Como todos os dias, o mundo tem rodado e com ele milhentas coisas acontecem - às quais não temos acesso por questões editoriais e por ausência do dom da ubiquidade (e eis a minha prova para afirmar que Deus não nos fez à sua imagem e semelhança, lamentavelmente… sempre se evitavam uns crimes passionais). Analisar, deste prisma, o convite de Bénard da Costa a Pedro Mexia para número dois da Cinemateca Portuguesa, surge-me como um acontecimento menor, mas ao qual não posso fugir.
Não consigo gostar do Mexia. Tem um não-sei-quê pegajoso. E acha-se muito. E não gosto do estilo. E não gosto da reverência do putedo pensante da capital. E não gosto da poesia. E não gosto da referência constante a nomes dos quais sabe os epítetos que lhes atribuíram, mas que nunca leu. E não compreendo como é que ele deu o salto de Direito na Católica para crítico “literário”. E com isto, para a política, nacional e internacional, para o cinema, idem, para a filosofia, idem, etc. E a atitude de despreocupado, de uma imagem construída ao milímetro de um certo tipo de intelectual da moda (cujas instruções roçam aquelas pequeninos e deliciosos livros “especialista instantâneo em”, dos quais o Mexia deve ter um cheque em branco), mas que tem os olhos tristes de menino inseguro (e não, não será a angústia existencial dos sages; é ainda a arcaica e pueril, bucólica até, tristeza). Não gosto do Mexia. E não quero conseguir gostar. Para chão basto eu.
Posto isto, transcrevo um poema do senhor Pedro Mexia, para coroar o momento de retorno à Cinemateca, local de que Mexia era um frequentador assíduo nos seus tempos de (não sei, não o imagino ainda com passado), segundo disse numa entrevista sobre o facto. Um poema em cujo título encontramos ruídos de fundo de um livro de Jacinto Prado Coelho, Ao contrário de Penélope:
"Ao contrário de Ulisses
Infeliz quem, ao contrário
de Ulisses, volte a casa
e nem sequer um cão, nem
um cão morto sequer, ladre."
(Em Memória, 2000)
Não consigo gostar do Mexia. Tem um não-sei-quê pegajoso. E acha-se muito. E não gosto do estilo. E não gosto da reverência do putedo pensante da capital. E não gosto da poesia. E não gosto da referência constante a nomes dos quais sabe os epítetos que lhes atribuíram, mas que nunca leu. E não compreendo como é que ele deu o salto de Direito na Católica para crítico “literário”. E com isto, para a política, nacional e internacional, para o cinema, idem, para a filosofia, idem, etc. E a atitude de despreocupado, de uma imagem construída ao milímetro de um certo tipo de intelectual da moda (cujas instruções roçam aquelas pequeninos e deliciosos livros “especialista instantâneo em”, dos quais o Mexia deve ter um cheque em branco), mas que tem os olhos tristes de menino inseguro (e não, não será a angústia existencial dos sages; é ainda a arcaica e pueril, bucólica até, tristeza). Não gosto do Mexia. E não quero conseguir gostar. Para chão basto eu.
Posto isto, transcrevo um poema do senhor Pedro Mexia, para coroar o momento de retorno à Cinemateca, local de que Mexia era um frequentador assíduo nos seus tempos de (não sei, não o imagino ainda com passado), segundo disse numa entrevista sobre o facto. Um poema em cujo título encontramos ruídos de fundo de um livro de Jacinto Prado Coelho, Ao contrário de Penélope:
"Ao contrário de Ulisses
Infeliz quem, ao contrário
de Ulisses, volte a casa
e nem sequer um cão, nem
um cão morto sequer, ladre."
(Em Memória, 2000)
Aqui estou eu a ladrar(-lhe). Para que não fique tristinho.
Vale!
8 comentários:
O Mexia parece uma alforreca.
BORING!
Ainda tenho a boca cheia de cinza. Mas para discos pedidos, tente a rcp.
GRIPOU.
ESTA COISA GRIPOU!
"Para chão basto eu."
Nem mais. Está tudo dito. Quando não gostamos de nós próprios,de quem haveríamos de gostar?
Confrangedor.Só se admira quem está em algum ponto acima de nós, admirar quem está ao nosso nível não faz sentido: é um exercício de humildade.E já que tardam os argumentos e refutações contra a minha perspectiva do valor do Mexia, façam o favor de ver outros curriculos nacionais mais apropriados para a Cinemateca, como por exemplo deste senhor: Paulo Filipe Monteiro.
Deve ser do "estado natural das coisas" um filho discordar da progenitora.
Minha cara Agrippina, ladre-lhe mas não lhe morda.
Confesso que sinto uma certa empatia pelo rapaz. Não sei se pelo seu ar de alma penada, se por alguma (não imensa) admiração pela sua escrita. Dele conheço sobretudo as crónicas. E foi por causa da sua saída, e depois pela do Francisco José Viegas - rapaz mais do meu agrado, quanto mais não fosse pelas crónicas pantagruélicas - que cortei relações com o JN de Sábado.
Mas vou tentar catequizá-la. Olhe para o Mexia como uma criança grande. Como alguém que agrurou muitas frustrações na adolescência (principalmente de índole sexual). Alguém que viu na escrita a única forma de reconhecimento. E fez da escrita um "Diário" de lamentos,mas também de opiniões avisadas duma determinada franja societária.
Dê-lhe o benefício da dúvida relativamente ao futuro da Cinemateca (será desta que aquela Instituição exibirá filmes pós-Rashomon ?, acreditando que um mero apreciador de cinema, também pode ser um bom gestor de gostos alheios.
E porque ontem foi o Dia da Poesia, despeço-me com outro poeta - este sim brilhante - que também gostava de latidos.
"
Ladram uns cães à distância,
Cai uma tarde qualquer,
Do campo vem a fragrância
De campo, e eu deixo de ver.
Um sonho meio sonhado,
Em que o campo transparece,
Está em mim, está a meu lado,
Ora me lembra ou me esquece,
E assim neste ócio profundo
Sem males vistos ou bens,
Sinto que todo este mundo
É um largo onde ladram cães."
Fernando Pessoa, Poesias Inéditas
Meu filho Gaius, o apelo à compaixão pelo rapaz fará de ti um bom cristão, mas não um homem justo. O Bénard é um homem cultíssimo e superior e, apesar de admitir não conhecer pessoalmente o Mexia (e tenho as minhas sérias dúvidas sobre se o lerá), escolheu-o por um frágil protagonismo que Mexia tão bem soube forjar junto de algumas classes "pensantes", mediatizado, tendo-o como exemplo dessa mesma "elite" alargada. Não foi por qualquer mérito, que assistia como diz, e bem, a FJViegas ou, acrescento, a outros nomes possíveis.
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