quarta-feira, 5 de março de 2008

O meu nariz é maior que o teu...


O jornal britânico Daily Mirror divulgou há dias os resultados dum inquérito a 2500 pessoas sobre o tipo e o número de mentiras ditas diariamente.
O referido inquérito concluiu que a média diária é de quatro.
Bem, mas não esqueçamos que o inquérito foi realizado na Grã-Bretanha. Em terras lusas o resultado teria sido multiplicado por 10.
Mentir todos mentimos. Mas são as chamadas "white lies", aquelas que não causam males a terceiros nem revelam problemas de carácter. Por exemplo, quando nos perguntam se "está tudo bem?", invariavelmente respondemos que sim, mesmo que estejamos mais ou menos.
Há dias neste blogue publicou-se um post anedótico, onde aos políticos era colado o rótulo de mentirosos (a minha "amiga" Lua diz que conhecia a anedota, mas os visados eram os advogados. Dou-lhe inteira razão).
Eu não diria tanto. Acho mais que os políticos mudam de opinião muitas, senão demasiadas vezes, sem que isso possa ser considerado uma mentira.
Na penúltima edição do Jornal da Mealhada um político dizia "Penso que ainda é muito cedo para que essa demissão venha a acontecer. Não faria sentido fazê-lo agora".
Questionado o mesmo político sobre a demissão da Comissão Política, afirmou "Os assuntos internos do partido dizem apenas respeito aos elementos do PSD". "Mantenho as mesmas palavras que disse na semana passada. Concordo que esta demissão venha a ser feita, mas não agora".
Ora bem, parafraseando Pimenta Machado, o que ontem era mentira hoje é uma grande verdade. A Comissão Política demitiu-se, o Presidente demitiu-se e vamos ter eleições antecipadas.
Ave Caesar

13 comentários:

Anônimo disse...

Dá o desconto ao rapaz que ele anda desorientado. Afinal sempre é a primeira vez que vai a votos sem rede.

Anônimo disse...

a primeira e a ultima

Anônimo disse...

Meu caro Gaius, o seu post levanta muitas questões, de ordens diferentes, parece-me, apesar da brilhante construção do texto e da sequência das ideias.
Sem querer ser demasiado aborrecida, vou tentar comentá-lo o mais sinteticamente possível.
A primeira questão prende-se com a ideia de que há características universais num povo, alguns traços comuns de identidade. É uma ideia que sempre me fez alguma confusão, porque apesar de, de facto, cada país/povo/nação comungar de elementos culturais comuns (a língua, o folclore, a bandeira, valores, etc.) não sei se isso se traduz numa homogeneidade do/no carácter de cada indivíduo (que leva a enunciações do género: os alemães acham-se superiores, os franceses são uns pretensiosos, etc.). Isto para dizer que não sei se os portugueses, só porque o são, serão mais mentirosos que os ingleses. Outra questão, porém, que no post está misturada com esta, tem que ver com as mentiras inócuas, ou white como refere. Estas mentiras inofensivas prendem-se, não raras vezes, com alguns valores partilhados pelos membros de uma determinada comunidade. Refere, e bem, a resposta ao “tudo bem?”. Ao contrário de outros povos, lembro-me, por exemplo, do Brasil, não é verdade que nós, portugueses, tenhamos como prática dizer que “está tudo bem” quando as coisas não estão; aliás, é comum, nos portugueses (e talvez em todos os povos onde reina ainda a culpa judaica-cristã), dizer sempre que “mais ou menos”, “vamos aguentando”, “temos de estar” mesmo quando está tudo bem e, quando não o está, enunciar uma ladainha de queixumes. É esta a minha percepção e penso que tal radica no medo em que as pessoas têm de dizer que estão bem, como se o céu, a seguir, por uma qualquer arte, nos caísse em cima. Obviamente que conheço pessoas que não são assim e, eu própria, também digo que está sempre tudo bem, porque tenho pavor a qualquer tipo de vitimização (sobretudo a minha). Mas, como não estamos aqui para fazer psicanálise, passemos ao ponto seguinte, que se prende com o modus operandi da política.

Concordo consigo – como já tinha referido num comentário a um post da Messalina – que não é necessariamente a mentira a característica da política e do modo de fazer política.; mas tenho de divergir quando, após esta salvaguarda sua, acaba dizendo que o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira, ou vice-versa. No caso que enuncia o que houve não foi qualquer mentira, mas uma leitura temporal e contextual de um determinado facto. Quando Copérnico veio mostrar que não era o planeta Terra o centro do universo, não veio com isso dizer que os que assim antes pensavam estavam a mentir, mas que estavam errados, simplesmente, parece-me óbvio, porque não tinham o conhecimento que lhes permitia mentir. Assim, para existir mentira, no exemplo que dá, o político em causa teria que saber da demissão e, voluntariamente, mentir sobre ele. Para aferir uma mentira não podemos fazer uma leitura do tempo (e dos seus contextos) de forma linear, sob pena da injustiça reinar. Houve, neste caso, no máximo, uma má leitura dos sinais e não uma enunciação falsa voluntária sobre os mesmos.

