
Confesso que numa longínqua juventude dos anos 70, ensandecido por um romantismo europeu, terei tido alguma ingénua admiração por Che Guevara.
Na altura, idolatravam-se figuras revolucionárias, dignas de admiração e elogio por estarem dispostas a darem a vida por ideais.
Mas, na realidade, a disposição de entregar a vida por uma ideia escondia também propósitos tenebrosos: a disposição de tirar a vida a quem não a partilhasse.
Ernesto Guevara (Che), cuja morte ocorreu há 40 anos em La Higuera, na Bolívia, pertenceu a essa sinistra saga de heróis trágicos, presente também em movimentos terroristas de diversa índole, desde nacionalistas a jihadistas, que pretendem dissimular essa condição de assassinos debaixo da pele de mártires, prolongando os velhos conceitos herdados do romantismo.
Che fracassou, como fracassaram todos os que lhe seguiram os passos. Os seus projectos e ensinamentos apenas deixaram um rasto de fracasso e morte por toda a América Latina e África, incluindo Cuba.
Diversos foram os países que, na ânsia de criarem o chamado "homem novo", lançaram milhares de jovens numa lunática aventura armada. Graças ao desafio armado que estes "românticos" representavam, diversas ditaduras militares puderam justificar-se e apresentar-se como um mal menor, quando não como uma inexorável necessidade de enfrentar outra ditadura militar simétrica, como a castrista.
Neste contexto, a figura de Che Guevara não foi mais que a representação do caudilhismo latino-americano, um bando de aventureiros armados que apontava novos ideais socialistas para todo o continente, ideais de libertação colonial, mas cujos meios violentos não os afastavam dos seus predecessores.
Nas quatro décadas decorridas sobre a sua morte, felizmente, a esquerda latino americana e, supostamente, também a europeia, livraram-se dessas vestes de fanatismo. Ao ponto de hoje só festejarem a sua morte em La Higuera os governantes que subjugam o povo cubano e aqueles que invocam Simão Bolivar nos seus delírios populistas.
Ave Caesar
Fontes: "El Pais", 10/10/2007
3 comentários:
Um carniceiro, portanto.
Estou fascinado caro Gaius com a sua enorme sapiência e brilhantes deduções!
Fico à espera nos transmita os seus valiosos conhecimentos sobre outros facínoras que estiveram e estão noutras latitudes do globo, na Coreia, no Vietname, no Chile, em vários países de África e mais recentemente no Iraque.
Só assim a História ficará completa.
Escuto...
SÓ É VENCIDO QUEM DESISTE DE LUTAR!
HASTA SIEMPRE COMANDANTE CHE GUEVARA.
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