
O Mealhada Moderna desta semana brindou-nos com uma excelente entrevista, por sinal feita pela sua Directora, a um decano da política concelhia: JOSÉ RIBEIRO RELVAS.
Relvas, de 82 anos, foi vereador, eleito pela extinta e saudosa, para uns quantos, AD, da CMM entre 1978 e 1979. Foi também candidato à Câmara, tendo perdido a eleição para o Dr. Pires dos Santos.
Num registo de hábil lucidez, Relvas desmistifica esta espécie de democracia em que vivemos, onde o exercício do poder não é dado a quem o detém - o Povo. Professa a sua antipatia pela mentira organizada que persiste em manter-se no centro da Governação como forma perene dum status quo de falsidade política.
Não deixa igualmente de se debruçar sobre as questões do concelho, apostando no diálogo das partes para a resolução do crónico problema de asfixia financeira do Hospital da Misericórdia, sugerindo uma actuação mais positiva da CMM, que vive um desafogo financeiro acima da média de outras Câmaras. Denuncia aquilo a que chama de pequenez de visão na estratégia do Executivo, em questões como a da "estrangulada" Biblioteca. Frisa a falta de vontade de Cabral em abrir o projecto dos Viveiros Florestais à participação pro-activa da sociedade.
Mas aquilo que me aguçou a curiosidade nesta entrevista foram dois assuntos: a Casa Vasconcellos Lebre e a meteórica ascenção de Cabral, nos idos anos 70/80.
Reza a História que a doação da Casa Lebre ao Município implicava a criação dum museu onde se preservasse a memória e o espólio da família. Como também não ignoramos, pela intervenção de João Pêga, que sucedeu a Relvas na direcção da Casa da Cultura, logo se tratou de ignorar os termos da doação e transformou-se o edifício na Escola Profissional, tendo o rico espólio daquela casa desaparecido no "segredo dos deuses".
Por último, relembra-nos como foi Cabral - na altura vereador do PCP - travão ao desenvolvimento do concelho, no Executivo liderado por Adriano Ferreira Santiago, pactuando com o PS na destruição ignóbil da visão dum homem de reconhecida capacidade política. Cabral acabou compensado por ser o "Judas" da expansão do concelho. Foi co-optado pelos socialistas e começou o seu infindável reinado na Câmara da Mealhada.
Naquilo que podia ser um recado ao actual Presidente da Câmara, Relvas diz que nunca esteve na política, portanto nunca deixou a política. Para ele a política foi uma aventura ao serviço do Povo e não para se servir dele.
Ave Caesar




