
Foi há precisamente 6 anos que o mundo ocidental perdeu a inocência em que vivia.
Julgávamos que a estabilidade mundial estava conquistada. A URSS estava destroçada, os sistemas comunistas falidos e, no fim, manteve-se de pé o way of life ocidental. As sociedades de matriz capitalista vergaram o mundo e o Ocidente, mais uma vez, reinava sem oposição.
A 11/09/2001 o Mundo mudou... literalmente, diante dos nossos olhos.
Esse dia marcou definitivamente o nosso futuro e, desde aí, nada mais foi como dantes.
Ao susto inicial, à perplexidade e à consequente raiva pela barbárie cometida, reagiu-se, nem sempre da melhor forma. Encetaram-se duas guerras: a do Afeganistão consensual, a do Iraque com outras reticências.
O erro cometeu-se quando na luta contra as organizações terroristas se deu prioridade à vertente militar em detrimento da luta ideológica. Sim, porque não obstante o "medievalismo" do conceito, estamos perante um choque de civilizações, uma guerra de identidades.
Mas este é um jogo de paciência, onde os resultados não estão ao virar da esquina, mas terão que ser o corolário de políticas coerentes conjugadas com actuações firmes.
O combate ao extremismo violento não pode fazer-se com a mesma dose de insanidade e fundamentalismo. Na opinião do Gen. Loureiro dos Santos, com a qual concordo, tem que existir um esforço tripartido: um primeiro, de longo prazo, de cariz ideológico; um segundo, igualmente longo, de natureza política, económica e social destinado a combater as assimetrias existentes com os povos mais ricos e, assim, dissipar as razões muitas vezes invocadas para justificar os atentados contra o Ocidente; e uma terceira, que se sustenta e sustentará no esforço diário, permanente, de combate ao terrorismo activo.
Este último está a ter sucesso visível, mas enquanto os dois primeiros não se materializarem, enquanto não erradicarmos os motivos que levam os terroristas a não recear a morte, não podemos dormir descansados.
Ave Caesar
5 comentários:
"Sim, porque não obstante o "medievalismo" do conceito..."
É por estas e por outras.
É por causa da nossa soberba em pensar que somos superiores, lá por vivermos no séc XXI e com os tics do séc XXI. Mas superiores a quê? Temos de facto mais "ciência". Mas o que é que fizemos de todo o BOM pensamento produzido ao longo dos séculos? -Para debaixo do tapete, cegos que estamos com toda a nossa "ciência" e presunção de seres "superiores" do séc XXI...
E depois, socorremo-nos de um chorrilho e lugares comuns, armados em bem-pensantes convencidos.
Pois claro.
Bons mesmo são os cabeças de toalha.
O método mais civilizado de fazer justiça é à pedrada.
E espalhar a ideologia fazendo-se rebentar no meio de uma multidão? Simples, eficaz e limpo!
Ele há cada idiota!
Pois claro.
Termos toda a "ciência" à nossa disposição e goza-la, desfrutando-a, até à última gota, sem que ninguem nos impeça esse prazer, essa é a grande aspiração do balofo cidadão conformado e instalado no séc XXI! E de preferência goza-la entre amigos, poucos de preferência, sem importar que no 3º e no 4º mundo ainda impere o "medievalismo", ou seja, as mais elementares carências. E não dá jeito nenhum que, por causa dessas carências, de repente, rebente mesmo ao nosso lado uma bomba a interromper o nosso desfrute.
Pois claro.
Termos toda a "ciência" à nossa disposição e goza-la, desfrutando-a, até à última gota, sem que ninguem nos impeça esse prazer, essa é a grande aspiração do balofo cidadão conformado e instalado no séc XXI! E de preferência goza-la entre amigos, poucos de preferência, sem importar que no 3º e no 4º mundo ainda impere o "medievalismo", ou seja, as mais elementares carências. E não dá jeito nenhum que, por causa dessas carências, de repente, rebente mesmo ao nosso lado uma bomba a interromper o nosso desfrute.
Os ditos "cabeças de toalhas" devem ter aprendido com os apaches no Vietname e noutos cenários.
Em nome da liberdade, a de alguns deles, quantos crimes cometeram?
Já para não falar das cruzadas!...
As moedas têm duas faces, uma para receber e a outra para pagar...
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