terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sintonia ou outra coisa qualquer?





A política no PSD concelhio faz-nos assistir a episódios estranhos.
Breda Marques na reacção à retirada de confiança pela Comissão Política, afirma que aquele órgão devia preocupar-se com a preparação dum projecto e não com aquilo que apelida de perseguição.
Fazendo fé nestas palavras, o Vereador não reconhecerá à Comissão Política trabalho positivo ou projectos assinaláveis.
Folheando o Mealhada Moderna de Agosto, período estival em que poucos lêem jornais, encontrei esta reacção de César Carvalheira aos 5 anos de elevação da Mealhada a cidade:

"Outro dos problemas que a cidade não conseguiu colmatar foi o da crescente desertificação do centro urbano com a evidência de existirem cada vez mais prédios devolutos. É imperioso tornar a Mealhada uma cidade atractiva, que cative as populações a fixarem-se no centro, promovendo medidas de reabilitação das casas degradadas e com isso criar estímulos à habitação e à reorganização da vida comercial.
Na próxima década é importante que os responsáveis autárquicos não ignorem esta necessidade de restruturação da cidade, não podendo igualmente esquecer as diversas freguesias do concelho que também se debatem com os mesmos problemas e outros diversos. Sou adepto dum crescimento sustentado que não promova assimetrias entre a Sede do Município e as restantes localidades. Só assim podemos fazer do concelho da Mealhada um exemplo de qualidade de vida."

Hoje, Gonçalo Breda Marques diz o seguinte:

"Actualmente, um dos problemas dos centros urbanos de todas as freguesias e lugares do concelho, relaciona-se com o estado deplorável e a situação de abandono de inúmeros edifícios. As fotografias que vou colocar nos próximos dias no meu Blog revelam os efeitos da passagem do tempo em vários locais do concelho e, ao mesmo tempo, evidenciam a falta de uma política municipal de incentivo à recuperação e ocupação deste tipo de imóveis.Por entender que uma verdadeira renovação e reabilitação dos centros urbanos e do património deveria ser sinónimo de bem-estar, de atracção de pessoas, de qualidade de vida e de benefício para todos, pretendo enquanto vereador reclamar atenção para este problema e apresentar propostas e recomendações, no sentido de aproveitar todas as oportunidades e apoios financeiros que possam surgir."
Realmente, apenas 3 meses após o Presidente da Comissão Política do PSD ter dado o toque sobre esta matéria, Breda Marques vem reconhecer que afinal ali também se produzem ideias e projectos para o concelho da Mealhada!
Agora só desejamos que o Vereador não venha assumir como sua uma ideia que não lhe pertence, pelo que lhe ficava bem, de forma eufemistica, reconhecer que está em sintonia com as preocupações urbanisticas já manifestadas por César Carvalheira.
Ave Caesar

10 comentários:

D'artagnan disse...

Ó Gaius, para mim, não é importante de quem são as ideias, mas que haja ideias que consigam congregar sinergias.

O PSD-Mealhada, tem passado mais tempo a discutir de quem são as ideias, em vez de criar um projecto político sólido.

Quem esfrega as mãos de contente é o PS, que assim pode desempenhar com "a mediocridade que entender" o poder autárquico sem ser verdadeiramente incomodado, questionado ou confrontado, com algo mais que desconfianças bacocas sobre um dos seus vereadores.

Sem uma oposição sólida e positiva, não podem haver boas gestões autárquicas.

Não tenho nenhumas dúvidas da próxima vitória do PS, seja qual for o candidato que apresente, se o PSD continuar neste caminho (por mais amizade e estima pessoal que tenha pelos nossos amigos Breda Marques, Cesar Carvalheira e Carlos Pinheiro)

É pena...

Anônimo disse...

Breda Marques copia as ideias dos outros???

Anônimo disse...

Caro Gaius podias fazer um esforço e ir um pouco mais longe. Bastava teres o cuidado de pegar no programa de candidatura do Gonçalo Breda Marques de 2001 e 2005 e perceberes que já nessa altura o rapaz defendia a regeneração dos centros urbanos.
É de louvar o esforço que fazes em colocar ideias na cabeça do Carvalheira como se fossem dele. Já nada se inventa meu amigo.

Gaius Germanicus disse...

