terça-feira, 16 de outubro de 2007

O ornitorrinco desconexo



O congresso do PSD realizado no último fim de semana demonstrou que Menezes, para além de ter um raciocínio desconexo, também não possui estabilidade "emocional" para conduzir os destinos do partido.
O mais interessante que este Congresso pariu, ou em sua consequência, foi o livro de Pacheco Pereira - "O paradoxo do ornitorrinco" - compilação de diversos textos publicados pelo autor sobre o PSD onde a "razão de ser" do partido e aquilo que apelida da perda do carácter reformador que sempre foi o cunho da sua influência na sociedade portuguesa, são dissecados. Interessante também porque exalta a perspectiva que todos os militantes e simpatizantes deviam ter dum partido. Em suma, e adaptando uma célebre frase, proferida julgo que por Kennedy, exorta os militantes a preocuparem-se com o que podem dar ao partido, e não com os dividendos que podem retirar do partido. Nas suas palavras:

"Para mim o PSD nunca foi "camisola", mas também nunca foi emprego. Saí pelo meu próprio pé de alguns dos lugares políticos mais desejados de Portugal e, no entanto, sei muito bem como, com obediência e subserviência, se pode continuar à tona, sem grandes desgastes visíveis. Mas sempre pensei que a verdadeira liberdade estava em poder-se dizer sim e não, e gosto de dormir sem vozes interiores."

Quanto a Menezes, revelou o paradoxo do ornitorrinco, com um discurso sem sentido, tentando abranger todos os sectores da sociedade e agradando a gregos e troianos, sem, no entanto, apontar uma linha de rumo segura.
A desconexão de pensamento revelou-se, por exemplo, na questão da regionalização, em que, no mesmo discurso, Menezes mostra-se favorável à regionalização, depois aponta a necessidade dum referendo - esquecendo a vitória do PSD no referendo de 1998 - e, por fim, avança pela necessidade da criação das regiões administrativas, independentemente da auscultação pública.
No resto, nada mais de relevante se passou, além de meros episódios de "show circense", que debilitam a credibilidade do actual líder - o convite "pressão" a Manuela Ferreira Leite e a conferência de imprensa marcada para a mesma hora da intervenção de Pedros Passos Coelho, por sinal um dos únicos rostos da oposição com coragem para se demarcar.
Ave Caesar

7 comentários:

Anônimo disse...

Andas a ler o conta-corrente ou será que és o mesmo?
Gaius Gonçalus Bredus

Anônimo disse...

Pode ser uma táctica: vitimização do eu!
Cada vez estás pior...

Anônimo disse...

Pode ser uma táctica: vitimização do eu!
Cada vez estás pior...

Gaius Germanicus disse...

Conta quê????

Ave caesar

Anônimo disse...

CANILHUS AGORA ATÉ JÁ TE CONFUNDEM QUEM O BREDA?
AVE CAESAR, OU ENTÃO, COMO VAIS À MISSA AO DOMINGO, PAI PERDOAI-LHES, PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM (DIZEM).
NÃO ACHAS?

Antonio Almeida Felizes disse...

O artigo é bom, mas na minha opinião tem uma imprecisão.
Assim quando diz
"A desconexão de pensamento revelou-se, por exemplo, na questão da regionalização, em que, no mesmo discurso, Menezes mostra-se favorável à regionalização, depois aponta a necessidade dum referendo - esquecendo a vitória do PSD no referendo de 1998 -"

Lembro que a posição oficial do então lider do PSD, Marcelo R Sousa, é que votavam contra, não a Regionalização, mas antes, o mapa das oito regiões na altura proposto.

Regionalização
.

Gaius Germanicus disse...

Caro tribuno A.Almeida Felizes,
Agradeço-lhe o complemento feito.

Ave Caesar