domingo, 6 de maio de 2007

Razões de um nome

“O traçado de qualquer dess­­as vias (que atravessam a Mealhada) seguirá, com grande aproximação, o da antiquíssima via romana que unia Olissipo (Lisboa) a Cale (Vila Nova de Gaia). A atestar esta passagem, achou-se, ainda no séc.XIX (em 1856 ou 1857), durante os trabalhos de construção da linha férrea do Norte, e em lugar que não pode indicar-se com toda a certeza, mas que deverá situar-se talvez numa zona à direita da Quinta de São Miguel, onde a via férrea segue a oriente da Estrada Nacional n.º1, um marco miliário, objecto de sinalização e contagem de percurso próprio das estradas romanas. Seria, segundo se crê, o segundo marco sobre a via indicada, a partir de Aeminium (a actual Coimbra), erigido no ano 39 d.C., no governo do imperador Calígula. Arrancado do local de origem, pode, hoje, apreciar-se, na sua vetustez discreta e silenciosa, no átrio dos Paços do Concelho. Acusa o desgaste do tempo e de alguma incúria dos homens, tendo provavelmente, sido encurtada na sua altura e sofrido uma chanfradura para facilitar a sua colocação junto à parede do local onde se encontra, enquanto o alcatrão foi utilizado para avivar as suas letras

/C(aius) CAE/SAR. DIVI
/AVG(usti)./ PRON(epos).AVG(ustus)
/PONT(ifex).MAX(imus).TRIB(unicia)/
/POT(estate).II/I. CO(n)S(ul). DESI/G(natus)/
P(ater). P(atriae) /M(illia passuum)/
XII

Gaio César Augusto,
bisneto de Augusto,
Pontífice máximo
no seu terceiro poder tribunício
Cônsul designado, pai da pátria. Doze milhas

(…) No actual lugar de Santa Luzia, situar-se-ia a milha VIII.”
in "Concelho de Mealhada Terras de verde e de ouro"
de Maria Alegria Marques e Alice Godinho

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