sexta-feira, 20 de março de 2009

Insónia


"Noite de Sexta. O aconchego do lar não se mostra desafiante. É tempo de buscar na escuridão o estímulo, seja lá o que isso represente.
Mealhada by night. Enquanto uns adolescentes se afogam em shots e vociferam numa linguagem ininteligível a quem tem mais de 50 anos, converso com o meu Glenmorangie que serve de palco a dois cubos de gelos que bailam suavemente.
A noite arrefece, e forma-se um denso nevoeiro. Sentado no exterior levanto as golas da gabardine. Do lado contrário da praça, avisto uns vultos nervosos. Um mais vociferante quase se ouve do local onde estou. Todo vestido de negro, lembra-me uma terrífica personagem de Sin City. Já nada me detém ali... atravesso a praça coberto pelo nevoeiro e aproximo-me dos vultos.
Ouço: "Nada feito! De nada me vale ser o condutor dos meus servos votantes! Tanto gasóleo gasto arriba acima arriba abaixo, tantas noites perdidas pelas serpenteantes curvas do Bussaco e do Luso e eles fazem-me isto!"
O vulto de negro espelhava o ódio e o desapontamento de quem havia perdido o mundo numa jogada.
A conversa continuava: " Fui traído por aquele que me chama de grande líder da Bairrada. Sócrates... nunca te hei-de perdoar! Vais ver a força que tenho! Sou eu que decido, sou eu que mexo todos os cordelinhos! Só é Presidente quem eu quero! QUEM MANDA NO PS SOU EUUUUUUU!!!
Confesso que me senti assustado com tão tétrica figura. Não compreendi nada mais. As palavras enrolavam-se numa pastosa espuma branca coberta de raiva que tornavam qualquer discurso uma algaraviada.
Regressei ao calor do lar ciente que aquela personagem regressaria acompanhado de Hades para me infernizar o sonho dos justos"
A despropósito, alguém sabe se os socialistas chegaram a ir a votos?
Ave Caesar

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