
No último post escrevi que a promiscuidade entre empresas e partidos políticos é transversal e impune no nosso país.
Os financiamentos paralelos, e à margem da lei, das empresas aos partidos políticos convivem saudavelmente com os favores que as forças políticas retribuem quando no exercício do poder.
No entanto outros malabarismos são praticados descaradamente.
Luís Filipe Menezes, em campanha para as directas do PSD, numa visita aos Açores utilizou um avião particular emprestado por um "amigo" que, por mero acaso, é apenas um grande empresário ligado ao sector imobiliário, desconhecendo-se, por ora, se terá ou não interesses imobiliários no concelho de Gaia.
Questionado sobre o assunto, Menezes terá feito a mesma expressão de ingenuidade e inocência que esboçou quando foi desmascarado pelos sucessivos plágios do seu blogue de campanha.
A promiscuidade é, por si só, grave. Mais grave ainda é se a banalizamos.
Ave Caesar
10 comentários:
"Soluções só com eficiente fiscalização, porque leis já temos muitas, não temos é forma de as cumprirmos.
condignamente"
Engana-se uma vez mais, Gaius! Onde escreveu fiscalização devia ter escrito consciencialização. É de uma recta e sã consciência que o povo português necessita. Nada mais. Pela via da fiscalizaão, só se existissem três fiscais para cada português! E, mesmo assim, teríamos, com toda a certeza, fiscais corruptos!!!
...Esta era a solução que te pedia. E que não soubeste dar.
Em vez de soluções, avanças com mais lixo e trampa. Não interessa mostrar mais merda. O que urge é limpá-la.
...Sem falsos moralismos. Basta que cada um tome consciência que tem uma consciência e que actue de acordo conm essa CONSCIÊNCIA.
Como fechou tudo para fim de semana, já sei que só haverá ecos de uma qualquer consciência, lá para segunda feira...à tarde
Como te dizia no outro Post, não é só no PSD que há disto.
Lê só a pérola que transcrevo abaixo:
"Em 2001 o então ministro José Sócrates sonhou com uma lei inexistente. E escreveu uma carta a um jornalista do Público.
O sonho de Sócrates que se tornou realidade
Em Novembro de 2001, o então ministro do Ambiente, José Sócrates, sonhou com uma lei inexistente. E ao chegar ao seu gabinete escreveu uma carta a um jornalista do PÚBLICO. Queria avisá-lo de que a "invocação pública" de uma escuta telefónica feita pela judiciária a uma conversa em que ele intervinha "constitui a prática de um crime". A advertência, feita com o intuito de travar a publicação de uma notícia referente a essa escuta, não tinha qualquer fundamento legal. Na semana passada, porém, o sonho de José Sócrates tornou-se realidade.
Revelar o teor de uma escuta telefónica constante de um processo judicial que não se encontrava em segredo de justiça não era crime em 2001. Nem ninguém sonhava que o viesse a ser, a não ser Sócrates e, eventualmente, alguns dos que o acompanham na presente cruzada contra a liberdade de informação. Mas a declaração de guerra do actual primeiro-ministro àquilo que os seus acólitos denominam de "jornalismo de sarjeta" já tinha sido feita nas páginas do PÚBLICO.
Numa carta publicada neste jornal em 1 de Março de 2001, Sócrates perorava sobre ética e deontologia dos jornalistas e anunciava o que aí vinha: "Parece que é tempo de começar a combater as éticas de plástico que outros agora sustentam [referindo-se a alguns jornalistas], por mais politicamente incorrecto que isso possa ser." Meses depois, quando o PÚBLICO o confrontou com a escuta telefónica em que dava instrucções a um empresário seu amigo sobre o que devia fazer para interferir no resultado de um concurso público, Sócrates desejou tanto que os seus sonhos fossem realidade que não se coibiu de qualificar como crime aquilo que nunca o fora. A conversa tinha sido gravada anos antes, quando ele era deputado, e resumia-se a uma recomendação para que o empresário contactasse, e posteriormente recompensasse, um seu colaborador do aparelho socialista da Covilhã. A este, que era assessor do presidente da câmara local e a quem Sócrates telefonaria entretanto, caberia fazer o possível para resolver o problema do concurso.
A imagem que sobressaía dessa conversa, gravada porque o empresário em causa estava a ser alvo de uma investigação judicial, era a de um deputado que se prestava a usar a sua influência para favorecer um amigo (por acaso financiador do PS) no quadro de um concurso público. E esta era, independentemente do seu interesse público e da legalidade indiscutível da divulgação da conversa, a última coisa que José Sócrates quereria que dele dissessem.
