
Há jornais que hoje compramos "porque sim", porque nos habituámos a conviver com eles, diária ou semanalmente. Imensas vezes torcemos o nariz quando eles mudam, ou melhor, quando se actualizam mas mantêm a mesma qualidade que fizeram com que se tornassem viciantes.
Hoje não questiono porque compro o Expresso, o Público, o DN e, claro, A Bola. São instituições ou membros da família mais chegados que me fazem falta quando os não tenho. Muitas vezes lamento a sua falta quando, fora de portas, eles não me acompanham. E aí vem-me aquele sentimento muito nacional da saudade.
Um dos membros dessa minha família é há muitos anos o Jornal da Mealhada, um jovem de 22 anos, que se actualizou, mas manteve a sua identidade e dignidade. Rejuvenesceu com um novo Director, mas também nos obrigou a reflectir mais profundamente - parabéns aos quase sempre excelentes editoriais. Há quem lhe chame denso. Eu chamar-lhe-ia intenso.
Parabéns
Ave Caesar
8 comentários:
Nos dois jornais do concelho, e como as notícias também não acontecem aos magotes todas as semanas, aquilo que me faz ir às bancas todas as semanas comprá-los prende-se muito com as entrevistas, artigos de opinião e no caso em questão do Jornal da Mealhada, com o editorial do Canilho que tem mantido uma qualidade muito boa, com temas actuais e interessantes.
Até porque o Canilho tem uma capacidade de análise e de síntese muito boa, com opiniões com as quais muitos se identificarão na maioria das vezes.
finalmentew falam do jornal da mealhada.
é muito bom mas as unicas noticias que verdadeiramente interessam estão no mealhada moderna.
Evitava é de ser tão pouco isento.
Nota-se à distância que jogo é que está a jogar. Por que será que se esquece de alguns factos que para outros jornais, são notícia e para este não são?????
O ´Jornal da Mealhada´não passa de um pasquim informativo e o novo director apesar de jovem não trouxe nada de novo à linha editotial do passado.
Esta é a realidade.
Falta de arrojo e coragem de edição para edição.
SEMPRE OUVI DIZER QUE A IMPRENSA PODE SER BOA OU MÁ. AGORA QUANDO A MESMA É INFLUENCIADA´NÃO RESTAM DUVIDAS QUE É MÁ DE CERTEZA. O
JORNAL DA MEALHADA TEM SIDO DIFERENTE DO OUTRO AÍ DA TERRA, PORQUE ESSE É EFECTIVAMENTE UMA DESGRAÇA.
O que se nota é precisamente o contrário. O Jornal da Mealhada é incapaz de ser livre e independente. Depende da Câmara e da boa disposição do Cabral.
E o seu director percebe tanto de jornalismo como eu de Formula 1.
Nunca se pode ser profissional a fabricar um pasquim que recorrentemente se nota a proximidade e a tendência de ajudar quem nos interessa.
O Mealhada Moderna peca porque procura promover o seu dono.
Na restante informação já se nota algum profissionalismo.
O dito faz parte da história da democracia portuguesa: foi cunhado pelo ilustre Marcelo Rebelo de Sousa, na sua encarnação de jornalista do Expresso (que dirigiu) e de redactor da respectiva secção de mexericos politiqueiros e rosa, a Gente . “Balsemão é lelé da cuca”, escreveu ele no meio de um texto, antecipando gargalhadas dos jornalistas da secção de copy desk antes de apagarem da versão final a apreciação sobre o proprietário do jornal, à época primeiro-ministro. Mas nenhum dos copy desks, por distracção ou por respeito pela hierarquia ou por serem ferozes adeptos da liberdade de expressão ou por pura perversidade (talvez tivessem as suas próprias ideias sobre quem era ou deixava de ser lelé da cuca), “corrigiu” o texto. E lá foi Pinto Balsemão tratado de lelé no seu próprio jornal, para gáudio do país, do léxico nacional e da aura um pouco disparatada do professor.
Mais de vinte anos depois, esta história do lelé da cuca parece feita à medida quando um líder do partido que Marcelo dirigiu resolve embarcar na sempiterna demagogia populista das oposições a propósito das alegadas “ondas de crime” (assim de repente recorda-se, na mesma linha, Guterres, à beira das legislativas de 1995, a falar sobre um assalto de que tinha sido vítima uma pessoa da família mais a crucificação de Fernando Gomes, ministro da Administração Interna em 2000, a propósito dos assaltos das bombas de gasolina da CREL) e solicitar ao primeiro-ministro “um pedido de desculpas ao país” por ter sido assassinado mais um segurança da noite portuense. Que me lembre, apesar das bastas precedências nestas retóricas de taxista indignado - peço imensa desculpa aos honoráveis representantes da profissão, mas as coisas são o que são e tenho provas do que digo, ai se tenho -, nunca um candidato a primeiro-ministro tinha ido tão longe no dislate. De tal forma longe que o próprio Santana Lopes, seu aparente braço-direito, fez questão de se demarcar, conseguindo, por contraste, parecer sensato e ligeiramente credível no seu “apelo à reflexão”.
Menezes, como o Marcelo do Expresso, não tem copy desk que lhe corrija os textos, as ideias, os sound bites. Aquilo sai assim - falta de superego ou de conselheiros com tino, falta de noção ou de revisão, pouco importa. É o resultado que conta, e o resultado é deplorável. Pode ser que ressoe na alma autoritária de uma nação que, como escreveu o blogger Henrique Raposo, clama sempre por “respeitinho e sossego” como quem não se importa de pagar por isso o preço de um estado policial. Mas, como escreve Raposo, “Portugal é dos países mais seguros do mundo. Dizer que Portugal é inseguro é ter uma paróquia como cérebro.” Ou nada, digo eu.
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