
Na minha muito modesta opinião, o TGV devia ser colocado na gaveta das obras desnecessárias e inúteis. Se é verdade que o País, à semelhança dos demais, vive uma crise preocupante, julgo que os Governos devem adoptar medidas de contenção e virar mais os olhos para as questões sociais e para a classe média que se viu aniquilada pelos últimos acontecimentos económicos.
O TGV num pequeno país como o nosso é uma inutilidade e mesmo prevendo-se a ligação a Espanha, é mais do que certo de que não há "massa crítica" para o tornar minimamente rentável.
Aparte estas considerações globais, o impacto que a sua construção vai trazer para a fisionomia do nosso concelho também é um sinal preocupante. Se há duas opções de traçado previstas - eixo 4 e eixo 5 - nenhuma delas traz qualquer benefício ao concelho da Mealhada. Antes pelo contrário, criará um espartilho entre povoações da mesma freguesia criando distâncias inultrapassáveis onde antes existia proximidade.
Se o eixo 5 é aquele que mais constrangimentos humanos pode causar, cortando povoações a meio e colocando, por causa dos corredores de protecção de 400 metros previstos, entraves a toda a construção que se venha a projectar no futuro nessas localidades, o eixo 4 prevê acabar com a tradição vitivinícola da Bairrada, rasgando os vinhedos de maior qualidade do nosso concelho e do concelho de Anadia.
Dizem uns que é o custo do progresso, mas com isso não me conformo, pois, se não me provam as virtudes da obra, só posso estar na linha da frente á contestação.
Ave Caesar
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