sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Falência do sistema


Vivemos tempos de verdadeira insegurança e medo.
Não, não estou a referir-me à criminalidade que grassa em algumas cidades. Falo numa verdadeira criminalidade, organizada e legalizada, que mata tanto ou mais que uma qualquer arma de fogo.
Ontem, no canal de televisão estatal vi dois apontamentos noticiosos que me enojaram.
1 - Uma idosa em falência respiratória transportada ao Hospital de Aveiro faleceu após quatro horas de espera no Serviço de Urgência. Faleceu por falta de assistência médica, abandonada à sua sorte num corredor.
2 - Um outro cidadão com indícios de ataque cardiaco foi transportado por familiares ao serviço do INEM, batendo à porta da própria ambulância que o haveria de transportar à unidade hospitalar. Os profissionais do INEM não puderam de imediato conduzi-lo ao Hospital porque o "procedimento burocrático" implica um prévio contacto telefónico para accionar aquele serviço. Assim, mesmo encontrando-se à beira da ambulância, os familiares do doente tiveram que telefonar para a Central de Atendimento do INEM para que a ambulância que lhes estava defronte fosse chamada a assistir ao necessitado homem que jazia aos pés da viatura.
Que reformas da saúde são estas que nos conduzem a mortes que podiam ser evitadas? Que país é este que encerra unidades de saúde por todo o lado, privando os cidadãos dum direito aos cuidados de saúde garantidos constitucionalmente? Que Governo é este que se arroga moderno e obriga aqueles que devia representar a palmilhar quilómetros na busca dum auxílio hospitalar que, tantas vezes, chega tarde de mais?
Correia de Campos é cúmplice desta verdadeira criminalidade que mata cidadãos por falta de cuidados médicos, que assiste a partos à beira da estrada porque fecham maternidades.
Este Governo deve decretar a sua própria falência, por incompetência de gestão, por falta de credibilidade dos seus governantes, por violação do princípio básico dum Estado de Direito que determina que A VIDA HUMANA É INVIOLÁVEL.
Ave Caesar

15 comentários:

Lucius Licinius Lucullus disse...

Muito eu gostava que este gajo tivesse um ataque cardiaco em Rebordelo num dia de nevoeiro tão denso que não permitisse que o helicóptero levantasse voo para o ir buscar.

Anônimo disse...

Tudo isto se explica com simplicidade: as pessoas deixaram de ser RAZOÁVEIS. Tanta norma, tanta lei, tantos procedimentos a seguir... e tanto medo de não cumprir as normas, as leis, os procedimentos. E este medo paralisa as pessoas.
As pessoas deixaram de seguir as NORMAS NÃO ESCRITAS, aquelas que estão na consciência de cada um, para seguir apenas aquelas que lhes são impostas. E pensam que assim são inteligentes, sobretudo os que fazem as leis. Mas não são razoáveis. Ser razoável é, antes de mais, seguir a intuição - só depois as normas.

Anônimo disse...

É tudo em nome do défice. Equilibrarão o financeiro à custa do humano, dos pobres e remediados.
O que mais me irrita e deixa a maior parte dos portugueses sem expectativas de melhoria é que nada fazem para combaterem o défice pela positiva, pelo aumento da produção nacional.
Ainda hoje foi retomada a notícia do preço dos combustíveis em Portugal carregados de impostos mais caros do que em Espanha. Claro que isso afecta toda a economia e retira competitividade às empresas.Algumas pensam mesmo mudar as sedes para Espanha! Este Governo faz boa figura perante os burocratas de Bruxelas mas afunda o País, principalmente à custa da classe dos remediados
No nosso município a cantiga é a mesma. Com as perspectivas de escassez de água, veja-se que se continua a não reter uma gota sequer da pouca que a Natureza nos dá!
Qual é o caminho para o qual estamos a ser empurrados? Para mim o da miséria e da fome.
Aqueles, da classe média, que pensam que estão livres disso, que se desiludam que vai sobrar também para eles, mais depressa do que pensam.Os centimos amealhados irão valer-lhes de pouco.
Só vejo uma solução, correr com esta canalha.
Antes que seja tarde demais.

pirandello disse...

