quinta-feira, 26 de julho de 2007

Triste fado


Da música diz-se reflectir a identidade de cada povo. A sua forma de ser, sentir, amar ou apenas existir.
Nós somos o Fado, o fado vadio dum povo de sentimentos trágicos e destinos entregues ao Divino.
A RTP brindou-nos hoje com uma Reportagem sobre o fado vadio, não o de Lisboa, mas o dos bairros do Porto. Ao cair da noite, numa qualquer adega ou botequim, os mortais despem uma farda dum trabalho árduo e cantam a saudade, a nostalgia, a boémia, o ciúme, os amores e desventuras, enfim, o seu quotidiano.
O fado é ainda hoje o espelho do “ser português”. Uma forma de ser e cantar que encontrou uma guitarra numa esquina da vida e, como dizia Pessoa, “ viveram o amor com carácter de urgência”.
O fado nasceu na Rua do Capelão, palco dos amores proibidos da Severa. Na mesma rua Malhoa pintou-a acompanhada pelo Sousa do Casacão.

O fado não é razão… é sensação.

Sempre a Razão vencida foi de Amor;
Mas, porque assim o pedia o coração,
Quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!
Novo modo de morte e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
Que perde suas forças a afeição,
Por que não perca a pena o seu rigor.
Pois nunca houve fraqueza no querer,
Mas antes muito mais se esforça assim
Um contrário com outro por vencer.
Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há-de ser
Inclinação que eu tenho contra mim.
(Luís de Camões)

5 comentários:

Anônimo disse...

65 cl.
Depois dá-te pró fado!

Anônimo disse...

Fados e lados fazem bem ditosos os desgraçados.

Anônimo disse...

O fado é o tortulho nacional

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Puxa...
Cá anda o garoto do costume!