É certo que já me haviam confidenciado a existência de melhorias e ontem pude constatar que ou a promessa foi cumprida ou fui eu que tive sorte com os ventos.
Ao fim da tarde de ontem vesti uma gabardine, levantei bem as golas, não fosse ser reconhecido pelos curiosos que imaginei por lá andassem escondidos atrás dos arbustos, e fui ver o pôr-do-sol ao lago do Luso.
Mas houve uma segunda razão que me levou a fugir da cidade.
A Mealhada retrocedeu um século em termos de qualidade de vida ambiental. Lembra-me aquelas povoações de ínício do séc. XX, que conviviam harmoniosamente com os currais no rés do chão, onde concerteza, o metano produzido pelos animais devia ter uma qualquer função de "aquecimento central".
Nos dias de hoje, em pleno séc. XXI, a Mealhada convive com pocilgas, vacarias e aviários no seu quintal.
Os responsáveis políticos desta terra, e muito bem, foram dar a cara na Manifestação organizada contra o foco de poluição na Lameira. Mas lembremos que a iniciativa não foi sua. Apenas foram na onda da sociedade civil que decidiu expressar a sua indignação.
No que toca ao grave problema que assola a Mealhada, os políticos mantêm-se quedos e mudos. Sempre na expectativa que outros avancem e que façam aquilo que lhes compete.
Faço também aqui um desafio a todos aqueles que se candidatam ou pretendem candidatar-se. Apontem as soluções, tomem iniciativas, mostrem que os munícipes também podem contar convosco nas questões ambientais. Impeçam o cerco da imundície que envolve a cidade sede de concelho.
Entretanto, em jeito de aviso de navegação, não compreendo como pode a Mealhada ter uma água de tão má qualidade. E também ainda não percebi por que aos fins de semana essa qualidade se deteriora tanto. Os senhores vereadores que tão amiúde nos visitam, que estejam também atentos a esta situação porque sinceramente, ontem ainda pensei em tomar banho no Lago do Luso, porque a limpidez da água pareceu-me de maior confiança que aquela que corre nas torneiras da Mealhada.
Ave Caesar
4 comentários:
Mais uma boa malha, Gaius!
Começo a reconhecer que aí há cérebro...
Estás de facto a contribuir para a DESESTAGNAÇÃO das águas, que, de facto, na Mealhada, há muito que estão Pantagruélicamente (de barriga cheia de esquerda)estagnadas.
Oxalá apareceçam obreiros capazes de meter mãos à obra!!!
Parece que não há obreiros...
Infelizmente. Cambada de abúlicos.
Quem fale, parece que há muitos. Quem faça, NINGUÉM!!!
Por redução da produção, medidas de correcção ou outro facto qualquer, a verdade é que não tem havido cheiros há algum tempo. Esperamos que assim continue.
Em relação às aguas do lago, talvez sejam límpidas, mas a sua cor castanha (que não se distingue nas horas em que todos os gatos são pardos) revela uma necessidade urgente de limpeza do seu leito.
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