Pois é caro D`Artagnan, mas para que frutifiquem as ideias e se congreguem sinergias é importante que as personagens mostrem voluntarismo antes mesmo de mostrarem ambição. Costumo dizer que só faz política de boa fé quem não precisa da política para nada. E se calhar tem sido essa a pedra no sapato de muita gente.
Convenhamos, o PSD concelhio, latu sensu, terá provavelmente muito mais capacidade para gerir duma forma arrojada o concelho da Mealhada que o PS. No entanto, desde que conheço o PSD, sempre houve estas lutas intestinas que nada contribuem para que se afirme como alternativa credível.
Não queria entrar pelo tema das desconfianças entre Vereadores e Comissão Política. Só eles sabem o que combinaram no segredo dos gabinetes e depois não cumpriram publicamente.
Até agora também não vi os Vereadores desmentir a CP que afirmou desde a sua eleição que desempenhava o seu trabalho em sintonia com os Vereadores.

Quanto à vitória do PS nas próximas eleições acreditaria nela se houver capacidade de união entre as facções desavindas. Segundo me suspiraram ao ouvido, cabral e Marqueiro não se falam há um ano.

Gaius Germanicus disse...

Portanto...em sintonia?

Anônimo disse...

Em 1950 ainda existiam burros no Luso e no Buçaco em plena actividade empresarial, isto é, fazendo o transporte de clientes para a serra, do Buçaco para as Almas, para a Cruz Alta ou para qualquer outro percurso combinado entre ofertante e utilizador.

Cavaleiro sentado na macieza dumas gastas albardas, o burro conhecedor instintivo do caminho e o burriqueiro atrás, de vergasta na mão, tocando a azémola ou sacudindo as moscas procurando transmitir ao ocasional ocupante o prazer de sentir as rédeas sobre as orelhas do asno imaginando-se veloz na garupa dum puro sangue ou a com a leveza dum Aladino sobre crinas enfeitiçadas cavalgando para um etéreo harém. O marketing não é descoberta de espertos dos nossos dias que apenas o elevaram á condição da cátedra para sacar uns cobres, pois como se vê, um simples e modesto burriqueiro do século passado pode testemunhar a necessidade, a que agora chamam ciência, de vender ilusões. Pelo melhor preço.

Ir ao Palace Hotel custava cinco escudos, á Cruz Alta sete e quinhentos e á fonte do Castanheiro com paragem no garoto para beber um copo de água fresca e volta pelo Lusitano, ficava por vinte e cinco tostões. Para famílias, a viagem podia ter um desconto consoante as burras requeridas e as burricadas, brincadeiras mais abrangentes sujeitas a imprevistos e demoras, tinham uma taxa fixa um pouco mais elevada, mas tudo dependia da habilidade em fazer, para um e outro lado, um bom negócio.

À noite, o Zé Posta recolhia as burras no Luso d’Além numas arcadas antigas debaixo da casa própria e fazia contas aos ganhos, á despesa dos animais, ao sustento, ás doenças e era depois da refeição comida á pressa noite dentro que as sacudia, limpava e deixava ficar prontas para na manhã seguinte reiniciar o negócio com a barriga cheia, estacionadas na avenida, acima das onze bicas.

Coexistiam com um fotógrafo á la minuta na mesma fonte de S. João que fazia os sábados e domingos no Buçaco, por isso não é raro encontrarmos fotografias de burricadas, gratas recordações dos nossos avós, bisavós e veraneantes.

No monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, ainda hoje existem estes velhos fotógrafos que são museus vivos dum passado não muito longínquo que nada tinha a ver com a rapidez dos nossos dias nem com a proliferação de aparelhos que surgiram depois desde os kodakes às câmaras digitais, aos próprios telemóveis e ás filmadoras de mão. Não há muito tempo ali me fiz fotografar com elegante companhia ao estilo antigo a quem dei fotos e chapas em preto e branco que hoje, por curiosidade, gostaria de ter.

Coexistiam ainda no negócio dos transportes uma dezena de táxis (quem se lembra dum fiat balilla?) e não consta que existissem desavenças entre a competitividade duns e doutros, sinal de que os tempos corriam melhor nas termas e de que a mata do Buçaco era também um lugar de passagem, mas também motivo para estadia prolongada.

Não precisei na exactidão da data em que nascem estas burricadas, mas não será difícil imagina-las em paralelo com o desenvolvimento termal e parecem ser um produto pioneiro do nosso turismo, o que significa, traduzindo para linguagem actual, um dos primeiros recursos entre a diversidade que faz hoje a oferta do pacote da actividade. Podemos rir destes primórdios recentes mas de facto em toda a primeira metade do século passado há noticias do recurso um pouco por todo o lado e ainda hoje restam nalguns lugares, por reactivação em experiências interessantes, algumas delas catalogadas como turismo de aventura, se bem que tenha sido sempre uma aventura andar de burro. Para além da teimosia, nos dias que correm o burro burro é uma raridade, embora o burro metafórico seja mais comum que a legitima e nos puxe, teimoso, para trás. Há ainda muitos.