Vivemos num tempo em que o Estado se vai alienando da sua função social. Os cidadãos só têm obrigações, os direitos vão sendo retirados a cada momento. Dói ver a atitude cândida do PR em relação a este Estado no seu discurso de Ano Novo. Apesar de nem sempre concordar com VPValente, com o artigo do “Publico” de 4/01, estou em completa sintonia. Eu pergunto, num país desequilibrado, com o interior a desertificar, serão medidas como esta que geram condições de fixação e de atractividade? Com certeza que não.

Anônimo disse...

Boa tarde!

A propósito deste posto, muito gostaríamos de fazer o seguinte esclarecimento. Vamos aos factos:

- às 01h45m15s do dia em questão o CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) Norte recebe uma chamada feita à porta do Hospital dando conta da situação. A gravação da chamada é elucidativa: diz o filho da vítima “acontece que o segurança diz para ligar 112 que isto está fechado e não há ninguém para o socorrer (…)”

- às 01h47m04s o CODU Norte acciona a ambulância localizada no Hospital para o próprio Hospital.

Assim, não só não houve qualquer atraso, como entre a chamada ter sido recebida e o accionamento dos meios demorou-se menos de dois minutos. A família da vítima não abordou sequer a equipa da ambulância, nem muito menos bateu “à porta da ambulância”.

Falou sim com o Segurança de serviço naquele momento no Hospital e este é que mandou ligar 112! Poderia, ainda, ter chamada a equipa da ambulância – que se encontrava ali perto – mas não, zelosamente disse aquilo que lhe tinham dado ordens para dizer e ficou à espera.
Assim, como se vê, não houve qualquer contacto entre a família da vítima e a equipa do INEM, pois como é óbvio se tal tivesse sucedido jamais estes profissionais negariam auxílio a quem dele necessita por qualquer questão burocrática.

Aliás, o INEM tem centenas de bases de ambulância por esse país fora e todos os dias pessoas abordam as nossas equipas quando estas estão na base e pedem auxílio, auxílio esse que jamais é negado.

O que se passou aqui foi que a equipa nunca foi informada e o segurança do Hospital também não o fez, limitando-se a dizer: ligue 112...

Naturalmente que se lamenta o sucedido, mas o INEM e os seus profissionais foram completamente alheios a esta situação.

Os media, que desempenham um papel inquestionável, sem dúvida, neste caso mal-informaram e o Senhor Ministro da Saúde comemtou essas informações incorectas.

Esperamos agora ter ajudado a esclarecer esta situação e apresentamos a todos os leitores deste blog e ao seu autor os nossos melhores cumprimentos.

Alguma questão adicional e não hesitem em contactar-nos.

Pedro Coelho dos Santos
Director do Gabinete de Comunicação do INEM
pcsantos@inem.pt
963902534

Anônimo disse...

Boa noite
Até que enfim que temos alguém a dar a cara! Por aqui, não estamos habituados.
Não retive em que hospital se passou essa cena mas do esclarecimento deprendo que é desse da nova moda com portas fechadas, um segurança a espreitar pelo postigo e uma ambulância no parque de estacionamento. Faltou esclarecer quanto tempo demorou o doente até começar a ser assistido.
Se foi num daqueles casos, a maioria, em que hospital de referência fica a 30, 40 ou mais quilometros, teremos de contabilizar o tempo do local da ocorrência ao hospital,mais o tempo de comunicação ao INEM, mais o tempo de transporte até ao hospital de referência, mais a triagem nesse hospital. Convenhamos que em alguns situações clínicas já pouco ou nada haverá a fazer, ao contrário do que aconteceria se houvesse atendimento no primeiro hospital.
Portanto a adjectivação do autor do post justifica-se plenamente.
Ex.mo Sr. Director de Comunicação, comunique ao Sr. Ministro que ele está muito longe de nos provar as melhorias que anuncia nomeadamente no caso de Anadia.Fechar o SAP da Mealhada à noite, vá lá... mas aquele não. Peço-lhe ainda o favor de tranmitir ao Sr. Ministro que não nos obrigue a recorrer à urgência dos H.U.C.pois quem já alguma vez precisou de lá ser assistido sabe a desgraça que aquilo é. Como me sucedeu a mim que entrei na urgência antes das 08,00 horas e só foi atendido por volta das cinco da tarde. E nem almoço, nem uma palavra. Para lá só se fôr insconciente porque com a minha razão por inteiro, nunca mais. Recuso.
Meus cumprimentos
JLM

Anônimo disse...

