
É da ciência política, ainda que tristemente, que os apoiantes dos derrotados entrem numa depressão endémica, desistam ou pura e simplesmente mudem de camisola, lobotomizando todas as convicções que até aí tinham. Aos primeiros chamemos "fogo fátuo" ou "sprinters". Aguentam uma corridinha, mas após um primeiro desaire perdem o fôlego para a maratona que é a actividade política.
Por outro lado há os maratonistas veteranos. Aqueles que nada abala e a quem as pequenas derrotas são facilmente ultrapassadas com pragmatismo.
Ao longo dos anos habituámo-nos a zurzir em Alberto João Jardim, pelos seus excessos, pelo sua exacerbada insularidade e discurso terrorista contra o continente.
No entanto, eis o político laranja com mais vitórias no currículo, a quem devemos atribuir diversas qualidades. Jamais se ajoelha, jamais presta subserviência.
Apoiante de Marques Mendes nas últimas directas, não se coibiu de elogiar a acção do ex-líder nas intenções de Sócrates de provocar o estrangulamento da economia madeirense.
Da mesma forma não se coibiu de fazer avisos à navegação de Menezes. Frontalmente, como é a sua postura, advertiu-o que um líder não fracciona, um líder promove a união de todos os militantes pois só assim chegará a bom porto.
Pragmático, definiu ainda o calendário para a liderança de Menezes. Caso o Presidente do PSD chegue ao fim do primeiro trimestre de 2009 sem condições para derrotar a maioria socialista, resta-lhe encontrar a porta de saída, caso contrário, poderá ser ele a indicar-lha.
Desconfio que nem Ribau Esteves, nem o PSD Mealhada estiveram muito atentos a este discurso.
Ave Caesar
2 comentários:
Bem, como não será de estranhar, não posso com esta criatura "nem à lei da bala" e não compreendo como numa democracia este senhor continua a poder dizer os dislates que lhe passam na real gana e a fazer o que bem lhe apetece. O facto de, por vezes, ter razão não o legitima - aliás, quando falamos muito, mais dia menos dia, havemos de dizer alguma coisa que interesse a alguém.
É perigoso, ainda, confundir verticalidade/dignidade com despotismo, este último a razão do seu não ajoelhar (não que não lhe fizesse falta usar de quando em vez o genuflexório)...
Cara lua-de-mel-lua-de-fel,
Digamos que, a nós continentais, vale-nos a insularidade da personagem.
Costuma dizer-se que um relógio, mesmo parado, está certo duas vezes por dia. A Jardim acontece-lhe o mesmo.
Creia, no entanto, que por lhe ter dado razão uma vez na vida, não lhe apadrinho a "bokassidade".
Ave Caesar
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