Naturalmente que o PÚBLICO não se deixou intimidar com a invocação de uma falsa proibição legal. Nem tão pouco com a solene comunicação com que o ministro do Ambiente terminava a sua carta: "Informo-o que recorrerei a todos os meios judiciais ao meu alcance para defesa da minha honorabilidade e da reserva da minha vida privada." Publicada a notícia em Janeiro de 2002, Sócrates escreveu ao director do PÚBLICO afirmando que o texto não passava de "especulações delirantes e insinuações falsas e injuriosas". E acabava declarando: "Porque o Sr. Cerejo [o jornalista] muito bem sabe que cometeu vários crimes com a publicação destes textos, prestará contas em tribunal." Na verdade, os anos passaram-se e as ameaças, antes e depois da revelação da conversa, não deram origem a nenhum processo judicial da iniciativa de José Sócrates.
O agora primeiro-ministro bem sabia que a história do "crime" era ainda, e tão-só, um sonho seu.
Quem se queixou em tribunal foi Carlos Martins, o assessor que ele recomendou ao empresário e que era então (e ainda o é) presidente de uma junta de freguesia da Covilhã.
Alegou que o seu nome tinha sido manchado pelo jornal, mas, meses depois, desistiu do processo. Presentemente está colocado no gabinete do primeiro-ministro e é um dos seus três adjuntos para os assuntos regionais.
A partir da semana passada, José Sócrates já não precisa de ameaçar jornais e jornalistas com tribunais e com leis que não existem. Veio tarde, para o caso da Covilhã, mas veio a tempo para muitos outros casos e para muita gente que pretende esconder, com o seu direito individual à privacidade, o direito de todos portugueses à verdade sobre quem os governa.
José Sócrates está a ganhar a sua guerra contra as liberdades. As sucessivas leis que tem vindo a fazer publicar em matéria de comunicação social estão a transformar-se numa mordaça. A criminalização da divulgação de escutas telefónicas que não estão em segredo de justiça, aprovada com os votos favoráveis do PSD, é apenas mais um passo na concretização do sonho do primeiro-ministro.
José António Cerejo
Jornalista
(Publicado na Pág. 38 do Público de hoje, 8 de Setembro de 2007)"
Nem de propósito, não achas, Gaius?
Porra gaius, tens batido com força no Menezes!
E eu que pensava que eras anti-Mendes...
Caro tribuno,
Agradeço penhoradamente o seu contributo, ainda que procure nas minhas palavras o erro ou a contradição.
Entendo sobretudo que além do binómio FISACALIZAÇÃO - CONSCIENCIALIZAÇÃO, podia até acrescentar um outro: EDUCAÇÃO.
Acompanho-o quando afirma que tem que haver consciencialização dos cidadãos para que actos como os que descrevo neste post sejam considerados naturalmente como abjectos. Mas como decerto concordará, é um problema de génese educacional ou de valores. Não se apreendem valores quando à nossa volta banalizamos comportamentos que, por natureza, deviam ser reprováveis em sociedade. Não concordo que a minha indignação seja mais um excremento que se junta a tantos outros. A INDIGNAÇÃO é uma arma. Quando houver uma maioria que se indigna, provavelmente as teias de interesses sórdidos deixarão de nos ser indiferentes.
Mas dizia eu, é também uma questão educacional. Há uns anos ninguém falava, e muito menos praticava, comportamentos de protecção ambiental. Graças a uma política escolar de divulgação, promoção e educação ambiental, todos, ou a maioria de nós, faz reciclagem, não deita lixo para o chão e procura não desperdiçar energia.
A CONSCIENCIALIZAÇÃO de que fala passa sobretudo por, quiçá, criar uma disciplina de civilidade que acompanhe as nossas crianças até à idade adulta.
Como exemplo, dou-lhe uma reportagem televisiva que vi sobre a Áustria, onde não há revisores nos metros, nem controlo de bilhetes aos utentes. No entanto, não há um unico cidadão que não adquira o bilhete porque é-lhe intrinseco o cumprimento das regras. Ou seja, há uma educação para a civilidade naquele país que, porventura, terá décadas.
Nessa matéria, ainda temos muito a apre(e)nder.
Avé Caesar
E ao acima transcrito artigo do Sócrates, dizes nada?
Ai Gaio, Gaio, qual educação, qual quê?
Antes de começarem a falar de ambiente nos media e nas escolas, já eu tinha uma CONSCIÊNCIA ambiental muito, mas mesmo muito anterior.
E garanto-te que não sou Deus nem anjo. Muito menos de inteligência superior. Simplesmente TENHO CONSCIÊNCIA.
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