Ninguém fala do Hospital da Misericórdia da Mealhada,porquê?

Anônimo disse...

Porque o Hospital da Misericordia da Mealhada é um Hospital Privado e não conta para este TOTOBOLA. Só contaria se existissem convenções assinadas entre o Estado e o Hospital, o que é uma impossibilidade total, visto que isso implicaria custos. Ora, o que está por detrás disto tudo é precisamente a contenção / diminuição / anulação de custos para este Estado TODO PODEROSO e OMNISCIENTE que só zela por uma clique restrita de iluminados (como por exemplo o putativo futuro Prisidente do BCP que vai ganhar 150.000 euros POR MÊS), borrifando-se para o resto do Zé Povinho.

Lucius Licinius Lucullus disse...

Ou anda algum engraçadinho a passar por membro do INEM ou a milha é lida por muita gente.
Se o senhor acima é mesmo membro do INEM agradecemos o esclarecimento, mas faço uma pergunta:
1.Porque é que não houve uma explicação cabal da parte do INEM acerca deste incidente nos meios habituais para o fazer em vez de andar pelos blogues a dar explicações avulsas?

Anônimo disse...

És mesmo ingénuo, Lucius!
Esta-se mesmo a ver que este Blog tem uma precedência toda especial, dentro do Protocolo do Estado!

inem disse...

Caros leitores,

a situação em análise ocorreu à porta da Urgência do Hospital da Régua.

Sobre o tempo que este doente demorou a ser assitido passaram, como já indicado no post anterior, 2 minutos: o tempo de accionar a ambulância de Suporte Imediato de Vida e percorrer os poucos metros que a distanciavam do doente. 5 minutos depois, o doente acabou ainda por receber assistência de um outro meio de emergência, a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação).

Tratam-se de meios do INEM de intervenção pré-hospitalar, destinados ao transporte rápido de uma equipa de enfermeiros e médicos directamente ao local onde se encontra o doente. Actuando na dependência directa dos CODU, as SIV e as VMER têm base hospitalar, funcionando como uma extensão do Serviço de Urgência à comunidade. Têm como principal objectivo a estabilização pré-hospitalar e o acompanhamento de um enfermeiro e/ou médico durante o transporte de vítimas de acidente ou doença súbita em situações de emergência. Ou seja, é importante reter a informação de que este doente recebeu ainda fora do Hospital toda a assistência que iria receber na unidade hospitalar de destino: o Hospital de Vila Real.

Sobre os media, estes foram alertados para o engano que estava a ser gerado e procurou-se repor a verdade. Por sua vez, estes fizeram as suas decisões editoriais as quais ditaram que já não havia lugar a novas notícias sobre esta matéria. Estas decisões são absolutamente alheias ao INEM.

Por outro lado, tendo o INEM um Gabinete de Comunicação e Imagem, e sendo os blogues um novo meio de comunicação, é obrigação e competência deste departamento realizar uma monitorização da blogoesfera e assim ir informando os cidadãos sobre o funcionamento daquele que é o Serviço de Emergência do país.

Em caso de dúvida, por favor não hesitem em contactar através dos contactos abaixo assinalados.

Pedro Coelho dos Santos
Director do Gabinete de Comunicação do INEM
pcsantos@inem.pt
963902534

Lucius Licinius Lucullus disse...

O INEM tem um blogue.
Mas é só para amigos...

Anônimo disse...

Obrigado.
Fico a digerir...

Anônimo disse...

Anote, caro Gaius.
Parece que nem todos os serviços públicos funcionam como a nossa CMM, pelo silêncio e servindo-se de bufos!
Haja Deus.

inem disse...

Caro Lucius Licinius Lucullus,

o INEM tem de facto um blog que se encontra em construção e que não apresenta quaisquer conteúdos, razão pela qual se encontra fechado ao público.

Pedro Coelho dos Santos
Director do Gabinete de Comunicação do INEM
pcsantos@inem.pt
963902534