
A anulação do Lisboa-Dakar parece-me uma história mal contada. Ao que se sabe, a direcção portuguesa da prova não foi ouvida nem achada. Nesta decisão venceu a já habitual cobardia gaulesa, que ao longo dos anos nos tem habituado a comportamentos de agachamento perante ameaças muitas vezes patéticas. O fundamentalismo que grassa em França e que de tempos a tempos incendeia Paris parece-me mais grave que uma suposta ameaça da Al - Quaeda, hipoteticamente ouvida numa qualquer escuta telefónica dos Serviços Secretos franceses.
A grande diferença é que o Dakar a que dantes nos habituámos era uma aventura. E quem nele participava sabia que corria riscos. No entanto, esse era o espírito. Desbravar o deserto, enfrentando não só as intempéries mas todos os outros perigos humanos.
O Dakar tornou-se num enorme negócio. E quando o maior patrocinador - Total Francesa - roi a corda, não há combustível para ninguém. Sarkozy, pela primeira vez deu o flanco ao terrorismo e todos sabemos que quando, por uma só vez, claudicamos, aqueles que porventura nos temam redobram as suas forças.
Só para contrariar, o anadiense Nuno Santos que nos últimos dois anos investiu todas as suas capacidades para realizar um sonho, não olhou para trás. E à margem da cobardia, enfrentará nos próximos dias os receios daqueles que preferiram o conforto. A fibra dos homens ( e das mulheres) bairradinos vê-se nestes actos. O sonho comanda a vida de Nuno Santos. E é esse mesmo sonho que o acompanhará corajosamente pelas quentes areias do deserto.
Boa sorte, Cavaleiro.
Ave Caesar
Um comentário:
E o Nuno Santos nao está sózinho!A acompanhá-lo estão 50 apoiantes e uma equipa de logística, também ela Bairradina
Postar um comentário