Extrapolando um pouco, e para apagar (ainda alguém está a ler isto?), a questão da não transparência da política é um tema antigo e complexo. A verdade é que a política visa o poder e não dizer a verdade. O critério de verdade (de justiça, de participação democrática, etc) faz parte da partição de gente comum, como nós, na esfera política. Quando um membro político da oposição, por exemplo, desmente um determinado facto do partido do poder, o que o move não é, geralmente, a reposição da verdade, mas, com isso, conseguir poder, dado pelos observadores desse debate (nós, portanto). Se daí podemos dizer que os políticos são mentirosos, obviamente que não e é perigoso para a democracia pensarmos assim. Quer apenas dizer que a retórica exigida no debate político não é a preto e branco, não é maniqueísta, mas um rede complexa, com muitas escalas de cinza. Está aí parte do seu fascínio (a outra depende da perspectiva de política e serviço que cada um de nós tem). Para que se compreenda isto, um texto, em algumas coisas obsoleto, que o diz bem é “O Príncipe” de Maquiavel, sobretudo o capítulo xviii (é um texto pequeno, que podem encontrar facilmente online).
Peço desculpa pela extensão, mas a questão da transparência e da verdade são temas muito caros à minha pessoa e prenhes em questões, para mim ainda mal resolvidas.

Anônimo disse...

Só para acrescentar uma coisa, relatva ao seu último parágrafo: "o que ontem era mentira hoje é uma grande verdade" não é correcto; o correcto seria " o que ontem era uma possibilidade hoje observou-se (é verdade, actualidade, realidade).

Anônimo disse...

mas o post não era sobre politicos?
é que esse rapaz nem a aprendiz chegou.
mas tem veia. por vezes está a falar só para uma pessoa e discursa como se estivesse a falar para uma plateia cheia de gente.
ou é loucura ou é mesmo muit burro.

Anônimo disse...

Lucinius é melhor dares avanço a este Blog presunçoso porque o Gaius anda em campanha pela lista do Carvalheira. Tem ciumes do meu amigo Carlos marques. só porque ele é mesmo um bom jurista e não se formou na independente como ele. E sabe bem que na pampilhosa todos sabem o valor do carlos.

Anônimo disse...

Jorge carvalho vai ser desta que o Mero vai mostrar quem manda.
Bem podes emigrar porque depois desta nem na junta vais ter tacho.

Anônimo disse...

Jorge pede ao marqueiro já um papel assinado em como vais ser vereador porque senão ficas a ver navios.
Quem te avisa teu amigo é.

Anônimo disse...

Vai ser humilhante a derrota do carlos marques.
Tanta ambição só podia dar nisso.
Devia ter vergonha. nem candidato para a Assembleia de militantes conseguiu arranjar e agora ainda vai dizer que apoia a lista do Jacinto que já deu o apoio ao César e que tem lá o Peres e o Joao Pires.

Gaius Germanicus disse...

Cara Lua,
Temo que o defeito, por vezes, seja meu quando nos posts não partilho toda a informação de que disponho. Mas a ideia talvez também seja de aguçar o engenho e múltiplas interpretações que os leitores nos podem fazer.

Na generalidade do seu comentário arrisco-me a partilhar o ponto de vista. O post quando parte duma caracteristica intrinseca a um povo serve-se, obviamente,dum cliché de retórica que não tem fundamento mas serve somente de argamassa ao conteúdo.

Aponto no entanto a sua habitual argúcia quando diverge da máxima " o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira", tornando-a noutra: " a leitura que faço hoje dos acontecimentos, é diferente da que possa fazer amanhã".
Seria assim se os factos de ontem fossem diferentes dos de amanhã, o que não foi o caso. Relembro que entre as primeiras afirmações e a decisão decorreram 3 dias e os factos eram os mesmos.
Na minha óptica, as primeiras afirmações foram tomadas por quem ainda pensava conseguir não ter tantos efeitos colaterais da hecatombe ocorrida numa reunião da CP. Sucede que nada havia a fazer e o resultado só podia ser mesmo aquele.
Diria, ainda na senda do seu comentário, que a falta de visão política talvez esteja aliada à ausência de leitura dos clássicos - vide. "O Principe" e "A Arte da Guerra, por ex.. Caso contrário não se cometeriam erros de avaliação tão grosseiros.
Se a personagem tivesse pretensões a Principe, Maquiavel talvez o aconselhasse deste modo: "Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo advirá dela".

Volte sempre porque nos enriquece.

Ave Caesar

Anônimo disse...

Ambicioso e cego.
A ambição não faz mal a um político mas não pode é cegar.
Quis dar o salto maior que a perna e ainda assim anda a viver a ilusão que vai ser eleito e que todos o adoram.
Perdoai-lhe senhor que perdeu a noção da realidade.

Anônimo disse...

Ouvi dizer que até já esteve na Câmara a medir o gabinete do Cabral para ver se o sofá que viu no mestre maco lá cabe.
E na porta do gabinete vai ter uma placa a dizer Sua Exª/Presidente/Dr/Enf Marques ao seu dispor mas só com marcação.

Anônimo disse...
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