da via, de autor desconhecido (?) que, quando crescer, vai sem dúvida tirar a maior parte da boa visibilidade que a nova rotunda tem.
Depois, saindo ou entrando na mesma A1 em Aveiras de Cima, o que encontramos na via de acesso, senão restaurantes, floristas, sucatas e vendedores de melão? Saindo de Portimão para a via do infante, o que encontramos no acesso urbanizado á auto-estrada, não serão até casas de habitação? E saindo em Viana do Castelo, o acesso á cidade é ou não é uma via urbana? E quem sai em Leiria vindo da nova auto-estrada do oeste, não sai para cima duma entrada no continente local? Outros exemplos há por aí que poderíamos pescar, são muitos.
Porquê então a Mealhada e particularmente a estalagem da saída da auto-estrada, há-de servir de rigoroso exemplo para aquilo que deveria ser mas que não é? Estamos num tubo de ensaio? Cobaias? Vitimas?
Em muitos municípios, a politica dos seus eleitos aponta para a defesa dos seus munícipes, industriais e sobretudo dos seus investidores. Alguns esfolam-se para os levar para os respectivos concelhos.
E neste município? Se eles matarem somos nós a esfola-los a eles, investidores? Esses investidores não mereceriam todo o apoio que a autarquia pudesse dar? Não será esse o interesse do município? Ou será que a pousada e o restaurante não tem interesse para o município?
Ou será que, tal como os dinossauros, já não dá para pensar? Senão para filmes, ou fitas…
Ou será que as politicas de apoio económico ao concelho passam apenas por umas inocentes e ingénuas festinhas de natal e pela venda de alvéolos inacabados a preços exorbitantes? Tal e qual como os apoios ao turismo que não constam do orçamento? Ou por uns foguetes de lágrimas para os jornais da região?
Tivesse este concelho tão perdulário de ideias, uma oposição atenta e de olhos abertos e as coisas talvez mudassem de figura, e de patrões… Se bem, como diz o ditado, quem muda de moleiro…
Entretanto, quem tece a vida difícil nas teias dos regulamentos, do poder, do livre arbítrio, continua a ser, como no caso, quem trabalha, quem investe, quem arrisca. Não admira que não sejam muitos a fazê-lo….
*mealhadatemas.blog.com*
Fevereiro, 2007
Retórica política e partidária é alegar que BM insinuou que Cabral é um Oliveira Salazar. O que objectivamente se passou na Assembleia Municipal foi o seguinte: a maioria não permitiu que um Vereador usasse da palavra para dar o seu contributo para a clarificação do assunto que estava a ser abordado, alegando que lhe parecia que os factos em discussão(sendo ele um dos protagonistas desses factos) não correspondiam integralmente ao que estava a ser dito na Assembleia, ou á forma como esses factos estavam a ser referidos.
Que mal poderia vir ao mundo ou mesmo ao concelho se o Vereador falasse? (Quando a verdade é que por questões bem menores já têm usado da palavra, na Assembleia, Vereadores do PS). Mas não deixaram que este falasse. Que nome tem isto? Não tem outro, que não CENSURA. Salazar também fazia censura. Não é BM quem compara Cabral a Salazar.
As conclusões são da responsabilidade de quem as tira.
Tudo o resto são floreados escusados e uma vã tentativa de branqueamento de um acto que é SEMPRE execrável - a censura. Para quê evocar o antifascismo, a luta contra o antigo regime... Já lá vão mais de 33 anos, senhores. O que interessa é o que se passa hoje, não o que acontecia naquele tempo! E o que HOJE se faz, ainda, (mesmo tendo sido antifascista e tendo lutado contra o antigo regime) é CENSURA!!!
Julgo que estas posições extremadas, quer neste post, quer no post do breda marques, quer ainda na atitude do carlos cabral apenas contribuem para aumentar a clivagem e minar aquilo que deveria ser uma sã convivência entre pessoas com projectos e ideologias diferentes, mas que deveriam respeitar e ser respeitadas entre todos.
Às vezes a tampa salta a qualquer um de nós.
Eu, por exemplo, ainda ando à procura da minha.
A mim, a tampa salta sempre que vejo diabretes a fazerem-se de puras criaturas angélicas!
"Ter um espírito aberto não é tê-lo escancarado a todas as tolices", dizia o francês Jean Rostand com imensa sabedoria.
Reconheçamos que Carlos Cabral esteve mal, reconheçamos também que a Assembleia Municipal é um espaço onde a liberdade de expressão deve ser preservada. Mas, proteja-se aquele orgão das questiúnculas políticas que em nada servem para o enriquecimento do debate.
Se Breda Marques se sentiu menorizado por não lhe ser permitido expressar-se, terá o seu direito à indignação. Critiquem com eloquência o dislate do Presidente, mas não o apelidem, ainda com subtileza propagandistica, de "fascista censurador", porque aí ferem as mais fortes convicções dum homem com um passado cristalino de Oposição ao Antigo Regime.
Ave Caesar
Mais uma tentativa de branqueamento:
"...porque aí aí ferem as mais fortes convicções dum homem com um passado cristalino de Oposição ao Antigo Regime."
Um bicho é um bicho. E um homem é um homem. Seja no antigo, seja no actual regime.
Meu caro Polis,
Por racionalidade não comparo Hitler a Churchill, não comparo Estaline a Roosevelt, não comparo Pétain a De Gaulle.
Conscientemente pode comparar Cabral a Salazar? Sejamos justos, condenemos a atitude não lhe condenemos o passado.
Ave Caesar
É precisamente aí que está o cerne da questão: não estamos a discutir o passado. Estamos, sim, a falar do presente.
Se, por absurdo, Churchill também tivesse tentado exterminar os judeus...(o que óbviamente não foi o caso)...que autoridade teria para se opôr a Hitler?
"Quem não recorda o passado está condenado a repeti-lo" - Jorge Santayana.
Nunca avaliemos o presente sem ter em conta o passado. Por não esquecer o passado, não ousarei repeti-lo.
Ave Caesar
...É claro que não comparo C. a S.
Mas a verdade é que, em relação aos exemplos que deu, nem Roosevelt, nem Churchil nem De Gaulle, nenhum deles (esses sim, homens com H grande) cometeu os mesmos erros que criticavam nos opositores que citou.
...Não podemos evocar um passado glorioso e fazer, no presente, precisamente aquilo que tanto condenavamos nesse passado.
Desculpe, mas, a meu ver, não há desculpas para um tal comportamento.
Mesmo o melhor dos homens acaba por errar.
De Gaulle foi a face negra do Maio de 1968, ordenando a repressão estudantil. Foi durante a Presidência de Roosevelt que os americanos criaram a bomba atómica, que o Presidente Truman acabou por despejar sobre os civis de Hiroxima e Nagasaky.
Ninguém está isentos de erros.
"Se os grandes homens nunca tivessem cometido erros, não sabíamos que eles haviam existido" Ave Caesar
Fazem-se todos de virgens ofendidas.
Até tu meu Gaius!
Grande lutador que foi o Cabral contra o regime.
Devem ter andado juntos na escola para saberes tanto.
Ai se não existisse o Blog do big breda.
Errare humanum est.
O que é condenável é não reconhecer os erros e agir como se fosse o único detentor da verdade.
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