quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Amanhã de manhã...


Há quem tenha apelidado o século XX de "Século do Povo". O século das grandes conquistas, o século das igualdades, o século das garantias, o século dos direitos, o século das liberdades.
Bastam sete anos e pouco de século XXI para se ver que este não será de todo um século do povo.
Dificilmente estaremos vivos, eu e o caro leitor, quando se fizer o balanço deste século mas desde já aposto que será recordado como o século do imediato.
Nunca a história do mundo moderno viu tamanha alienação de vontades, tamanha estreiteza de vistas em relação ao futuro, tamanho desrespeito pelos ideiais humanistas, tamanho desprezo pela vida humana...
Só o dinheiro interessa e só o dinheiro já! Porque a noção de investimento foi de vez arredada do léxico tecnocrático de todos quantos nos (des)governam.
O problema é tão amplo que se identifica no mundo como se identifica na nossa casa.
Esta globalização do ideal do "vou viver agora porque amanhã posso estar morto" começa a cavar verdadeiros fossos entre o hoje e o amanhã. Por cada individuo que se preocupa com o futuro, há cinco que acham prudente preocupar-se apenas com o presente.
A palavra incerteza transformou-se numa tão grande certeza que ninguem arrisca dar um passo para fora da zona de luz. O escuro é feio, frio e acima de tudo, vago.
Nem os poetas, arautos da causa-vida, da vida em causa e da causa em causa se arremetem a espiolhar o novo que virá.
Nem os poetas!
Porque a natureza não me permitiu ser impotente, sinto-me apenas...incapaz!

2 comentários:

Anônimo disse...

Caramba, Valéria! Até que enfim, alinhavas alguma coisa de jeito!
(se bem que não acredito ser de tua lavra a antepenultima frase, que me parece de uma beleza estranha, que ultrapassará as tuas capacidades de voar a essas alturas "Nem os poetas, arautos da causa-vida...").
Mas tinhas de acabar onde acabaste! De onde virá essa obsessão? Serás TS?
(É claro que não tenho nada com isso, mas parece-me completamente despropositado, num Blog, este meter as mãos nesta massa da maneira como o fazes, duma forma primária e grotesca. Ainda se a intenção fosse espalhar por aqui um pouco de perfume erótico, ainda vá lá. Mas em todas as tuas incursões nesta área e que já tenho criticado, não vejo nem erotismo, nem beleza, nem qualquer sugestão de uma ou de outra. O que vejo é uma tentativa de algo parecido com isto, mas que, na prática, resulta num flop, uma verdadeira bosta inodora que salpica a tua imagem)

Anônimo disse...

Amen