
Gripe... é uma gripe terrível que me atirou para os lençois depois dum beatíssimo Dia de Todos os Santos.
Acordei este Sábado como se o Céu me tivesse caído em cima. A Fanfarra ribombava na minha cabeça, os olhos lacrimejavam, o nariz teimava em querer sufocar-me.
Mas o vício informativo é mais forte que a pior das maleitas e resolvi ir comprar os Semanários, arrastando os meus ossos até à "Côte D`Azur".
Lá chegado sentei-me e, instintivamente, olhei ao redor.
Olho a mesa ao lado e vejo um sujeito com cerca de 60 anos, bem composto e sorridente. Pensei para os botões do meu jersey "Ainda bem que há indíviduos que irradiam felicidade"
Mas olhando melhor, reconheci aquele alegre homem. Nem mais nem menos que Alcides Branco!
" Que diabo... que fará sorrir o homem? Não vai ele ter uma Manifestação à porta dentro de poucas horas?"
Foi então que me lembrei de todos aqueles compêndios de telepatia que li avidamente nos anos 60 e que agora podiam mostrar-se de imensa utilidade.
"Vou perscrutar a mente do Alcides e descobrir a razão de tanta alegria!"
Olhei-o fixamente e, em menos de dois minutos, tive acesso à informação que os políticos do concelho tão avidamente têm procurado.
Alcides Branco - " Ah manifestações... manifestações!! No meu tempo de jovem socialista é que eram a sério!
Isto hoje vai correr muito bem. Já acordei com os transportadores que hoje quero lá à porta um comboio de camiões. Os jornais têm que pensar que a minha "pocilga" é uma empresa que não pára.
Conhecendo os políticos como conheço, sei que vão lá estar todos. Não vão perder a oportunidade de aparecer na fotografia como os defensores do ambiente mesmo sabendo eu que se estão a c*****para os maus cheiros e para as gorduras que vou continuar a despejar no rio. E depois, como andam preocupados com as suas guerrinhas de capoeira, vão é tentar fazer tropeçar o próximo.
Até parece que estou a ver o Marqueiro à espera que a população enxovalhe o Cabral por ele pouco fazer - quando o próprio também nada fez para me desagradar quando por lá andava.
Com os do PSD também pouco tenho que me preocupar. O Breda tomou a iniciativa de ir ao "chiqueiro" fingir-se preocupado. Aquele rapaz enfermeiro, que fala muito bem, também se mostrou muito preocupado. Ora, a mim bastou-me dizer-lhes que ficava sensibilizado com a visita, que eram ambos muito importantes para o concelho e que o assunto iria ser resolvido numa penada. Coitados! E não é que saíram de lá todos inchados a acreditar na história da carochinha!
Bem... mas para que aquilo corra mesmo bem, tenho que criar um número de circo. Embebedo dois ou três trabalhadores e mando-os vociferar e cuspir no Cabral quando os jornais e as televisões estiverem atentos. Até aproveito o momento de distracção para fazer uma descarga diurna da "trampa" que produzo.
Mas brilhante, brilhante era beber a água do rio!
F******, mas era capaz de morrer logo ali. Até que me ficava bem... mártir por amor ao negócio. Má ideia. É melhor ser o rapazito que tenho lá em casa a fazer o malabarismo. Sempre é mais ágil e pode deitar a água fora quando o "Gordo" tentar assentar um sopapo no Cabral, com o Marqueiro a sorrir a três metros de distância."
Eh pá... mas eu tenho que dizer alguma coisa para calar os gajos..."
De repente vira-se para mim e pergunta: "O meu amigo queira desculpar, mas sabe quais foram os números do Euromilhões?"
Eu, lívido, com receio que o homem tivesse descoberto os meus poderes telepáticos só balbuciei "Olhe... só me lembro do 19",
enquanto pagava e zarpava de novo para casa.
Entretanto, ainda aqui estou na minha santa ignorância sem saber o que por lá se passou.
Ave Caesar