
Na Roma Antiga apelidava-se de partido o grupo de pessoas que seguiam um ideal ou uma doutrina. Foi igualmente esta ideia que esteve na génese dos dois chamados "partidos do poder" do pós 25 de Abril: PS e PSD.
O PS, fundado em Bad Münstereifel, na Alemanha, colheu inspiração na social democracia "tout court", de influências marxistas e centrada no estabelecimento do comunismo e socialismo através de "revoluções pacíficas e democráticas.
Ao invés, o PSD fundado em 6 de Maio de 1974 por Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Mota Amaral, entre outros, teve uma raiz liberal - o PPD/PSD. Ao contrário do PS, fez seu cavalo de batalha o combate ao colectivismo económico e aos movimentos totalitários marxistas.
Ora, aquilo a que hoje assistimos é a uma verdadeira "prostituição" dos partidos em que a ideologia cedeu espaço às "dinâmicas de vitória". Por um punhado de votos, estes dois partidos descaracterizam-se e transformaram-se em algo indefenível. Alguém no seu perfeito juízo consideraria o PS de Sócrates socialista? O pseudo engenheiro meteu definitivamente o Socialismo na gaveta e adoptou a política do Liberalismo puro. Razão, apenas uma: a dinâmica da vitória.

Neste cenário, o que resta ao PSD? Fintar o PS e posicionar-se à sua esquerda, porque o seu espaço foi usurpado.
Perante os jogos de interesses que comandam hoje os partidos, alguém pode condenar Helena Roseta e José Miguel Júdice por terem abandonado os seus outrora partidos? Os homens e mulheres livres não são comandados pelas lógicas partidárias. Seguem ideologias, convicções. E quando estas deixam de coexistir no seio partidário, só lhes resta, honradamente, abandonar o barco para não se transformarem numas rameiras, vendidas à lógica dos aparelhos.
Ave Caesar
2 comentários:
Subscrevo quase na integra.
Apenas uma ressalva. Nos nossos dias, já não é possível classificar os partidos de uma forma simplista e linear, como de direita, centro ou esquerda.
Fruto da própria evolução e convivência democrática entre todos os partidos e da injecção de filosofias e valores próprios ministrada pelos vários lideres e militantes que vão passando pelos partidos, quebraram-se esses alinhamentos e essa rigidez linear. Hoje o posicionamento dos partidos é tridimensional e varia ao longo do tempo. Assim, um partido tanto pode estar mais à esquerda, como a seguir estar mais à direita. Pode estar mais próximo do eleitorado (defender melhor o interesse pessoal de cada um), como pode estar mais afastado (Profundidade). Pode estar mais alto (mais forte) ou estar mais baixo. É assim que eu vejo os partidos. Num constante movimento tridimensional, muito dependente dos seus líderes e da sua capacidade de cativar os eleitores.
Por exemplo o actual CDS vejo-o como uma bola de sabão à procura de um espaço à direita, afastado de nós, em baixo e a tentar aproximar-se e subir, mas com grave risco de estoirar a qualquer instante.
O PSD, vejo-o numa luta desesperada ombro a ombro,com um PS que declinou para a direita e que tenta entrar no espaço tradicional do seu adversário.
E vejo um BE e um PCP, mais à esquerda, e mais lá para trás, com um PCP mais estático e arrefecido e um BE mais vibrante e irreverente.
abandonar o barco é uma coisa mudar de barco é outra.
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