sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Ensaio sobre a lucidez


O Mealhada Moderna desta semana brindou-nos com uma excelente entrevista, por sinal feita pela sua Directora, a um decano da política concelhia: JOSÉ RIBEIRO RELVAS.

Relvas, de 82 anos, foi vereador, eleito pela extinta e saudosa, para uns quantos, AD, da CMM entre 1978 e 1979. Foi também candidato à Câmara, tendo perdido a eleição para o Dr. Pires dos Santos.

Num registo de hábil lucidez, Relvas desmistifica esta espécie de democracia em que vivemos, onde o exercício do poder não é dado a quem o detém - o Povo. Professa a sua antipatia pela mentira organizada que persiste em manter-se no centro da Governação como forma perene dum status quo de falsidade política.

Não deixa igualmente de se debruçar sobre as questões do concelho, apostando no diálogo das partes para a resolução do crónico problema de asfixia financeira do Hospital da Misericórdia, sugerindo uma actuação mais positiva da CMM, que vive um desafogo financeiro acima da média de outras Câmaras. Denuncia aquilo a que chama de pequenez de visão na estratégia do Executivo, em questões como a da "estrangulada" Biblioteca. Frisa a falta de vontade de Cabral em abrir o projecto dos Viveiros Florestais à participação pro-activa da sociedade.

Mas aquilo que me aguçou a curiosidade nesta entrevista foram dois assuntos: a Casa Vasconcellos Lebre e a meteórica ascenção de Cabral, nos idos anos 70/80.

Reza a História que a doação da Casa Lebre ao Município implicava a criação dum museu onde se preservasse a memória e o espólio da família. Como também não ignoramos, pela intervenção de João Pêga, que sucedeu a Relvas na direcção da Casa da Cultura, logo se tratou de ignorar os termos da doação e transformou-se o edifício na Escola Profissional, tendo o rico espólio daquela casa desaparecido no "segredo dos deuses".

Por último, relembra-nos como foi Cabral - na altura vereador do PCP - travão ao desenvolvimento do concelho, no Executivo liderado por Adriano Ferreira Santiago, pactuando com o PS na destruição ignóbil da visão dum homem de reconhecida capacidade política. Cabral acabou compensado por ser o "Judas" da expansão do concelho. Foi co-optado pelos socialistas e começou o seu infindável reinado na Câmara da Mealhada.

Naquilo que podia ser um recado ao actual Presidente da Câmara, Relvas diz que nunca esteve na política, portanto nunca deixou a política. Para ele a política foi uma aventura ao serviço do Povo e não para se servir dele.

Ave Caesar

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Será da forma ou do feitio?


No nosso imaginário cinematográfico há imagens e palavras inesquecíveis.

Há uma palavra que ontem me veio à memória ao ler o artigo de opinião de Carlos Marques no JM : "esterno-cleido-mastoideu". Uma palavra pomposa mas cujo significado poucos conhecem.

As tias de Vasco Santana, na "Canção de Lisboa", também se surpreenderam com a jactância do sobrinho quase doutor, mas do discurso pouco ou nada perceberam.


O citado artigo sofre do mesmo defeito. Ao pretender analisar o plenário de militantes da última sexta-feira, o Presidente da Comissão Política perde-se em rendilhados e substantivos e esquece a essência.

Pleonasmos e discurso hiperbolizado polvilham todo o artigo - "exaltar o momento", "feedback positivo", "o partido está bem vivo", " a estimulação dos dirigentes", a "convicção", a "determinação"...
Mas, no fundo, apenas fiquei a saber que a actividade política dos ditos dirigentes é um "esterno-cleido-mastoideu", ou seja, não tem substância apreensível aos cidadãos a quem se devia destinar. Nada esclarece, nada informa, tudo disfarça.
Por ele não ficámos a conhecer qual a posição da Comissão Política sobre os vários projectos em curso na acção da CMM - Viveiros Florestais, Campo de Golfe, Plataforma Rodoferroviária, Mata do Buçaco, QREN - não ficámos a conhecer qual a sua posição sobre as opções orçamentais para o próximo ano, a posição sobre os focos de poluição na Lameira e na Mealhada, não ficámos a conhecer uma sequer actividade da CP ao longo deste ano de mandato. Em suma, o artigo de opinião nada nos deu.

Carlos Marques necessita urgentemente de mudar a forma e o feitio. A acção política deve ser mais sustentada nas acções e menos nas palavras. A passividade demonstrada pela oposição ao seu mandato é apenas sinal da segurança que têm que, a qualquer momento, conseguirão derrubar a Comissão Política por si liderada. A "estratégia seguida"é apenas uma ilusão de óptica, é uma não estratégia,
O presidente da CP vê o futuro com optimismo, com certeza atrás dumas lentes cor de rosa.

Ave Caesar

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

É lixado

É lixado fazer jornalismo, ou ser director de jornal, numa terra que não se conhece... (Mesmo com a convicção de que se vem trazer a luz, educar os indigenas)

Acaba-se sempre por meter a pata na poça!

Perguntar ao maior dealer - distribuidor de droga pelos viciados e junto de futuros consumidores - da cidade se sente seguro é fantástico!
E o pior é que, afinal, o Pastel se sente seguro! Ainda bem!

Sabes Messalina...

O “período” é muito masculino...
Chateia meses a fio mas assim que sabe que a gaja está grávida, deixa de aparecer.


by Arcebispo da Cantuária in Atlântico

A embalagem


No "Público" do último sábado, os artigos de opinião dos dois mais considerados articulistas/comentadores do País versaram sobre o mesmo tema: a transformação do PSD em "partido empresa".
Menezes pretende criar um "partido moderno" e a sua noção de modernidade começa pela imagem do próprio líder. O presidente do PSD tem que possuir uma imagem de Estado e para isso, passará nas suas deslocações "oficiais" a ser transportado num automóvel preto, secundado por mais dois ou três da mesma cor.
Diz ele que é uma questão de credibilidade, convencido que os portugueses valorizarão mais um líder que dê primazia à "embalagem".
Errado... demasiadamente errado.
Menezes tem o dom do acessório, das minudências, do efémero e inútil.
Que nos interessa que se faça transportar em carros de valor superior a 100.000 euros, com consumos de 20l/100 km, se a mensagem que nos transmite é a de uma titubeante figura? Pretenderá Menezes esconder a sua patética e inane demagogia política atrás dos vidros fumados duma limousine?
Menezes é cada vez mais uma embalagem tetra pack com um conteúdo fora de prazo.
A nós cidadãos pouco importa se ele tem um Volvo ou um Yaris utilitário. Preferimos um conteúdo que nos motive. Original, arrojado, mas de confiança.
Parafraseando Vasco Santana, com as devidas actualizações: "Embalagens há muitas, seu palerma!!"
Ave Caesar

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Benchmarking


A Camara Municipal de Cantanhede atribuiu €80.229,70 à Expofacic 2008.

Esse valor vai inteirinho para custear os stands das instituições do concelho e para subsidiar o preço dos bilhetes.

Como o carnaval da Mealhada não tem stands de instituições para custear, os €100.000,00 que a Camara Municipal atribuiu devem ser para subsidiar os bilhetes. Este ano entra tudo à borla para ver o Marcio!

Bem me parecia


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