Ora um dia, nesses conturbados anos de cinquenta do século passado, regressava do Buçaco o Zé Posta com um par de burros no fim de mais um dia de jornada. Encarrapitava-se em cima da beltrana uma burra mansa, serena, tão habituada aos mimos do freguês como á chibata do dono ou ás ferradas das moscas e segurava pela trela o várzeas, um burro nascido debaixo da ponte, o que se pode dizer um burro burro de todo, de nascença e de ensinanças, á maneira da azémola do prodigioso Sancho Pança e de seu amo o senhor D. Quixote para sermos mais verdadeiros. Anoitecia. Na sineta do Convento deram sete badaladas finas, arremessadas em bruto como Frei Thomas das Mazelas gostava de fazer durante as guerras liberais, costume depois continuado por sucessivos guardas do mosteiro ciosos da tradição, desde que houve a confiscação dos bens em 1834 salvo erro.

A mata estava em silêncio total como naqueles fins de tarde aprazíveis, quase divinos em que podemos escutar o nada que nos envolve como se não existíssemos. Nem o próprio mundo tem existência real nesses solenes momentos em que se ouve apenas o silêncio em toda a redondeza e as árvores são sentinelas mudas dos espectros soturnos duma tarde em queda lenta. Apenas o arre burro do Zé cortava de vez em quando a solenidade divina e o enxoto era empurrado pela aragem com a suavidade dum sonho. Foi neste marear sereno e cálido que se precipitou o acontecimento, pois dá-se que á mansidão da beltrana se opõe a brusquidão lazarenta do outro e quando desciam ao campo da bola para atalhar o caminho não é que o várzeas dá de zurrar e escoicinhar a beltrana num pinoteio de palco com cagatório de birra!!!!??? De imediato, o Zé, apertando nos calos a rédea que se soltava, foi no desequilíbrio, tombou no chão e por pouco não foi arrastado estrada abaixo a morder o pó nas tamancas. A custo, sozinho, puxou a burricada para casa com a vergasta em sarilho num badanal dos infernos.

Tão maltratado que nem lhe apeteceu comer e ao outro dia, não de burra, mas de táxi, foi, por insistência da mulher, á endireita de Paraimo para lhe pôr duas costelas no sítio, tanto quanto o manso asno, por simpatia do outro, lhe pôs abaixo.

-E se não vinha tão depressa, disse a curandeira depois duma massagem e de o entrapar em panos e aguardente, amanhã não se podia levantar.

Deitado por alguns dias sobre uma arca de broa antiga, esticou-se quanto pode para endireitar a ossatura, descanso que a dureza da vida cedo atirou para a necessidade do trabalho que o verão não se podia perder ao sabor dos luxos da doença, sobretudo de quedas de burras , o pão nosso de todos os dias !

Mas foi porém quando se queixou á santinha da aspereza e das dificuldades, da numerosa família e do azar que lhe batia á porta que a mulher, condoída de tanta mazela e chorosa lamuria o mandou em paz sem lhe cobrar um tostão.

E o Zé, reconhecido, puxando da humildade e da gratidão que lhe perpassou pela alma, sinceramente, disparou:

-Quando for ao Luso, pergunte pelo Zé da Posta, que lhe dou uma barrigada de burro como nunca levou na sua vida!!!!!

Gaius Germanicus disse...

Confessem lá que não tinham saudades desta prosa pró-nacionalista (lusense, óbviamente).

Benvindo caro Jorge Carvalho

Ave Caesar

Anônimo disse...

Por falar em contradições publicas aos jornais o gonçalinho é o numero 1 nessa matéria sopra de acordo com o vento humido. Ja agora passa a vida a lamentar se que deu muito ao partido PSD? E o xurudos ordenados que o PSD lhe deu como deputado,e a indemnização que o estado lhe deu quando caiu o governo,ja não sei quem é que deve a quem.

Anônimo disse...

Tanta dor de corno. Eu também gostava de ser deputado ou vereador ou outra coisa qualquer.

Anônimo disse...

Caro companheiro anonimo das 14.01
Sabe que para ser deputado ou vereador ou outra coisa qualquer não é preciso por vezes ser competente basta ser inconsequente ou malabarista...Bem aja as execpções que não é o caso........