
Em matéria de assuntos polémicos, antes de nos pronunciarmos é de todo conveniente deixar a poeira assentar. Sobre a demissão da Direcção Clínica do HSCM da Mealhada, por muito que custe aos leitores, nem tudo pode ser visto sobre o prisma do preto e branco.
Dissertemos então sobre o tema.
Como é público, o Director Clínico do Hospital apresentou, em resumo, três razões para a demissão: a falta de confiança na capacidade dos gestores do hospital, problemas de manutenção na unidade e situação financeira da mesma.
Salvo o devido respeito, o Director terá razão nalgumas coisas e perderá toda a razão noutras.
Julgo ser inequívoco que a escolha da principal gestora do Hospital é, acima de tudo, um abuso. Não pelas relações de proximidade com a Provedoria, mas pela parca experiência da mesma. Ao que sei, a gestora não vinha referenciada de parte alguma e era mais uma das que compunha a franja dos desempregados deste país. O facto de ter formação académica e uma "especialização" em gestão hospitalar não lhe dá curriculum para começar pelo topo.
Aqui dou plena razão ao Director clínico demissionário.
A questão da manutenção do hospital já tem uma gravidade relativa. As questões apontadas pelo Director não têm qualquer relevância. Provavelmente também ao médico lhe falta curriculum ou experiência hospitalar. Desde sempre que houve conflitos entre o pessoal médico e a gestão hospitalar, seja na Mealhada, nos HUC, nos Covões ou em qualquer outra unidade hospitalar. É uma guerra de décadas: os médicos querem condições óptimas, os gestores querem poupar o máximo possível. É incontornável.
Nesta matéria, o Director terá apenas uma razãozinha, mas nada que o habilitasse a apresentar a demissão.
Por último, a situação financeira do hospital. Não é segredo para ninguém que o passivo da Instituição é de meter medo. Mas não falamos de déficit de tesouraria porque, para todos nós felizmente, o Hospital tem sido, recentemente, um sucesso em termos de afluência, fruto também dos inúmeros protocolos celebrados.
Com certeza todos sabem também que a alteração orçamental que sofreu a construção do Hospital se deveu não a caprichos da Santa Casa mas a exigências do Ministério da Saúde no tempo de Santana Lopes, prometendo em acordo aquilo que depois foi rasgado por Sócrates.
Mas o erro do Director demissionário é querer meter a foice em seara alheia. Luis Teixeira é médico e, ao que julgo saber, não tem habilitações na área de gestão. Querer trabalhar com gente de confiança é uma coisa, querer tirar o controlo do Hospital à Santa Casa, é outra. Não é ao Director que se deve o Hospital mas ao esforço dos irmãos da Misericórdia. Ao director cabe tratar dos doentes e gerir o pessoal médico.
O problema depois é que estas histórias nunca têm contornos limpos. E a minha dúvida acerca da clareza das demissões colocou-se quando o Director pediu a demissão do Provedor. Ora aqui a coisa chia mais fino, porque me parece que se quis meter política pelo meio.
Não é segredo para ninguém que um consagrado socialista é um grande crítico do Provedor e, por acaso, também tem familiares na área de gestão do Hospital.
Provavelmente agradaria a alguém que o Provedor se reformasse e fosse substituído por alguém mais colaborante. Mas isto são contas de outro rosário.
Em suma, numa guerra de egocentrismos, não houve vencedores.
Luis Teixeira falhou deontologicamente. João Peres falhou quando demonstrou não ter jogo de cintura. E, acima de tudo, perdeu o Hospital e a população do concelho e arredores que viu um grande serviço levar uma machadada suficientemente forte para colocar em causa a sua auto-suficiência.
Ave Caesar
15 comentários:
mansinho pró padrinho não dar tau tau
Já estava a parecer mal não falares do Hospital.Mas como tinhas que falar,pois pareceria mal, lá escreveste qualquer coisita e publicaste depois da aprovação do Peres. Se o Provedor fosse do P.S. de certeza que o artigo era outro. É por essas e por outras è que não tens credibilidade nenhuma. Tens que comer mais SARDINHA.
Não sejam idiotas.
Luis Teixeira foi convidado para Director Geral. Cargo muito diferente de Director Clínico. Para assumir esse cargo é obvio que tinha que ter confiança na Administração e por isso impôs as suas condições de ter alguém em quem reconhecesse competência.
A outra pretensão era uma auditoria que parece que o Provedor só de ouvir a palavra ia desmaiando.
O Provedor e os gestores do hospital deviam demitir-se não por serem estes para se meterem outros mas por serem incompetentes.
Luis Teixeira demonstrou seriedader e principios.
Vir agora com a conspiração política é um absurdo. Ainda por cima quando todos sabem que o Provedor sempre usou a instituição para servir os seus interesses politicos pessoais e familiares.
A politica dos poleiros já começou e não acaba aqui....
Recordar é viver.
Lembrar de que o Sr.Presidente Cabral ter elogiado o Sr.Dr.Luis Teixeira,afirmando de que agora o Hospital estava no caminho certo....agora tem a resposta do Sr.Doutor,Já agora convidem-no para a lista do PS(CABRAL)
Gaius, perdoe-me, mas a sua análise mete nojo!
Questões de qualidade da área clínica, são 'razõezinhas' na sua opinião?
80% dos médicos a sair, não acha que deve haver motivos fortes?
Filhos e afilhados a gerir uma máquina daquelas? Adjudicações sabe Deus como?!?!
