
No metro de Londres há uma expressão espalhada em diversos cartazes para aviso aos mais distraídos - Mind the Gap - que em português escorreito significa "lembrem-se do BURACO".
E que tem isto a ver com Santana Lopes?
Tem tudo.
Quando por algum motivo nos entusiasmamos com as performances santanistas, quando por qualquer motivo somos levados a ter uma simpatia pela personagem do político, devemos... lembrar-nos do BURACO.
Diria antes, lembrar-nos dos buracos.
Vamos por partes. Santana foi, respectivamente, Presidente da Câmara da Figueira da Foz, da Câmara de Lisboa e 1º Ministro da Nação.
1 - Na Câmara da Figueira diz-se que fez obra. Todos recordamos o oásis da praia e a megalómana obra do Centro de Artes e Espectáculos, inaugurado já não por si mas pelo autarca que lhe sucedeu e que muito carinhosamente o apelidou de "C.A.E. Dr. Pedro Santana Lopes".
Santana Lopes deixou a Câmara da Figueira, salvo erro, para se candidatar à de Lisboa e nas contas da Autarquia deixou "só" 85 milhões de déficit, sendo que a maior fatia dizia respeito a dívidas de curtíssimo prazo e, como tal, de pagamento quase imediato.
Ora esta dívida pública, a que acrescia a da socidedade municipal "Figueira Grande Turismo" - 7,5 milhões de euros - causou um tal estrangulamento financeiro à autarquia que até a própria manutenção do Oásis santanista é colocada em causa.
2 - Na Câmara de Lisboa, Santana andou cerca de 2 anos às voltas com Frank Gehry e a prometer a "grande obra do regime" - reabilitação do Parque Mayer num projecto de muitos, mas muitos mesmo milhões de euros.
Ficou o projecto, Lisboa ganhou um casino em moldes nebulosos e Santana abandonou a Câmara com um déficit de cerca de 500 milhões de euros, obrigando António Costa a fazer operações de contorcionismo para estabelecer plano de pagamento de 240 milhões de euros aos maiores fornecedores e a pôr-se de cócoras para que o Tribunal de Contas possa a curto prazo vir deferir um empréstimo à banca de cerca de 360 milhões de euros.
3 - Por último, Santana Lopes assumiu o cargo de 1º Ministro, substituindo Barroso que abalou para melhores paisagens. Logo ali Santana anunciou, ufano, o fim da crise e em 2005 apresentou um orçamento nada restritivo.
Aí conseguiu verdadeiros recordes. De Abril para Maio de 2005 conseguiu um aumento da dívida pública em 1,2% o que em termos anuais corresponderia a uma aumento de 15,4%. No ano em que Sócrates tomou posse a dívida pública tinha aumentado 7,7 % e o déficit apresentava o valor astronómico de 7%.
A que conclusão podemos então chegar? Santana é um verdadeiro criador de buracos, é um despesista irresponsável porque sabe que deixa sempre as suas tarefas a meio e quem lhe suceda que pague a crise.
E ainda criticam Manuela Ferreira Leite por ter uma obsessão com o déficit? Por uma vez na vida sejamos sérios e façamos uma reflexão sobre quem queremos a conduzir os destinos do País.
Ave Caesar