Fala como se estivesse muito por dentro dos motivos, como se o director nao soubesse bem do que estava a falar, como se fosse uma guerra antiga entre administrações e médicos...mas não tem vergonha?
Uma "gestão ruinosa e amadora"...um passivo assustador... até se fala em comissões na aquisição de equipamentos... e o que lhe apraz dizer é isto?!?!!?
O Peres já nem devia ter feito este mandato, trabalha para si e para os seus para se encher de poder e dinheiro. Têm de haver consequências e investigações!
Choca-o assim tanto a saída da administração?! Mas não é natural numa situação destas? E o provedor, tem mostrado capacidade para exercer as funções que tem?
Isto é uma pouca vergonha isso sim!
E o Gaius também não tem nenhuma...
O director teve-os no sítio e denunciou esta vergonha!
Caro Anónimo,
Tente ler o post com mais atenção, depois fale com médicos doutros hospitais, depois pesquise artigos jornalisticos sobre a qualidade do Hospital, depois regresse mais sereno e menos enojado.
Ave Caesar
O grafista é que a sabe toda.
Que post tão tendencioso. O Gaius que não sei quem é, deve ser uma pessoa que deve favores a alguem tal é a conivência perante a situação. Se calhar trabalha no hospital...
Aposto que o termo auditoria o faça tremer caro gaius...Foi preciso vir alguem de fora dizer umas verdades para os mealhandenses abrirem os olhos e tal como no 25 de Abril começarem a pensar que poderao ter uma palavra a dizer nesta terrinha autocrática...Em relação à política misturar o Dr Luis Teixeira é uma aberração...Só areia para os olhos de quem não quer ouvir a verdade...
Os olhos e a barriga
O Hospital da Mealhada nasceu há cerca de 100 anos, numa época em que não havia Serviço Nacional de Saúde, nem Penicilina. A Medicina, mesmo para os poucos que a podiam pagar, pouco pouco mais era do que papas de linhaça, sangrias e sanguessugas. De forma que o inicial Hospital era como que um Centro de Caridade, onde, com os parcos meios existentes, os doentes poderiam minorar um pouco a sua má sorte e, os mais azarentos, morrer em paz.
O actual Hospital da Mealhada, inserido num contexto completamente diferente, nasceu com a mania das grandezas.
Num país que tem um Serviço Nacional de Saúde com uma excelente rede de Hospitais e Centros de Saúde estatais, a que todos têm acesso e onde, teóricamente, todos têm o direito a ser tratados de modo tendencialmente gratuito e de acordo com as mais modernas e eficazes práticas, é, no mínimo questionavel a criação de um Hospital privado, como o Hospital da Misericordia da Mealhada, num pequeno concelho, como o da Mealhada.
Neste contexto, um Hospital privado, a 15 Km dos HUC, do CHC, do Pediátrico, das duas Maternidades, do IPO, e ainda por cima mesmo ao lado do Centro de Saúde da Mealhada, serve para quê? Será rentavel? Será que alguém tentou já responder a esta pergunta?
E para quê um Hospital tão grande?
Justifica-se a intenção de fazer dele um Hospital de ponta, onde se praticariam cirurgias que por prudência só deveriam ser executados em Hospitais Centrais?
Não teria sido mais avisado ter construído um Hospital mais pequeno, que teria uma função meramente suplectiva do Serviço Nacional de Saúde, funcionando com profissionais de saúde competentes, mas com os pés bem assentes na terra, bem cientes daquilo que se pode e deve fazer num pequeno Hospital? Não faltaria, mesmo assim, o que fazer no Hospital da Mealhada.
Mas como nunca esta reflexão foi feita pelos Mealhadenses, nem por ninguém, veio ao de cimo a velha mania das grandezas. Vai daí, tanto a concepção, como a construção, como os primeiros tempos de funcionamento do hospital, decorreram, atabalhoadamente, sob a pecha da mania das grandezas.
Todos tiveram mais olhos do que barriga.
É chegada a altura de parar para pensar.
Um Hospital não pode ser um Centro de Emprego discricionário. Não pode ser administrado a martelo. Mas o Director Clínico de um hospital também não pode dar uma conferência de imprensa às 22 horas declarando que se vai demitir e deixar de exercer todas as suas actividades clínicas à meia noite desse dia, arrastando consigo cerca de 80% do corpo clínico do hospital. Sem uma palavra, sequer, em relação aos doentes. Falou muito acerca do seu umbigo, da sua importância, da sua competência, da sua capacidade científica e de trabalho. Também falou das falhas da gestão e da manutenção do hospital, das falhas na contabilidade e das dificuldades financeiras. Sobre os doentes, nada disse.
Os doentes são a verdadeira razão de ser de um Hospital. São as personagens mais importantes. Não são os administradores, nem os gestores, nem os médicos. Curiosa e estranhamente, ninguém, até agora, falou nos doentes. Nem na imprensa. Nem nos Blogs. Tem-se falado muito do Administrador, dos gestores, do ex-Director Clínico, dos médicos. Dos doentes, nada, nickles, zero. Curioso. E estranho. Por que será?
O Canilho também trabalha no hospital?
Anônimo disse...
O Canilho também trabalha no hospital?
Resp.: É, sim! Médico veterinário! Não te esqueças da consulta em Julho, ok?
Que post tendencioso... queria ver se fosse na câmara... Pediam a cabeça até dos funcionários!!!
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